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Ryanair queria Montijo a funcionar no Verão de 2018

"Porquê quatro anos para fazer um estudo? Porque não telefonaram para a Ryanair? Poderíamos ter-lhes dado esse estudo até à hora de almoço", brincou o presidente Michael O’Leary. A companhia "low cost" aceita voar para o Montijo mas só com taxas mais baixas.

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Wilson Ledo wilsonledo@negocios.pt 22 de Fevereiro de 2017 às 11:08
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A companhia aérea "low cost" Ryanair gostaria de ver a pista complementar no Montijo a funcionar já no Verão do próximo ano, ao contrário da expectativa da ANA Aeroportos e do Governo em terem o projecto Portela+1 aberto em 2021.  

 

"Não percebemos porque é que o Governo precisa de esperar quatro anos a estudar para abrir o aeroporto", afirmou o presidente Michael O’Leary esta quarta-feira, 22 de Fevereiro, numa conferência de imprensa em Lisboa.

 

Para o líder da transportadora irlandesa, "o Montijo terá de oferecer taxas mais baixas para conquistar outras companhias". A própria Ryanair ainda não tem decisão tomada sobre rumar à margem sul do Tejo e admite manter-se na Portela se o preço não for menor no Montijo.

"Se os preços [das taxas aeroportuárias] no Montijo forem metade da Portela, outras companhias irão para lá", acredita Michael O’Leary.

 

O gestor lembrou que a ANA propôs um aumento de 4% nas taxas aeroportuárias, contribuição que está "a descer" em aeroportos de outros países. "Estamos a apelar à ANA que não aumente as taxas. Vai ser nefasto para o turismo português", apontou perante o "monopólio" da gestora aeroportuária.

 

"Não podemos ser forçados a voar para o Montijo. Podemos ir para o Montijo para crescer. Mas se for com as mesmas taxas, não vamos para lá", reforçou Michael O’Leary. A Ryanair gostaria ainda ser ouvida pela Governo português, para mostrar a sua incompreensão pelo "atraso" na entrada em funcionamento da nova pista no Montijo, uma vez que as infra-estruturas já existem.

 

"Porquê quatro anos para fazer um estudo? Porque não telefonaram para a Ryanair? Poderíamos ter-lhes dado esse estudo até à hora de almoço", brincou.

 

Para Michael O’Leary a existência de transportes e hotel no Montijo são "irrelevantes". "Se formos para o Montijo, as pessoas vão voar para lá pelas tarifas baixas. As outras facilidades não são, de todo, importantes", justificou.

 

A companhia apresentou ainda o seu calendário para 2017 na capital portuguesa, passando a disponibilizar 26 rotas. No Verão inauguram ligações a Baden, Bruxelas-Charleroi e Cracóvia. O Inverno traz outras seis rotas: Bolonha, Glasgow, Luxemburgo, Nápoles, Toulouse e Breslávia.

 

A expectativa para 2017 é de superar a fasquia de 10 milhões de passageiros nos cinco aeroportos onde a Ryanair opera em Portugal, com 3,2 milhões de passageiros em Lisboa. "O nosso crescimento vai continuar a ser limitado pela falta de capacidade da Portela", lamentou.

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