Transportes Não são o Expresso do Oriente, mas os comboios noturnos estão de volta

Não são o Expresso do Oriente, mas os comboios noturnos estão de volta

Romantizados por filmes como “Assassinato no Expresso do Oriente” e “Moscovo contra 007”, os comboios noturnos quase desapareceram na Europa. Agora, parte da magia está de volta, mas com um toque moderno.
Não são o Expresso do Oriente, mas os comboios noturnos estão de volta
Tiago Sousa Dias/Cofina
Bloomberg 07 de dezembro de 2019 às 20:00

No século passado, os comboios noturnos com cabines de painéis de madeira e "lounges" luxuosos tinham um sabor a aventura, percorrendo a noite toda de Paris a Istambul ou de Londres a Veneza. Porém, com as ligações ferroviárias de alta velocidade que diminuíram as distâncias, as companhias aéreas de baixo custo e os regulamentos da União Europeia, os comboios noturnos tornaram-se inviáveis economicamente, e os comboios noturnos perderam o fascínio. Uma a uma, as grandes linhas ferroviárias da Europa terminaram ou cortaram drasticamente os serviços internacionais de comboios noturnos.

 

Agora, com a "vergonha de voar" da ativista ambiental Greta Thunberg, movimento que tornou as pessoas mais conscientes da sua pegada de carbono, a indústria de comboios noturnos está a passar por um renascimento. O setor atrai uma nova classe de passageiros - não o restrito mas rico grupo de pessoas que viajavam em comboios opulentos como o Expresso do Oriente, mas pessoas comuns que viajam a negócios e turistas com consciência climática.

 

É uma notícia animadora para o engenheiro da Siemens Paul Winkler, que desenvolve comboios há 27 anos e acreditava que nunca mais fabricaria outro vagão de comboio para a Europa Ocidental.

 

"Chegámos a um ponto em que pensei: acabou", afirmou. "As pessoas estavam a migrar para aviões e comboios diários de alta velocidade. As ligações mais baratas foram encerradas."

 

O serviço entre Zurique e Madrid foi descontinuado em 2013. As ligações entre Alemanha e Amesterdão, Dinamarca e Paris foram interrompidas em 2014. A italiana Trenitalia interrompeu o serviço Roma-Paris em 2015. Em 2016, a Deutsche Bahn encerrou as operações do seu comboio noturno, enquanto a SNCF de França deixou de operar uma dúzia de comboios noturnos. Isto deixou a Europa com comboios noturnos com mais de 30 anos, usados principalmente para rotas domésticas.

 

Agora, um pedido de 200 milhões de euros da austríaca Oesterreichische Bundesbahnen-Holding dá uma nova vida à Siemens. A OeBB, como é conhecida, não está apenas a reverter a tendência, mas também a aumentar o número de comboios noturnos.

 

Em 16 de dezembro, a Siemens começará a produzir 13 novos comboios noturnos para a OeBB na sua fábrica no distrito de Simmering, em Viena, onde os comboios são fabricados desde o boom ferroviário do século XIX no Império dos Habsburgos. Os comboios com o primeiro novo design em seis décadas estarão prontos para testes no fim do próximo ano. O pedido da companhia ferroviária estatal austríaca é o primeiro e único contrato da Siemens com uma empresa do setor na Europa Ocidental nos últimos 15 anos.

 

(Texto original: Not Exactly the Orient Express, But Europe’s Sleepers Are Back)




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