Aviação TAP: Privados apostam no Estado para melhorar condições na banca

TAP: Privados apostam no Estado para melhorar condições na banca

O Governo espera ter o novo contrato com os privados implantado até meados de Agosto, incluindo autorizações da Concorrência. Os chineses da HNA podem vir a ter 20% da companhia e abrem mercados a Oriente.
TAP: Privados apostam no Estado para melhorar condições na banca
Paulo Zacarias Gomes 21 de maio de 2016 às 11:28
A devolução da maioria do capital da TAP a mãos públicas deverá ajudar à renegociação da dívida da companhia com a banca em prazos e juros. A convicção é de Humberto Pedrosa, o empresário português que integra com David Neeleman o consórcio privado Atlantic Gateway, que este sábado explicou os termos do novo contrato de venda da companhia assinado com o Estado.

"Neste momento a situação, com aumento da participação do Estado, vai dar um conforto diferente à banca, será muito mais fácil fazer negociação da dívida", disse o empresário português, na conferência de imprensa conjunta com o ministro do Planeamento e das Infraestruturas em Lisboa.

Uma opinião corroborada por Pedro Marques, para quem o reforço da presença pública - com a recompra de acções e a subscrição de um empréstimo obrigacionista - se torna um factor importante para a "diversificação de risco" associada aos 630 milhões de euros de que a banca é credora na companhia.

A expectativa é de que a maturidade da dívida possa ser alargada aos sete anos e os juros passem a rondar os 3%, disse Pedrosa ao Expresso.

O novo acordo assinado esta sexta-feira e explicado um dia depois, garante segundo os responsáveis uma "gestão privada" na TAP, ao mesmo tempo que o Estado fica com a última palavra:

"É possível que o Estado esteja a partir de agora na empresa com 50% do capital, como seu maior accionista, nas decisões estratégicas da empresa. Todas elas passarao por uma palavra do Estado", garantiu o ministro.

Acordo pode estar concluído até meados de Agosto

A operação para a reconfiguração accionista da empresa, prevista no acordo, começa no imediato, depois de assinados o acordo de compra e venda de acções e o acordo parassocial que inclui os compromissos estratégicos das duas partes.

O Estado recompra por 1,9 milhões de euros a acções alienadas pelo anterior Governo "ao mesmo valor a que tinham sido vendidas" à Atlantic Gateway e terá em Junho a oportunidade de exercer a subscrição de um empréstimo obrigacionista de 30 milhões de euros na empresa.

A oferta pública de venda de até 5% do capital para trabalhadores avança e as acções que não forem adquiridas passarão a estar na Atlantic Gateway.

Após a negociação com os bancos financiadores, da notificação à Autoridade da Concorrência e da conclusão da venda aos trabalhadores, segue-se a nomeação do conselho de administração e, só após disso, a notificação à Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC), para analisar se o controlo europeu da companhia se mantém, já com os chineses da HNA a bordo.

"O processo negocial com o sistema financeiro vai começar a partir de agora. Gostávamos que tudo pudesse estar concluído em três meses, mas é uma ambição, uma expectativa", disse Pedro Marques.

Chineses podem vir a deter 1/5 do capital

A entrada dos chineses da HNA no capital da companhia também foi reafirmada, com Humberto Pedrosa a estimar que este accionista possa vir a deter 20% da empresa:

"A HNA vai entrar no capital da Azul, que por seu lado subscreveu obrigações na TAP que poderão ser convertíveis em acções (...) com uma participação na ordem dos 7%. (...) A participação que a HNA terá indirectamente andará na casa dos 13%, com os 7% directamente na Atlantic Gateway poderá chegar aos 20%", afirmou.

O embarque dos chineses traz ainda, segundo Pedro Marques, uma aproximação a Oriente, importante para diversificar os mercados da TAP. "Esperamos uma ligação tão cedo quanto possível a Pequim", disse o ministro.

Sob a nova configuração de capital, o Estado pagará para ficar com metade da transportadora, face aos 34% que tinham ficado definidos no modelo de venda pelo anterior Governo. O consórcio fica com 45%, podendo vir a adquirir a fatia reservada a trabalhadores, de 5%.

O Estado nomeará o chairman da empresa e nomeará metade dos administradores do board (seis), enquanto a comissão executiva será indicada pelos privados, com três membros, mantendo-se Fernando Pinto aos comandos da empresa.



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