Aviação Governo estuda juntar aeroporto civil à base militar de Monte Real

Governo estuda juntar aeroporto civil à base militar de Monte Real

Numa altura em que ganha força a discussão sobre a instalação de um aeroporto na região centro do país, o Negócios confirmou junto do Ministério das Infraestruturas que o Governo está a avaliar a possibilidade de fazer coabitar um aeroporto civil com a base militar de Monte Real, em Leiria.
Governo estuda juntar aeroporto civil à base militar de Monte Real
Lusa
David Santiago 24 de janeiro de 2020 às 13:23

O Governo está a estudar a hipótese de fazer coabitar um aeroporto civil com a base militar de Monte Real, em Leiria, confirmou o Negócios junto do Ministério das Infraestruturas. No entanto, ao que apurou o Negócios, para que seja real a possibilidade de coabitarem voos civis e militares na base de Monte Real, o Governo tem como condição a existência de financiamento privado. 

Numa fase em que volta a ganhar força o debate sobre a necessidade de ser instalado um aeroporto civil na região centro do país, e em que sobe também de tom a disputa entre as câmaras de Leiria e Coimbra, que pretendem tal infraestrutura no respetivo concelho, o Negócios sabe que o Governo não está a equacionar a hipótese da cidade dos estudantes. 

Na semana passada, a Lusa avançou, com base numa nota recebida da Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Coimbra, isto depois de uma reunião desta entidade com o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, que o Executivo socialista iria estudar a hipótese de instalar uma unidade aeroportuária no centro do país, entre Coimbra e Leiria. 

Recorde-se que foi já no verão de 2018 que a CIM de Leiria fez chegar ao Governo um estudo relativo à utilização civil da base da Força Aérea de Monte Real. Depois, em setembro do mesmo ano, foi a vez da autarquia de Coimbra, liderada por Manuel Machado, que é também líder da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), entregar ao Executivo chefiado por António Costa dois estudos destinados a apoiar a escolha sobre a melhor localização para um aeroporto comercial na região centro.

Essas opções diziam respeito à
 reconversão do Aeródromo Municipal Bissaya Barreto, em Coimbra e à construção de uma nova infraestrutura aeroportuária capaz de servir o eixo Coimbra-Leiria/Fátima. Entretanto, Manuel Machado assumiu há uma semana, citado pelo Público, que tendo em conta a análise custo-benefício feita à reconversão do Bissaya Barreto, "é mais rentável construir uma pista nova" numa localização "mais adequada", com o autarca de Coimbra a apontar para custos entre 30 e 50 milhões de euros.

Em 2018, Machado garantia que o investimento necessário à opção por um novo aeroporto seria totalmente assumido pelas câmaras beneficiadas por tal infraestrutura de acordo com uma lógica de partilha de responsabilidades. 

Leiria e Coimbra em disputa
As autarquias de Leiria e Coimbra continuam sem se entender quanto à melhor escolha para a instalação de um aeroporto comercial no centro de Portugal. O presidente da câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, tem vindo a insistir que a única opção viável passa pela 
abertura da base aérea n.º5 (BA5) de Monte Real à aviação civil.

Pelo seu lado, Manuel Machado considera que essa possibilidade "é inexequível", apontando razões de segurança e a necessidade de "um investimento mais oneroso" como argumentos, insistindo que os estudos encomendados pela sua autarquia mostram que a melhor escolha passa por uma localização a sul de Coimbra e a norte de Leiria. 

Em março do ano passado, foi o presidente do Turismo do Centro, Pedro Machado, a defender ter chegado a "altura de se abrir a base aérea de Monte Real à aviação civil", desde logo como "forma de aliviar a pressão sobre o aeroporto de Lisboa".

Ainda em matéria de infraestruturas aeroportuárias, esta semana a Agência Portuguesa do Ambiente emitiu uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável, sendo que condicionada, ao projeto do aeroporto do Montijo. 




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