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Investigadores concluem que intenção do co-piloto foi "destruir o avião"

O co-piloto do A320 que se despenhou nos Alpes - Andreas Lubitz de 28 anos - é o grande responsável pelo acidente de terça-feira. Segundo a investigação, impediu a entrada do piloto no cockpit e, "voluntariamente", provocou a queda do avião.

Reuters
Rita Faria afaria@negocios.pt 26 de Março de 2015 às 12:41
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O co-piloto do A320 da Germanwings – o alemão Andreas Lubitz de 28 anos - foi o responsável pelo acidente ocorrido esta terça-feira, 24 de Março, que vitimou 150 pessoas.

 

O procurador de Marselha, Brice Robin, esclareceu esta quinta-feira, 26 de Março, em conferência de imprensa, que não há informações suficientes para classificar o acto como suicídio, e tão pouco existem indicações de que se possa ter tratado de um atentado terrorista. "Não é considerado terrorista, não está em nenhuma lista de terroristas", informou o responsável. 

 

Brice Robin explicou que o comandante da aeronave abandonou o cockpit, "provavelmente para ir à casa de banho", e quando tentou regressar foi impedido de entrar pelo co-piloto, tendo ficado trancado do lado de fora. As tentativas do piloto incluíram "pancadas violentas" na porta do cockpit, que são audíveis nas gravações de áudio recuperadas da primeira caixa negra.

 

"Não houve qualquer resposta por parte do co-piloto, mas as gravações permitem ouvir que ele respirava de forma regular, por isso estava vivo", esclareceu o procurador. "O co-piloto não diz nada enquanto está sozinho. Não disse nem uma palavra desde que o piloto saiu do cockpit. Aparentemente a respiração está normal".

 

E continuou: "A interpretação que podemos dar neste momento, e a mais provável, é que o co-piloto recusou voluntariamente abrir a porta do cockpit ao comandante, e activou o botão que faz o avião perder altitude, o que pode ser analisado como vontade de destruir a aeronave".

 

No entanto, a equipa de investigação recusa, para já, a palavra suicídio. "Não uso a palavra suicídio porque não sei. Neste momento o que posso dizer é que ele voluntariamente deixou o avião perder altitude. Não tinha razão para o fazer nem para impedir o piloto de entrar no cockpit. Nem tinha razão para não responder ao controlo aéreo". 

 

Isto porque, segundo a equipa de investigação, o controlo aéreo tentou contactar o avião sem qualquer resposta. Além disso, a torre de controlo pediu a outro avião para tentar contactar o A320, mas também sem sucesso. E não foi recebida nenhuma mensagem de emergência por parte da aeronave da Germanwings. "Não foi recebida nenhum alerta de emergência pela torre de controlo".

 

Quanto aos passageiros do avião, o procurador francês acredita que só terão percebido que estavam em perigo instantes antes do impacto. "As vítimas só perceberam nos últimos momentos o que se estava a passar. Só se ouvem gritos mesmo antes do impacto", avançou. "A morte foi instantânea. Àquela velocidade contra uma montanha, o avião foi pulverizado".

 

A investigação que começou com o carácter de "homicídio involuntário", será alterada imediatamente pela procuradoria francesa. "Agora sei que é intencional. Temos de alterar a caracterização", sublinhou Brice Robin.

 

O co-piloto foi identificado como Andreas Lubitz, de 28 anos e nacionalidade alemã. Trabalhava há poucos meses na companhia aérea e tinha 630 horas de voo. "Mas era totalmente capaz de pilotar o avião sozinho", garante o responsável pela investigação. 

 

(Notícia actualizada às 12h56 com mais informações)

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