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Sines pode ser destino da Rota da Seda do século XXI

Especialista chinês destacou importância do porto de Sines na ligação da China com a Europa e a África e sugeriu a sua inclusão na iniciativa de Pequim de reactivar a antiga Rota da Seda com um plano de infraestruturas.

Bruno Simão
Lusa 15 de Maio de 2016 às 09:41
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O conselheiro de política externa do Governo chinês, Lv Fengding, manifestou-se favorável à inclusão do porto de Sines na rota marítima da seda do século XXI proposta pela China.

"Portugal é um dos terminais da rota marítima da seda e o porto de Sines é importante para a ligação da China com a Europa e a África", disse Lv Fengding à Lusa, em Lisboa, onde se deslocou esta semana para apresentar a iniciativa "Uma Faixa e Uma Rota".

Com esta iniciativa, divulgada em 2013 pelo Presidente chinês, Xi Jinping, Pequim propõe um plano de infraestruturas que pretende reactivar a antiga Rota da Seda entre a China e a Europa através da Ásia Central, África e Sudeste Asiático.

Este plano, que inclui a construção de uma malha ferroviária de alta velocidade entre a China e a Europa, vai abranger 65 países e 4,4 mil milhões de pessoas, cerca de 60% da população mundial, segundo Pequim.

Lv Fengding disse que a iniciativa já suscitou o interesse de mais de setenta países e organizações internacionais e que "mais de trinta países assinaram acordos de cooperação relevantes com a China".

Assinalou também a constituição, em 2014, do Fundo Rota da Seda, de 40 mil milhões de dólares (35,3 mil milhões de euros).

"Esta é uma visão da China, feita para o bem de todos. Queremos que beneficie cada país e cada parceiro", disse Lv Fengding à Lusa.

Em Portugal, Lv Fengding visitou o porto de águas profundas de Sines, a sul de Lisboa, e proferiu uma conferência na sede da EDP – Energias de Portugal, que tem como maior acionista a empresa estatal chinesa de energia China Three Gorges Corporation (21,35% do capital).

Desde 2012, a China injetou mais de oito mil milhões de euros em Portugal, que é o quinto destino do investimento chinês na Europa, salientou Lv Fengding.

"Portugal já é parte da iniciativa. Será fácil as empresas chinesas e portuguesas trabalharem em conjunto nos vários campos, incluindo em projetos de infraestruturas, na cooperação financeira e em parceria com empresas de outros países de língua portuguesa", disse.

O diplomata chinês recordou que "Portugal foi um importante destino final da antiga Rota da Seda e desempenhou um papel importante na ligação entre a Ásia e a Europa".

Referiu também que Portugal e a China têm uma longa experiência de cooperação e resolveram "com sucesso a questão de Macau, dando um bom exemplo ao mundo".

Macau tornou-se uma Região Administrativa Especial da China em 20 de dezembro de 1999, segundo o princípio "um país, dois sistemas", que permite ao território manter as suas características próprias até 2049.

Em outubro de 2003, a China criou o Fórum Macau para coordenar a sua cooperação com os países de língua oficial portuguesa.

"Estamos abertos a discutir todas as formas de trabalharmos em conjunto nesta iniciativa", afirmou Lv Fengding.

O conselheiro do Governo chinês disse que "tudo está a decorrer sem problemas, incluindo conversações bilaterais entre a China e Portugal e entre as empresas dos dois lados".

Lv Fengding agradeceu o "esforço do Governo português em integrar" o Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas (BAII), a funcionar desde janeiro deste ano por iniciativa chinesa, no qual Portugal tem uma participação de cerca de 13 milhões de dólares (11,5 milhões de euros).

"Esta decisão constitui um grande apoio à ideia chinesa de criar esta iniciativa e a vontade de trabalhar em conjunto", comentou.

O BAII tem a China como maior accionista (29,78% do capital) e entre os 57 países fundadores estão 14 da União Europeia, incluindo Alemanha, França e Reino Unido, além de Portugal.

O Brasil é o nono maior acionista do BAII, com uma quota de 3.181 milhões de dólares (2.813 milhões de euros).

Às críticas de que Pequim pretende dominar a economia global com as suas iniciativas, Lv Fengding lembrou que a China continua a ter a "grande tarefa" de desenvolver a sua própria economia para retirar da pobreza cerca de 100 milhões de pessoas.

"Nos últimos 30 anos ou mais, a China desenvolveu-se muito bem e achamos que o mundo deve beneficiar do resultado desse desenvolvimento da China. Da mesma forma, se os outros tiverem um bom desenvolvimento, podemos beneficiar. (…) O sucesso de uns pode ser o sucesso dos outros", acrescento
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