Aviação Passageiros preparam-se para voo de 20 horas entre Nova Iorque e Sydney

Passageiros preparam-se para voo de 20 horas entre Nova Iorque e Sydney

Com quase 20 horas, a Qantas fará o voo mais longo do mundo, saindo dos EUA na sexta-feira e aterrando na Austrália durante a manhã de domingo.
Passageiros preparam-se para voo de 20 horas entre Nova Iorque e Sydney
reuters
Bloomberg 19 de outubro de 2019 às 19:00

Há décadas, passageiros enfrentam estoicamente o jet lag como uma consequência inevitável de viagens longas. Agora, com companhias aéreas que oferecem voos sem escala para cruzar metade do planeta, os esforços para combater os sintomas debilitantes alimentam um setor de milhares de milhões de dólares.

 

Uma nova visão do preço físico e emocional das viagens de longo curso deve surgir este fim de semana, altura em que a Qantas Airways planeia testar o seu voo sem escalas de Nova Iorque a Sydney. Nunca outra companhia aérea operou esta rota sem escalas. Com quase 20 horas, será o voo mais longo do mundo, saindo dos EUA na sexta-feira e aterrando na Austrália durante a manhã de domingo.

 

Será mais do que um exercício de resistência. Cientistas e investigadores médicos na cabine transformarão o Dreamliner novo em folha da Boeing num laboratório de alta altitude. Os especialistas examinarão o cérebro dos pilotos para medir o nível de atenção e monitorizar a comida, sono e atividade das poucas dezenas de passageiros. O objetivo é ver como os humanos aguentam a prova.

 

A proliferação dos voos superlongos - a Singapore Airlines retomou os voos sem escalas para Nova Iorque no ano passado - é parcialmente impulsionada pelo desenvolvimento de aeronaves mais leves e mais aerodinâmicas que podem voar mais longe.

 

O ónus físico para os passageiros volta a chamar a atenção para o jet lag, criando um supermercado de produtos e soluções caseiras para aliviar o sofrimento. Neste carrinho de compras estão comprimidos de melatonina, o remédio para ansiedade Xanax da Pfizer e óculos emissores de luz Propeaq que tentam que o corpo regresse à normalidade. E, sim, há uma aplicação para o jet lag e muitos outros remédios.

 

A base de clientes em potencial é impressionante. A Associação Internacional de Transporte Aéreo espera que cerca de 4,6 mil milhões de pessoas voem em 2019, um total que saltará para 8,2 mil milhões em 2037.

 

A procura por terapias jet lag cresce cerca de 6% a cada ano, e o setor deve movimentar 732 milhões de dólares em 2023, segundo a BIS Healthcare. O mercado que inclui os distúrbios do sono - dominado por comprimidos - movimenta 1,5 mil milhões de dólares e deve gerar vendas de 1,7 mil milhões de dólares até 2023, segundo a GlobalData, segundo a qual mais de 80 medicamentos contra a insónia estão em desenvolvimento clínico.

 

O voo de sexta-feira de Nova Iorque e outro de Londres ainda este ano são testes importantes para a Qantas, que se prepara para iniciar voos comerciais diretos destas cidades para Sydney a partir de 2022, que são parte do chamado Project Sunrise da companhia. Se forem bem-sucedidos, a Qantas diz que outras rotas superlongas e sem escalas da costa leste da Austrália para a América do Sul e África podem ser o próximo passo.

 

(Texto original: Human Guinea Pigs About to Embark on World's First 20-Hour Airline Flight)




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