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Taxistas dizem que Uber lhes "rouba" mais de 20% do negócio

A quebra da actividade dos taxistas está na origem do protesto agendado por este sector, que acusa a Uber de operar em Portugal de forma ilegal. Não há regulação da sua actividade, nem igualdade de condições e, por isso, não pode haver concorrência, dizem os responsáveis do sector.

Bloomberg
Rita Faria afaria@negocios.pt 28 de Abril de 2016 às 20:00
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Há uma guerra instalada entre taxistas e a Uber, a plataforma que liga passageiros a prestadores de serviços de mobilidade. Desde a sua entrada em Portugal, em Julho de 2014, a ANTRAL e a Federação Portuguesa do Táxi estimam que a empresa de origem norte-americana lhes tenha retirado mais de 20% do negócio.

"Em termos globais, estamos a falar de uma quebra do negócio de mais de 20%", aponta Carlos Ramos, presidente da Federação Portuguesa do Táxi.

Para Florêncio Almeida, presidente da ANTRAL, é difícil isolar o factor Uber, "porque também houve uma descida da actividade económica do país", mas a quebra "é certamente de 20 a 30%".

A diminuição da actividade dos taxistas está na origem do descontentamento do sector, que agendou para esta sexta-feira, 29 de Abril, uma marcha lenta de protesto contra a Uber, que deverá reunir, em Lisboa, cerca de quatro mil táxis. O protesto inicia-se às 09:00 no Parque das Nações e termina na Assembleia da República depois das 13:00. Para a mesma hora estão agendadas manifestações no Porto e em Faro.  

"Será a maior manifestação de táxis de sempre em Lisboa. Esperam-se 4.000 táxis em Lisboa, 1.550 no norte e 400 a 500 no Algarve", antecipa Carlos Ramos.

O responsável da Federação Portuguesa do Táxi explica que os profissionais do sector "não têm nada contra a plataforma", o problema "é que não existe regulação. Por essa razão, os taxistas e os motoristas da Uber "não operam nas mesmas condições". "Só em pé de igualdade é que pode haver concorrência", sintetiza.

Taxistas têm razão no protesto contra a Uber?

Taxistas querem evitar violência mas admitem que "as coisas possam fugir ao controlo"

Mas esta não é a primeira vez que os taxistas portugueses se manifestam nas ruas contra a actividade da plataforma nascida nos Estados Unidos. Em Setembro do ano passado, um protesto dos taxistas em Lisboa ficou marcado por confrontos violentos entre os manifestantes e aqueles que não aderiram ao movimento. Uma situação que os responsáveis das associações promotoras da marcha lenta não garantem poder evitar.

"Admitimos que alguma coisa possa fugir ao controlo mas esperamos que não", diz Carlos Ramos ao Negócios. "Estamos a aconselhar os colegas a não reagirem mas é muito difícil controlar toda a gente".

Florêncio Almeida quer mostrar que os taxistas são "pacíficos" e que "só estão a lutar pelos seus direitos". "Queremos pedir desculpa pelos transtornos mas as pessoas têm de compreender que, quando a justiça não funciona, é preciso fazer alguma coisa", refere.

O presidente da ANTRAL garante que, desde o protesto de Setembro, "nada mudou".  "Nada mudou desde o último protesto por inércia das autoridades. Nada se fez. A ANACOM já devia ter eliminado o site, mas nada fez. A Uber está a gozar com o país e com o Governo. Há uma conivência [das autoridades] que é inaceitável", sublinha o responsável.

Em entrevista à TSF, o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, admitiu que "é difícil dizer que a Uber vai parar" porque "funciona de forma desmaterializada". O ministro que tutela os táxis afiançou, contudo, que um grupo de trabalho para o sector da mobilidade vai apresentar conclusões sobre o tema até ao final do ano.


"O governo diz que é ilegal mas não faz nada. Dêem-nos as mesmas condições ou obriguem a Uber a cumprir as mesmas condições que nós", apela Carlos Ramos.

A Federação Portuguesa do Táxi espera que no protesto de Lisboa estejam presentes taxistas das cidades mais próximas, como Cascais, Montijo ou Seixal. A PSP prevê fortes condicionamentos na circulação rodoviária na cidade e aconselha a utilização de transportes públicos. A Carris e o Metro não terão, contudo, a sua operação reforçada.   

Uber dá conselhos aos clientes para contornar o caos

Prevendo fortes condicionamentos no trânsito nas cidades de Lisboa e do Porto, a Uber está a enviar e-mails aos seus clientes com conselhos para evitarem o caos.

 

"O acréscimo de pedidos de viagens Uber e as dificuldades de circulação nas cidades poderão limitar a disponibilidade de veículos em certos períodos, e poderão prolongar o tempo de circulação dos veículos nas cidades - tanto o tempo de chegada do motorista até si, como a duração da própria viagem", informa Uber, na mensagem destinada aos seus clientes.

 

Para evitar maiores transtornos na circulação, a Uber aconselha os utilizadores da plataforma a partilharem a sua viagem e a contactarem o motorista caso esteja a demorar mais tempo do que o normal. "Um breve telefonema pode ajudar a esclarecer a situação e ajustar expectativas quanto ao tempo que este levará a chegar até si", adverte a empresa. 

Ainda assim, a Uber aconselha os utilizadores dos seus serviços a evitarem as zonas de protesto para garantir a segurança e rapidez das viagens.

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