Aviação Sindicato da aviação anuncia três dias de greve em Julho

Sindicato da aviação anuncia três dias de greve em Julho

O SITAVA exige que o Governo anule o despacho que permitiu um terceiro operador de 'handling' no aeroporto de Lisboa.
Sindicato da aviação anuncia três dias de greve em Julho
Miguel Baltazar
Lusa 02 de junho de 2016 às 19:19

O SITAVA anunciou esta quinta-feira, 2 de Junho, um pré-aviso de greve para 1,2 e 3 de julho contra a precariedade dos trabalhadores dos serviços de assistências nos aeroportos ('handling') e acusa o Governo de inacção.

 

"O SITAVA [Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos] anuncia desde já que, perante a passividade do Governo, não resta aos trabalhadores outra alternativa que não seja lutarem pelos seus postos de trabalho, pelas suas empresas, pela sua sobrevivência, pelo que decidimos entregar um pré-aviso de greve em todas empresas de 'handling' para os dias 1, 2 e 3 julho de 2016", disse hoje o presidente do sindicato, Fernando Henriques, em conferência de imprensa, em Lisboa.

 

O dirigente sindical afirmou que esse pré-aviso abrange as empresas Groundforce e Portway, mas também todos os trabalhadores de empresas de trabalho temporário e prestadoras de serviço que atuam na área do 'handling'.

 

Actualmente, segundo o SITAVA, há cerca de 5.000 trabalhadores deste setor em Portugal e este sindicato representa 1.300.

 

Quanto aos motivos específicos da greve, segundo Fernando Henriques, é imperativo que o executivo liderado por António Costa intervenha no setor para impedir a operação da empresa Groundlink, que presta serviços de 'handling' para a Ryanair, uma vez que, alega, essa actua de forma "fraudulenta" e não cumpre os direitos dos trabalhadores, que operam em condições abaixo das praticadas nas outras empresas do setor.

 

É essa situação, defende o sindicato, que está na origem no despedimento colectivo de 256 funcionários que a Portway - integrada na Vinci - está a levar a cabo, uma vez que, diz o dirigente sindical, a Groundlink atua em "concorrência desleal" ao não cumprir as regras do sector.

 

Ainda assim, o sindicato também lança críticas à Vinci, afirmando que este é "já o terceiro despedimento colectivo" que a empresa leva a cabo desde que ganhou a concessão da ANA -- Aeroportos de Portugal, a gestora dos aeroportos, uma vez que despediu 12 trabalhadores de uma função especifica no aeroporto de Faro e tem também a decorrer as rescisões com 21 trabalhadores de apoio a pessoas de mobilidade reduzida que estão na empresa há 8 anos e para os quais a empresa está a "mandar cartas de despedimento para não os integrarem".

 

Por fim, o SITAVA exige que o Governo anule o despacho do anterior executivo, de Passos Coelho, que permitiu um terceiro operador de 'handling' no aeroporto de Lisboa, cumprindo aliás a recomendação que foi aprovada no parlamento a 31 de Março, por Partido Socialista, PCP, Bloco de Esquerda e PEV.

 

Questionado na conferência de imprensa sobre o que poderá evitar a greve, o presidente do SITAVA referiu que para isso é preciso que o Governo tome acções e pare os processos em curso até 30 de Junho.




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