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Protesto dos trabalhadores afectou nove milhões de passageiros em dois anos

Foram dois anos turbulentos para os transportes públicos em Portugal. A guerra entre os trabalhadores, as empresas e o Governo, que parece agora ter fim à vista, afectou cerca de nove milhões de passageiros, segundo as contas do Negócios com base em dados fornecidos pela CP, Transtejo, Carris e Metro de Lisboa.

Bruno Simão/Negócios
Alexandra Noronha anoronha@negocios.pt 28 de Março de 2013 às 00:01
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A liderar as perdas estão as ferroviárias. "A estimativa de impacto directo na procura, calculada apenas com base em bilhetes não vendidos", foi de dois milhões de passageiros em 2011 e 2,8 milhões no ano passado, adiantou fonte oficial da transportadora.

O Metro de Lisboa, por sua vez, afirma que "em 2011 as greves tiveram impacto directo em cerca de 700 mil passageiros, em 2012 em cerca de 2,2 milhões e em 2013 em cerca de 435 mil".

A Carris foi menos afectada com as paralisações mas só em dois dias de greve geral a empresa perdeu 616 mil validações. "O impacto das greves na oferta do serviço programado foi relativamente reduzido, atingindo, como é natural, valores mais elevados nas duas greves gerais, com impactos de 30% e 58%, respectivamente", adiantou fonte da Carris. A empresa assegura cerca de 700 mil viagens por dia.

A travessia do Tejo, operada pela Transtejo e Soflusa, foi alvo de numerosas greves, afectando 374 mil passageiros entre 2011 e 2013.

É difícil estimar a receita que as empresas perderam com as paragens, mas atinge vários milhões de euros. A CP aponta 16,5 milhões de euros perdidos em 2011 e 2012. O Metro de Lisboa afirma que "um dia de receita de bilhetes vale, em média, cerca de 66,9 mil euros", que se perdeu "numa situação de paralisação total da circulação dos comboios (como foi o caso das três greves gerais e de duas greves do sector dos transportes)".

As greves constantes foram mais complicadas para a CP, que começou logo em 2010 a sofrer com os protestos dos ferroviários. "Em 2012, todos os dias do ano foram afectados por um qualquer pré-aviso de greve, total ou parcial, obrigando, nomeadamente, a um esforço acrescido de programação dos comboios no sentido de reduzir as supressões diárias", adiantou a mesma fonte da transportadora. A CP suprimiu 50 mil comboios em 2011 e 2012. No caso do Metro, em 2011 foram reduzidas 1.958 circulações, em 2012 as greves obrigaram a cortar 5.732 circulações e em 2013 foram suprimidas 1.077 circulações. "As horas não trabalhadas por motivos de greve em nos últimos dois anos estimam-se em 44 mil", adiantou fonte da transportadora.

Não foi possível obter os dados da STCP antes do fecho da edição. No caso do Metro do Porto o impacto foi pequeno porque a empresa, que é explorada por um privado, não registou uma adesão significativa.

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