Aviação TAP justifica sucesso da emissão de dívida com juros mais altos da Air Baltic e Virgin Australia

TAP justifica sucesso da emissão de dívida com juros mais altos da Air Baltic e Virgin Australia

Numa carta enviada aos trabalhadores a que o Negócios teve acesso, a administração da TAP destaca o "sucesso" da emissão de obrigações de dívida a cinco anos no valor de 375 milhões de euros. A TAP recorre ao exemplo de uma operadora australiana e outra báltica que têm juros mais altos nas respetivas operações de financiamento para justificar sucesso da respetiva operação.
TAP justifica sucesso da emissão de dívida com juros mais altos da Air Baltic e Virgin Australia
Lusa
Negócios 02 de dezembro de 2019 às 20:27

A TAP sustenta, junto dos seus trabalhadores, que a já concluída emissão de dívida a cinco anos num montante de 375 milhões de euros e com uma taxa de juro de 5,75% (5,625% ao preço de emissão de 99,463%) foi um "sucesso", desde logo porque esta contrapartida exigida pelos investidores está abaixo de custo de financiamento conseguido por operadoras aéreas tais como a Air Baltic ou a Virgin Australia.

Em carta enviada aos trabalhadores pela administração da operadora aérea portuguesa, e a que o Negócios teve acesso, a TAP refere que a colocação destas obrigações "junto de vários investidores institucionais de relevo, americanos e europeus" vai permitir à empresa "consolidar a posição financeira" devido ao alongar das maturidades, "criando, assim, condições para dar continuidade aos projetos de transformação atualmente em curso".

Justificando o sucesso da operação, a TAP nota que as congéneres Air Baltic e Virgin Australia realizaram também emissões "com maturidades e 'ratings' semelhantes", tendo a primeira obtido uma taxa de juro de 6,75% e a segunda um custo de 8,125%. No entender da operadora nacional, esta diferença nos juros "vem comprovar a atratividade e credibilidade" do projeto da atual administração.  

A TAP não se fica pela comparação com congéneres, recorrendo ainda ao exemplo de duas fabricantes automóveis, a Jaguar e a Land Rover, que recentemente também concluíram a emissão de dívida com uma contrapartida de 5,875%.

Na missiva endereçada aos respetivos trabalhadores, a operadora liderada por Antonoaldo Neves (na foto) realça ainda o 'rating' que lhe foi atribuído pelas agências de notação financeira Moody’s e Standard & Poor’s, o qual "representa [uma] avaliação independente da credibilidade e de confiança junto do mercado e que coloca a empresa em linha com um restrito grupo de empresas no âmbito do mercado global de aviação". Isto apesar de tanto a Moody's como a S&P  terem classificado de investimento especulativo a dívida da TAP.

Na carta é ainda argumentado que a forma como decorreu esta emissão de dívida mostra como o "plano estratégico" da empresa, incluindo designadamente a renovação de frota, a expansão da operação, o reforço do número de trabalhadores e o investimento em novos mercados, em especial na América do Norte, foi "bem recebido pelos investidores – nomeadamente no Reino Unido, em França, Itália, Espanha, Alemanha e nos Estados Unidos da América – que demonstraram confiança no futuro da TAP a longo prazo".

Esta foi a terceira emissão de dívida realizada pela TAP em 2019, elevando para mais de 700 milhões de euros o encaixe financeiro assegurado pela operadora através da emissão de dívida obrigacionista.

A TAP fechou os primeiros nove meses deste ano com um prejuízo de 111 milhões de euros




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