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MH17: O dia depois da tragédia

O acidente com o Boeing 777 da Malaysia Airlines surpreendeu o mundo e fez virar as atenções, novamente, para os conflitos a decorrer em território ucraniano. O Negócios conta-lhe toda a história, por capítulos, do acontecimento que está a marcar a actualidade internacional.

Reuters
Wilson Ledo wilsonledo@negocios.pt 18 de Julho de 2014 às 14:33
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Capítulo 1: Um avião a "funcionar normalmente", com pilotos experientes a bordo

 

De acordo com um comunicado da Malaysia Airlines, o avião abatido possuia um "registo de manutenção". A última foi realizada a 11 de Julho deste ano e a próxima estaria marcada para o final do mês de Agosto.

 

O avião foi construído em 1997 e tinha mais de 75 mil horas de voo. "Todos os sistemas de comunicação da aeronave estavam a funcionar normalmente", ressalvou a Malaysia Airlines. A companhia acrescentou ainda que irá procurar rotas alternativas ao leste ucraniano.

 

Já foram encontradas duas caixas-negras do avião, embora se desconheça o seu destino.

 

Aos comandos do fatídico voo seguiam 2 co-pilotos e 2 pilotos, de acordo com a BBC. Os pilotos estavam entre os mais experientes da companhia malaia, tendo já realizado aquela rota anteriormente.

 

A companhia já confirmou que o avião voava a 35.000 pés de altitude, o correspondente a 10.600 metros. " A altitude da aeronave é determinada pelo controlador de tráfego aéreo em terra. Depois de entrar no espaço aéreo ucraniano, o MH17 recebeu instruções para voar a 33.000 pés" (10.000 metros), informou em comunicado.

 

Capítulo 2: As Organizações Interacionais num cenário de incertezas

 

A Organização para a Segurança e Cooperação na Europa e o Conselho de Segurança das Nações Unidas reuniram, de imediato, os seus membros. Ao terreno já chegou um grupo de cerca de 30 observadores deste organismo, noticia a AFP. Horas depois, a BBC avança que o grupo não teve "acesso completo" ao local do acidente, falando em disparos nas redondezas.

 

A meta é apurar factos e não causas para o desastre aéreo na Ucrânia, diz a BBC. Depois, será definir algumas acções imediatas para aquele território, marcado por um conflito armado que terá estado na origem da própria queda do voo da Malaysia Airlines.

 

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, já veio a público expressar as suas condolências, acrescentando que é necessária "uma investigação completa e transparente" ao sucedido. 

 

Já o secretário-geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen, diz-se "profundamente chocado" com o ocorrido. "A instabilidade na região, causada pelos separatistas pró-russos, criou uma situação muito perigosa", acrescentou, apelando a uma investigação internacional.

 

Capítulo 3: A história de quem fica e quem parte

 

A bordo seguiam 298 pessoas, 15 dos quais tripulantes. Inicialmente, o número avançado era de 295 passageiros, que foi posteriormente corrigido pela Malaysia Airlines. Nenhum deles sobreviveu ao impacto.

 

Metade das vítimas mortais são holandesas, país de onde partiu o voo com destino a Kuala Lumpur. Serão 189, de acordo com a lista disponibilizada pela companhia malaia. Contam-se ainda 44 malaios (número onde se inclui a totalidade da tripulação), 27 australianos, 12 indonésios, nove britânicos, quatro alemães, quatro belgas, três filipinos e um canadiano. A BBC avança que seguiam a bordo 80 crianças, citando as Nações Unidas. Para já, não há indicação de portugueses no MH17.

 

Falta ainda identificar as nacionalidades de quatro passageiros, de acordo com o mais recente relatório da companhia aérea. Esta sexta-feira, o presidente Barak Obama confirmou pelo menos um cidadão norte-americano morto no acidente, contrariando os 23 inicialmente avançados pela agência Interfax.

 

Entre as mortes estão vários investigadores, activistas e profissionais de saúde que iriam participar numa conferência sobre VIH/SIDA na Austrália. Constituiam um grupo de cerca de 100 pessoas. A imprensa fala ainda que o primeiro-ministro malaio Najib Razak estaria a bordo.

 

O piso superior do aeroporto de Amesterdão foi fechado para as famílias das vítimas. A Malaysia Airlines preparou uma equipa de profissionais de saúde e voluntários para prestar auxílio aos familiares e amigos dos passageiros do Boeing 777. A companhia quer ainda arranjar condições para permitir o acesso dos familiares ao local da queda do avião, mas apenas "no momento apropriado".

 

A Reuters diz que os processos de indemnização dos familiares das vítimas poderá ser relativamente rápido porque a causa do acidente está determinada. Será um assunto pouco prioritário, todavia, para quem tem de lidar com a dor da perda.

 

Há uma história feliz a registar neste caso: o do casal Barry e Izzy Sim, acompanhados pela filha de poucos meses. À BBC, no aeroporto holandês, contaram que pretendiam viajar no voo MH17, tendo acabado por escolher outra companhia aérea devido à falta de lugares. Esperam agora viver a "segunda oportunidade" que a vida lhes deu. 

 

Capítulo 4: Um receio contagiante

 

O receio de novos acidentes na área fronteiriça entre Ucrânie e Rússia espalhou-se entre as companhias aéreas. O espaço aéreo do leste ucraniano está oficialmente fechado.

 

Desde ontem, Air France, Lufthansa, Virgin Atlantic Airways, a Delta Airlines, a Aeroflot, a Transaero, a Turkish Airlines, Singapore Airlines, Emirates, Kazakhstan Airlines, a Ethiad ou a Ukraine Internacional já anunciaram a suspensão de voos neste território, de acordo com a imprensa internacional.

 

A portuguesa TAP já informou que "não utiliza o espaço aéreo ucraniano".

 

A Malaysia Airlines tem sido alvo de críticas por voar num território de conflito armado. Contudo, a Reuters clarifica que os reguladores internacionais da aviação civil não impuseram restrições a esse nível.

 

Deste modo, várias companhias aéreas continuaram a utilizar esta rota, bastante popular em voos de longa distância. Apesar deste cenário, companhias como a Qanta ou a Asiana optaram por evitar esta rota, conta a Reuters.

 

Entretanto, a Comissão Europeia activou a Célula de Coordenação de Crise da Aviação Europeia, de modo a garantir a coordenação e segurança necessárias no espaço aéreo.

 

Capítulo 5: Um culpado a cada lado do campo de batalha

 

Os Estados Unidos garantem que o avião foi abatido por um míssil terra-ar, diz o The New York Times. A CNN cita também um relatório preliminar dos serviços secretos norte-americanos, confirmando esta posição. Das responsabilidades todos fogem, sejam russos ou ucranianos, apontando culpas à outra parte.

 

Um cessar fogo entre as forças ucranianas e os rebeldes separatistas esteve em discussão, para que durante alguns dias as investigações ao acidente possam decorrer com a maior normalidade possível. Os separatistas acabaram por concordar.

 

O acesso à área continua "difícil e perigoso", como descreve um repórter da agência Associated Press. Vladimir Putin terá pedido aos agentes militares e civis russos para que cooperem com as investigações, mas reforçou que a Ucrânia tem de assumir a responsabilidade pelo sucedido. Mais tarde, Moscovo confirmou a sua posição: é necessária uma investigação, sem qualquer tipo de pressões.

 

As acusações começaram quando Anton Gerashchenko, assessor do Ministério do Interior Ucraniano, informou a agência Interfax da queda do avião. Nesse exacto momento, atribuiu as culpas a um míssil disparado por pró-russos que controlam a região de Donetsk.

 

No mesmo dia, o presidente ucraniano Petro Poroshenko veio reforçar a hipótese que atribui a culpa aos rebeldes pró-russos. Afastou então o cenário de terem sido forças militares ucranianas a causar aquilo que define como um "acto terrorista". "Isto é um abrir de olhos para o mundo. Esperamos uma resposta adequada da comunidade internacional", referiu.

 

O primeiro-ministro ucraniano, Arseniy Yatsenyuk, exige a Moscovo que reconheça o seu apoio aos "terroristas" a actuar naquele região do leste da Ucrânia, que considera terem sido os autores do acidente. "Este é um crime contra a humanidade. Todas as linhas vermelhas foram ultrapassadas", referiu.

 

De acordo com a Interfax, Yatsenyuk terá mesmo advertido os cidadãos ucranianos para se prepararem para um embargo total do comércio bilateral com a Rússia. A agência conta ainda que os serviços secretos ucranianos terão recolhido algumas gravações de conversas entre os controladores aéreos do país e o Boeing 777.

 

Nas últimas horas, os serviços secretos de Kiev chegaram mesmo a divulgar uma conversa telefónica onde os rebeldes alegadamente admitem terem abatido um avião civil. Já a Reuters noticiou que o comandante militar dos rebeldes, Igor Strelkov, escreveu nas redes sociais pouco antes de ser anunciada a queda do Boeing malaio, que as suas forças tinham derrubado, na mesma zona, um outro aparelho.

 

Na outra parte da barricada, as acusações são rejeitadas. Ao invés, passam essa atribuição de culpas para o lado ucraniano, justificando que não possuem sistemas capazes de atingir um avião a 10.000 metros de altitude, ao contrário dos rivais.

 

"Aparentemente é um avião de passageiros, certamente abatido pela Força Aérea Ucraniana", afirmou o líder separatista Alexander Borodai, citado pela imprensa internacional. Um site oficial dos separatistas, citado pela AFP, divulgou mesmo a informação de que o Boeing foi abatido por um avião de caça ucraniano.

 

Já o enviado russo ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, Vitaly Churkin, considera que a Ucrânia é a culpada do acidente, criticando a acção do executivo ucraniano neste período de crise no país.

 

Comprovando-se que um míssil lançado pelos rebeldes esteve na origem do acidente, o curso do conflito no leste da Ucrânia pode mudar de curso. Ucrânia, União Europeia e Estados Unidos confirmariam as suas acusações de que as forças rebeldes pró-russas estão a ser apoiadas pelo Kremlin. Moscovo tem negado, até agora, essa ajuda.

 

De acordo com a BBC, mais de 1.000 civis e combatentes terão morrido nos conflitos naquela região ucraniana, enquanto o governo de Kiev procura reestabelecer o seu controlo em Donetsk. 

 

Capítulo 6: A atenção do mundo na política das palavras

 

Choque. É a palavra mais utilizada para descrever o ocorrido. Utilizaram-na o primeiro-ministro holandês Mark Rutte e o primeiro-ministro malaio Najib Razak, representantes dos dois países onde mais se registaram vítimas mortais deste acidente. Rutte pede "factos".

 

Mas é dos Estados Unidos que a corrente de críticas mais se faz sentir. Depois do presidente Barak Obama ter descrito o acidente como uma "tragédia terrível", foi tempo do vice-presidente Joe Biden acusar Moscovo. "Não foi um acidente", reforçou.

 

Também Hillary Clinton diz que Vladimir Putin "foi longe demais", juntando-se àqueles que salientam o apoio do Kremlin aos separatistas pró-russos. Clinton pede mesmo à União Europeia que aumente as sanções sobre a Rússia.

 

À sua semelhança, o primeiro-ministro australiano Tony Abbot exige a Moscovo uma explicação. O país vai enviar uma equipa de 11 pessoas para prestar apoio na Ucrânia.

 

O primeiro-ministro britânico David Cameron diz-se chocado com a notícia, tendo anunciado a reunião de uma equipa para discutir as circunstâncias do acidente. Já a chanceler alemã Angela Merkel defende que a Rússia deve trabalhar no sentido de encontrar uma solução política com a Ucrânia.

 

Tal como a chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, todos eles exigem a realização de uma investigação aprofundada aos contornos deste acidente, pedindo que sejam criadas condições a esse nível. Todos eles apelam a um cessar-fogo imediato na região.

 

O Ministério dos Negócios Estrangeiros português também se juntou a este eco internacional. "O Governo Português considera que as circunstâncias desta tragédia exigem uma investigação internacional independente, que deve ser realizada com a máxima urgência e sem obstáculos, pelo que apelamos à total cooperação e partilha de informação pelas partes envolvidas na região no sentido de serem assegurados a segurança e o acesso ao local do acidente", pode ler-se no comunicado enviado esta sexta-feira, 18 de Julho. 

 

Barak Obama marcou uma conferência de imprensa na Casa Branca esta sexta-feira, 18 de Julho. O presidente americano apelou aí a um cessar-fogo entre os dois lados do conflito.

 

Obama diz que o seu país irá prestar o apoio que for possível à Ucrânia, rumo ao fortalecimento da sua democracia. "Não temos tempo para propaganda, não temos tempo para brincadeiras", afirmou.

 

O presidente norte-americano pede mais sanções para a Rússia, acrescentando que não seria possível aos separatistas pró-russos actuar sem o treino e equipamento da Rússia."Sabemos que esta não foi a primeira vez que um avião é abatido em território ucraniano", referiu.

 

 

Capítulo 5: O início da tragédia

 

O Boeing 777 da Malaysia Airlines foi abatido por um míssil, a 50 quilómetros da fronteira entre Ucrânia e Rússia. O avião saiu de Amesterdão pelas 12h15 desta quinta-feira e deveria chegar a Kuala Lumpur às 06h10 do dia seguinte.

 

Com 298 pessoas a bordo, acabou por se despenhar na região de Donetsk, onde as tropas do Governo ucraniano combatem separatistas pró-russos.

 

As autoridades de Kiev acusaram logo os rebeldes pró-russos pelo sucedido com o MH17, depois de aviões militares ucranianos terem sido abatidos nos dias anteriores. Um "acto terrorista", definiu o presidente ucraniano, Petro Poroshenko.

 

O aparelho da companhia malaia voava a uma altitude de 10.000 metros. Um pouco por todo o mundo, a imprensa fala que poderá ter sido atingido por um míssil terra-ar do sistema Buk, com capacidade para atingir os 25.000 metros.

 

Os líderes separatistas devolveram a acusação, alegando que só o exército ucraniano tinha sistemas capazes de derrubar um aparelho àquela altitude.

 

Em Março, a Malaysia Airlines também foi alvo da atenção mundial, após o desaparecimento de um voo seu, o MH370. O voo seguia de Kuala Lumpur para Pequim, com 227 passageiros e 12 tripulantes a bordo. 

 

São agora duas dúvidas para resolver.

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