Transportes Associação Comercial do Porto reclama investimentos em Leixões e contesta porto do Barreiro

Associação Comercial do Porto reclama investimentos em Leixões e contesta porto do Barreiro

A Associação Comercial do Porto exige ao Governo a concretização de dois investimentos "cruciais" já programados para o porto de Leixões e defende que seja travada a construção do novo terminal do Barreiro.
Associação Comercial do Porto reclama investimentos em Leixões e contesta porto do Barreiro
Paulo Duarte/Negócios
Maria João Babo 10 de fevereiro de 2015 às 12:42

Num documento enviado esta terça-feira a várias entidades e responsáveis políticos, entre os quais o Presidente da República, o primeiro-ministro, o ministro da Economia e os grupos parlamentares, a Associação Comercial do Porto (ACP) lamenta que o Governo não desbloqueie o arranque de investimentos em Leixões que considera "cruciais", ao mesmo tempo que é "grande o empenho em avançar rapidamente para a construção do novo terminal de contentores de Lisboa no Barreiro".

 

Para a ACP, há dois projectos que são absolutamente cruciais para que Leixões assegure a sua competitividade presente e futura: a ampliação do terminal de contentores, que compreende o aumento da capacidade instalada do molhe Sul e a construção de um terminal ferro-marítimo, com um valor global estimado de 38 milhões de euros; e a construção do novo cais que viabilize a entrada e a operação portuária a navios porta-contentores "post-panamax", com um calado de 14 metros.

 

Este último projecto, salienta a ACP, estava até já contemplado no Plano Estratégico de Transportes que foi apresentado pelo Governo em 2011, tendo também sido incluído no conjunto das infra-estruturas prioritárias que o Governo definiu o ano passado, com um investimento associado de 200 milhões de euros.

 

Para a associação presidida por Nuno Botelho, o Estado "não foi tendo, ao longo do tempo, como seria desejável, uma noção da importância e do que queria para o sector portuário, o que se traduz, historicamente, numa crónica desorganização e despreocupação face à performance global do sector".

 

Em seu entender, "é disso prova a ausência de resposta da tutela para a realização destes dois investimentos, que há muito estão aprovados e programados, mas que continuam sem poder avançar por falta de um conjunto de clarificações por parte do Governo central".

 

O sucessivo adiamento destes investimentos, garante na posição pública que manifestou aos vários responsáveis políticos, "está a comprometer, de forma grave, a capacidade concorrencial de Leixões face aos seus principais concorrentes na Península Ibérica e, consequentemente, a prejudicar de forma séria a competitividade das nossas empresas, que se vêem impedidas de inovar e adaptar os seus canais de distribuição às tendências da indústria naval mundial".

 

"Quando pensará o Governo clarificar as indefinições que estão a bloquear o arranque destes investimentos, tendo em conta que o impasse criado pode vir a comprometer a sua viabilização no horizonte 2020, comprometendo também por essa via a capacidade de resposta do porto às necessidades desta região", questiona a  ACP, que diz estranhar, por outro lado, que "seja grande o empenho e a preocupação do Governo em se avançar rapidamente para a construção do novo terminal de contentores de Lisboa no Barreiro". Uma solução, acrescenta, "incomportavelmente cara e sem qualquer base de sustentação técnica ou económica".

 

A opção pelo Barreiro, sublinha ainda, "além de obrigar à construção de novas acessibilidades ao porto, irá implicar, como vários estudos apontam, custos anuais de milhões de euros em dragagens de manutenção do canal fluvial de acesso, para se manter a infra-estrutura em operação", o que "inviabilizaria por si só, a opção do ponto de vista financeiro".

 

A isso, "acrescem constrangimentos ambientais e de ordenamento do território que não deixam dúvidas de que o Barreiro é uma localização estrategicamente desadequada e excessivamente onerosa para os contribuintes nacionais".

 

A confirmar-se, "será sempre uma opção assumida à revelia de todo e qualquer princípio de racionalidade económica, tanto mais que existem soluções alternativas", acrescenta a associação, que afirma estranhar o facto de "não se equacionar, em alternativa, o melhoramento da capacidade instalada do porto de Setúbal, permitindo-lhe receber os navios que hoje atracam em Lisboa.

 

De acordo com a ACP, "se se reforçasse os cerca de 30 milhões de euros de investimentos previsto para a modernização deste porto, certamente que a factura total a pagar seria muito menor face aos mais de 760 milhões de euros estimados para a construção do terminal no Barreiro".

 

"Teme-se que a concretizar-se a construção do novo porto de águas profundas no Barreiro, toda a política portuária nacional seja posta em causa, continuando a adiar-se investimentos fundamentais, que estão há muito devidamente estudados e validados pelo mercado, como é o caso daqueles que estão previstos para o porto de Leixões".

 




pub

Marketing Automation certified by E-GOI