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Turkish Airlines: quando uma companhia é porta-voz de um país

Após a tentativa de golpe de estado,, a Turquia tenta voltar à "normalidade" e recuperar turistas. Todavia, o discurso do presidente da Turkish Airlines, onde o estado turco é accionista, parece ir em sentido contrário. A insegurança é tópico forte no discurso.

7º Turkish Airlines - Posição em 2015: 4º
reuters
Wilson Ledo wilsonledo@negocios.pt 29 de Setembro de 2016 às 13:00
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Breve introdução em inglês, seguida de um "emocionado"' discurso em turco durante mais de uma hora. Ilker Ayci entrou numa sala da sede da transportadora aérea em Istambul para falar com jornalistas. Sobre o país - os negócios ficaram em segundo plano.

A data é repetida várias vezes: 15 de Julho, o dia da tentativa de golpe de estado. Para um país que quer voltar à normalidade e seguir em frente, recuperando a confiança dos turistas, o discurso pode parecer contraditório.

"Devia sonhar sobre novos destinos, entretenimento, experiência a bordo. Infelizmente, sou turco. Tenho outro dever: contar todas as verdades e factos", acabou por justificar o executivo da companhia aérea onde o estado turco é accionista. Sem maioria, mas com o peso mais forte.

Ilker Ayci diz querer "diversificar as fontes de informação". O denominado FETO, grupo liderado por Futtullah Gulen agora radicado nos Estados Unidos, é apontado como o responsável por tentar derrubar o presidente Tayyip Erdogan. "É um evento muito traumático, muito difícil de perceber", considera. "Propaganda negra" e "sabotagem" são outras expressões utilizadas.

O aviso é lançado para Ocidente: "vão ver no futuro, vão juntar as peças do puzzle". Bruxelas é o principal alvo com as rejeições constantes para que a Turquia adira à União Europeia. Ayci diz que as restantes democracias europeias consideram que o seu país está "abaixo" do padrão. "Não percebem o que tivemos de passar, o choque", lamenta.

A questão dos refugiados é a mais flagrante. "Estamos a alojar cerca de três milhões de refugiados sírios. Lamentamos a situação, mas temos orgulho em tê-los", lembra. Todavia, o presidente da Turkish Airlines ainda acredita que a Turquia fará parte da União Europeia, reconhecendo que é necessário "dar passos para nos tornarmos uma democracia de primeira classe".

A recuperação da economia e do país lá acabam por surgir, a meio do discurso. "Um país de volta à normalidade a curto prazo. Somos uma companhia, um país e uma economia resiliente", classifica. Mesmo antes da tentativa do golpe de Estado em Julho, e com pouco tempo para reflectir o atentado ao aeroporto de Istambul Ataturk no mês anterior, o primeiro semestre já tinha registado prejuízos.

"Temos um plano de recuperação" que passa pela redução de frequências, sobretudo para Europa. Portugal não escapa a esta medida, com uma redução de 14 para 10 das frequências semanais em Lisboa e de sete para cinco no Porto já no próximo Inverno.

Voando para mais de 280 pontos em todo o mundo, a estratégia da Turkish Airlines passa pela América Latina. Havana, em Cuba, e Caracas, na Venezuela, arrancam já neste Outono. México poderá chegar em 2017. Depois, há também uma tentativa de relançar a presença da Alemanha e Rússia, os dois principais mercados emissores de turistas na Turquia.

"Estamos com vontade de retomar o crescimento a dois dígitos, mas não este ano", reconhece Ilker Ayci. A Turkish Airlines voa desde 2005 para Portugal, país onde também se regista uma quebra no número de turistas para a Turquia.

Nos primeiros sete meses de 2016, foram quase menos 16 mil os portugueses que visitaram o país. Estendendo a análise a nível global, a Turquia perde mais de seis milhões de passageiros, uma quebra superior a 30%.

Há dados que apontam para uma descida de 40% neste indicador até ao final do ano, como reflexo dos meses ainda por contabilizar e que transmitem melhor o impacto da tentativa de golpe de estado na confiança dos turistas.

*Em Istambul. O jornalista viajou a convite da Turkish Airlines

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