Transportes Transporte "expresso" fica mais barato mas pode desaparecer no interior do país

Transporte "expresso" fica mais barato mas pode desaparecer no interior do país

Luís Cabaço Martins alerta para a concorrência que o serviço de transporte "expresso" passará a ter com empresas como a FlixBus, que podem pressionar de tal forma uma redução dos preços nas linhas rentáveis que os operadores tradicionais deixem de conseguir fazer a compensação dos serviços que não lhes dão lucro.
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Maria João Babo Rosário Lira 07 de dezembro de 2019 às 21:00

O liberalização do transporte rodoviário "expresso" passou este mês a ser uma realidade. Em entrevista ao Negócios e Antenas 1, Luís Cabaço Martins, presidente da ANTROP - Associação Nacional de Transportes de Passageiros e administrador do grupo Barraqueiro, diz não recear a concorrência mas avisa para o risco de acontecer em Portugal o se passou em França e Alemanha, com a entrada no mercado de players com um modelo  de negócio de plataforma digital, que "não tem autocarros, não tem motoristas" e de que o principal exemplo é a Flixbus.

 
Naqueles países, explica, "houve uma entrada fortíssima do ponto de vista de marketing, reduziram muito os preços. Fizeram preços anormalmente baixos, abaixo do custo. Durante vários anos, os grandes grupos alemães, franceses aguentaram, dois, três anos, depois desistiram, porque estavam a perder dinheiro e acabaram por sair de mercado. A Flixbus ficou sozinha e aumentou preços e reduziu oferta".

Nesse sentido, salienta que o que pode vir a acontecer com a Rede Nacional de Expressos "é haver circuitos que deixem de ser feitos", caso não consigam que as linhas rentáveis continuem a suportar as não rentáveis.

Segundo Cabaço Martins, a entrada da Flixbus vai pressionar os preços e obrigar a uma redução do valor do bilhetes nas linhas mais rentáveis. No entanto, as empresas tradicionais, para compensar essa redução de preço, terão de deixar de viajar para o interior onde, com menos utilizadores, não conseguem ter lucro.

E, garante, os novos operadores não vão ter interesse em fazer a cobertura das zonas do interior, porque não é rentável. Em França e na Alemanha, disse, deixaram de ser cobertas cidades abaixo de 100 mil habitantes, o que em Portugal signffica todo o interior do país.  

"A intenção da Rede de Expressos não é reduzir. Mas se se verificar uma concorrência só nas linhas rentáveisque leve a que se baixe de tal forma a rentabilidade que a Rede de Expressos passe a ficar desequilibrada, é natural que circulações que fazemods hoje para Beja, Bragança ou Vila Real, deixemos de fazer", afirmou.




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