Aviação Novos Airbus vão controlar movimentos dos passageiros. Até idas à casa de banho  

Novos Airbus vão controlar movimentos dos passageiros. Até idas à casa de banho  

A digitalização da cabine do avião vai acelerar o tempo de embarque e permitir poupanças de custos às companhias aéreas.
Bloomberg 14 de setembro de 2019 às 14:00

Atenção para quem passa a vida nas casas de banho dos aviões das companhias aéreas: a próxima geração de aeronaves da Airbus vai controlar quanto tempo você fica no WC.

 

Faz tudo parte de um esforço para tornar as cabines comerciais dos aviões um domínio com reconhecimento digital. A Airbus pretende impulsionar a Internet das Coisas - a expressão da moda para aparelhos domésticos conectados - a uma altitude de cruzeiro.

 

A Experiência Conectada da Airbus (Airbus Connected Experience ) tem como objetivo fornecer aos comissários de bordo uma análise mais detalhada da cabine, com sensores para dados fundamentais como quando o sabão da casa de banho está a acabar e a quantidade de papel higiénico que resta. Mas repensar o ambiente dos passageiros não se resume ao WC.

 

Em cada assento, o cinto de segurança emitirá um sinal vermelho para indicar que está solto e verde quando apertado. O objetivo é que o embarque e a partida fiquem mais rápidos, dispensando os comissários de bordo que verificam esses detalhes. A equipa também terá acesso a informações sobre o que está a bordo e onde, como quais os carrinhos de cozinha que contêm refeições específicas, como pedidos especiais ou seleções vegetarianas.

 

"Não é um conceito, não é um sonho: é realidade", disse Ingo Wuggetzer, vice-presidente de marketing de cabine da Airbus, durante uma feira de aviação em Los Angeles na terça-feira. A Airbus começou a testar a cabine conectada na sua aeronave A350 e planeia introduzi-la na família A321 em 2021, seguida pela série A350, de dois corredores, dois anos depois.

 

Por mais interessante que tudo isto possa parecer ao passageiro, trata-se apenas de mais uma forma para as companhias aéreas cortarem custos. Todos os dados recolhidos vão para os tablet ou smartphones dos tripulantes em tempo real, mas é na análise mastigada destes dados que está o seu principal valor. A conectividade que a Airbus pretende nas suas cabines vai fornecer uma montanha de informação que as companhias aéreas podem usar para analisar e otimizar os seus programas sem fim de corte de custos.

 

Desde o tempo que um tripulante demora a responder a um pedido de um passageiro, até aos vinhos preferidos, ou a casa de banho que é mais utilizada – a informação pode servir para otimizar todos os detalhes de um voo.

 

A Airbus também pretende oferecer às companhias aéreas a opção de introduzir câmaras externas aos WC, para contar os passageiros e permitir aos tripulantes redirecionar as pessoas.   

 

A tripulação também vai conseguir controlar as cortinas das janelas e o sistema vai indicar que volume de dados móveis estão a ser utilizados pelos passageiros e os compartimentos para bagagens que estão abertos.




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