Aviação Justiça brasileira pretende penhorar avião da TAP para obrigar Estado português a pagar dívida

Justiça brasileira pretende penhorar avião da TAP para obrigar Estado português a pagar dívida

A justiça brasileira, na próxima semana, vai penhorar um dos aviões da TAP, como forma de obrigar o Estado português a pagar uma dívida relativa à sua embaixada localizada em Brasilia.
Justiça brasileira pretende penhorar avião da TAP para obrigar Estado português a pagar dívida
Negócios 04 de janeiro de 2013 às 09:20

A Justiça brasileira determinou a penhora de uma aeronave da TAP como garantia do pagamento de dívidas a trabalhadores num processo movido contra o Estado português por uma funcionária da embaixada portuguesa em Brasília, noticiou a Lusa.

 

A ordem, expedida no dia 19 de Dezembro pelo juiz Luiz Fausto Marinho de Medeiros, do Tribunal Regional do Trabalho de Brasília, determina a penhora da aeronave Airbus 330-200 da companhia aérea TAP, “cuja totalidade do poder accionista está nas mãos do Governo português”.

O processo, aberto em 2010, já chegou ao fim, com ganho de causa para a funcionária brasileira, que deverá receber o valor de 750 mil reais (280 mil euros) em avenças e benefícios atrasados, disse o advogado responsável pela acção, Renato Rezende.

Na fase da execução da ordem de pagamento, no entanto, surgiu a dificuldade criada pela imunidade diplomática, uma vez que os bens, imóveis e conta bancária da missão diplomática portuguesa no exterior estão protegidos pela Convenção de Viena. A solução encontrada foi a penhora de um bem que pertence ao Estado português, mas não à representação diplomática. “Quem tem a prerrogativa da imunidade de execução é a representação diplomática, não o Estado português”, explicou Renato Rezende.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, no entanto, informou a Lusa que ainda não foi notificado da decisão e que, quando acontecer, “evidentemente haverá lugar a recurso”. “A TAP é uma sociedade privada, distinta do Estado e não responde pelas dívidas dele”, afirma um comunicado da tutela.

O caso teve início em 2004, quando deram entrada mais de 110 processos contra a Embaixada portuguesa em Brasília e contra diversos consulados no Brasil, incluindo os de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Belo Horizonte. As acções solicitavam a assinatura da carteira de trabalho (documento obrigatório no Brasil, que garante o acesso aos direitos laborais) e o cumprimento das normas de trabalho brasileiras, como contribuição para a segurança social, entre outros benefícios.

A questão foi resolvida através de um acordo que previa o registo legal de todos os funcionários brasileiros e o pagamento da contribuição à segurança social que, em alguns casos, possuía mais de dez anos de atraso. Na hora do registo, no entanto, o valor das avenças, determinado em dólares, foi convertido para o valor em real (moeda brasileira), segundo o câmbio da época, cerca de três reais para cada dólar. Com a valorização cambial do real, as avenças dos funcionários em questão diminuíram substancialmente desde então, o que está proibido pela legislação brasileira.

“Constatada essa situação de que havia redução salarial, em 2010, ajuizámos as acções dos funcionários da embaixada de Portugal aqui em Brasília”, explicou o advogado. Segundo Rezende, cada processo envolve, em média, 500 mil reais [186 mil euros] a receber. “Ao todo, estamos falando de uma dívida de 5 milhões de dólares (3,8 milhões de euros)”, informou. A previsão do advogado é de que a ordem de penhora do avião da TAP seja efectivada num aeroporto brasileiro na próxima segunda-feira, dia 7 de Janeiro.

Segundo Rezende, no acto da penhora, será nomeado um responsável pela aeronave e estipulado um prazo - provavelmente de cinco dias - para que a dívida seja paga. Caso contrário, a aeronave deverá ser leiloada e o dinheiro depositado numa conta judicial. No requerimento, os advogados tinham pedido o arresto e a penhora do avião. O juiz, no entanto, determinou apenas a penhora, sem o arresto, o que significa que o avião poderá deixar o país, provavelmente após cumprida a exigência de um seguro contra acidentes.

 

Já a TAP disse desconhecer o processo, acreditando que não será possível penhorar o avião.

 

A companhia estava alertada sobre o processo, mas apenas pela comunicação social, e desconhecia que já havia uma decisão judicial confirmada por um tribunal no Brasil desde 19 de Dezembro.

 

António Monteiro admite que seria “péssimo para a imagem da TAP” que esta decisão judicial se efectivasse”, mas disse também que “não passa pela cabeça de ninguém que seja concretizada”, até porque a penalização de uma companhia aérea num processo no qual não tem responsabilidades “não é decidida de ânimo leve.

 

O porta-voz da TAP disse ainda estranhar a decisão porque “não há qualquer notificação”, além de que, neste momento, “decorrem “férias judiciais no Brasil”. O porta-voz da empresa acrescenta que a TAP “está tranquila porque nada dos factos tem a ver com a sua esfera de acção” e sublinha que os “bens da TAP fazem parte do património da companhia e não dos seus accionistas”.




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