Aviação Sindicato do pessoal da aviação civil lamenta "não atuação do Governo" na greve da Ryanair

Sindicato do pessoal da aviação civil lamenta "não atuação do Governo" na greve da Ryanair

O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) lamenta o que considera ser a "não atuação do Governo" face às "ilegalidades" cometidas pela Ryanair durante a greve que chega ao fim este domingo.
Sindicato do pessoal da aviação civil lamenta "não atuação do Governo" na greve da Ryanair
Lusa 25 de agosto de 2019 às 20:05

Em comunicado, o SNPVAC refere que, "após cinco dias de greve na Ryanair, tem a lamentar a (não) atuação do Governo de Portugal perante todas as ilegalidades cometidas pela companhia aérea irlandesa".

 

"Orgulhamo-nos da luta que os nossos associados travaram nestes cinco dias", aponta a nota divulgada à comunicação social, acrescentando que os tripulantes da companhia de aviação de baixo custo "demonstraram o que é ser português, ao contrário de um Governo e de um Presidente que optaram por olhar para o lado".

 

O sindicato diz não compreender "a ausência do Presidente da República", Marcelo Rebelo de Sousa, durante a paralisação, salientando que, "como garante da Constituição e da democracia, deveria ter tido, no mínimo, uma palavra de apoio aos tripulantes da Ryanair".

 

"Nestes cinco dias de greve nunca o observámos preocupado com a degradação das condições laborais dos tripulantes da Ryanair ou com as ilegalidades cometidas pela empresa, preferiu continuar de férias enquanto o país estava a perder soberania", criticam os sindicalistas.

 

O SNPVAC aproveita também para agradecer a atuação da Autoridade para as Condições do Trabalho, notando que "só não produziu efeitos imediatos porque não têm meios ou alguém não lhes possibilitou meios para mais".

 

"Consideramos que é humilhante para todos os portugueses ver a secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, deslocar-se a Dublin, no passado dia 21 de agosto, em plena greve dos tripulantes da Ryanair, para ir 'vender' destinos do nosso país ao desbarato a uma empresa que atropela a Constituição da República Portuguesa", lê-se também no comunicado.

 

Na nota, o sindicato aproveita para reiterar que os serviços mínimos decretados pelo Governo condicionaram o direito à greve dos tripulantes da companhia de aviação e acusa o executivo liderado pelo socialista António Costa de ter optado por "defender os interesses económicos de uma empresa privada e estrangeira, em detrimento dos direitos de trabalhadores portugueses".

 

O SNPVAC vinca que "irá continuar a lutar contra as ilegalidades perpetuadas pela Ryanair com o beneplácito do Governo de Portugal, aquele que deveria defender os portugueses acima de tudo e de todos".

 

A greve dos tripulantes, convocada pelo SNPVAC, teve início na passada quarta-feira e termina hoje.

 

A paralisação conta com serviços mínimos decretados pelo Governo, que abrangem não só os Açores e Madeira, mas também as cidades europeias de Berlim, Colónia, Londres e Paris.

 

Na base desta greve está, segundo o SNPVAC, o facto de a Ryanair continuar a "incumprir com as regras impostas pela legislação portuguesa, nomeadamente no que respeita ao pagamento dos subsídios de férias e de Natal, ao número de dias de férias e à integração no quadro de pessoal dos tripulantes de cabine contratados através das agências Crewlink e Workforce".

 

Também através de uma nota publicada na sua página na internet, a empresa informou que todos os voos que tiveram Portugal como origem ou destino decorreram hoje de manhã como planeado, com 96% de pontualidade, apesar da greve.

 

A companhia de aviação salienta que hoje, até às 10:00, todos os voos iniciais com destino ou que partiram de Portugal saíram "como planeado e com 96% de pontualidade (devido a alguns atrasos no controlo de tráfego aéreo)".

 

A Ryanair salienta ainda que no sábado, quarto dia de greve, a empresa "completou" os 198 voos programados para ou desde Portugal, dos quais 90% cumpriram o horário, tendo transportado 36.000 passageiros.

 

A empresa opera em Portugal em Lisboa, Porto, Faro e Ponta Delgada.




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