Transportes Transportadoras dizem que não vão assistir "imóveis" ao aumento dos combustíveis

Transportadoras dizem que não vão assistir "imóveis" ao aumento dos combustíveis

Onze associações uniram-se para mostrar o seu "total desacordo" com as medidas contida no Orçamento do Estado que "atacam ferozmente" o sector.
Transportadoras dizem que não vão assistir "imóveis" ao aumento dos combustíveis
Reuters
André Cabrita-Mendes 12 de fevereiro de 2016 às 15:40

Depois de várias críticas avulso, várias associações do sector do transporte rodoviário e da logística uniram-se para criticar o Governo. Dizem assim que estão em "total desacordo" com as medidas do Orçamento do Estado que "atacam ferozmente a economia transportadora e exportadora".

"O sector dos transportes não pode assistir imóvel a este enorme ataque à capacidade de as empresas subsistirem, cumprindo a sua função económica e social", pode ler-se no comunicado divulgado esta sexta-feira, 12 de Fevereiro.

"O sector não deixará de lutar por todos os meios legítimos, pela sua sobrevivência", dizem as associações, entre as quais se encontram a Associação Nacional de Transportes Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM), Confederação do Comércio e Serviços (CCP) e a Associação Nacional das Transportadoras Portuguesas (ANTP).

Olhando para o futuro, alertam das "consequências terríveis" que estas medidas vão ter na competitividade externa por não diferenciarem o "transporte profissional do particular".

A tomada de posição conjunta do sector surge no mesmo dia da entrada em vigor do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP), depois da portaria ter sido publicada ontem em Diário da República.

As petrolíferas já vieram a público dizer que não foram avisadas com antecedência da entrada em vigor do ISP, pelo que os valores de venda ao público ainda não estão a reflectir a subida.

Várias críticas ao Orçamento do Estado


As transportadoras começam por apontar que o aumento de seis cêntimos por litro no ISP "constitui uma sobrecarga desproporcional" juntando-se aos agravamentos fiscais desde o ano passado, como o "aumento da contribuição rodoviária, a taxa de carbono e o aumento dos biocombustíveis".

Sublinham que um dos pricipais custos de produção das empresas de transporte é o combustível, pelo que este acréscimo terá um "aumento significativo nos custos das empresas".

Sobre a reintrodução do benefício fiscal para aliviar o aumento do preço dos combustíveis nos sectores de transportes de mercadorias e passageiros, dizem que esta medida é de "reduzida aplicabilidade e duvidoso resultado".

E apontam que no Orçamento do Estado "consta apenas a intenção" de reintroduzir a majoração com os custos dos combustíveis, uma medida que já foi consagrada em 2009 e 2012 e que "nunca produziu os efeitos pretendidos".

Também deixam críticas ao aumento de 25% sobre o Imposto sobre Veículos (ISV) que sofreu um agravamento de 25% e ao "aumento significativo do Imposto Único de Circulação". Subidas que se vão repercutir nas empresas do sector, mas também dos "demais cidadãos, através de maiores custos das mercadorias transportadas e do desemprego gerado".


Taxistas apanhados de surpresa

Já os taxistas mostraram-se surpreendidos por o Governo ter aumentado o ISP antes da aprovação do Orçamento do Estado. A Federação Portuguesa do Táxi (FPT) veio hoje a público dizer que o Governo "não foi simpático" neste aumento, que consideram precoce.

"Tínhamos noção do aumento, e pensávamos que só seria depois do Orçamento do Estado", disse Carlos Ramos à agência Lusa.

"O sector está a perder", aponta a FPT, pois o "gasóleo já está a ser vendido a preço superior, e a Assembleia da República não se pronunciou sobre majoração dos transportes".




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