Transportes Zeca Afonso e Gipsy Kings juntam-se aos taxistas contra a Uber

Zeca Afonso e Gipsy Kings juntam-se aos taxistas contra a Uber

A marcha lenta dos taxistas arrancou com mais de 20 minutos de atraso mas junta mais de três mil carros. O cancioneiro distribuído aos taxistas tem uma música dos Gipsy Kings.
Zeca Afonso e Gipsy Kings juntam-se aos taxistas contra a Uber
Bruno Simões
Bruno Simões 29 de abril de 2016 às 11:02

"Oh Uber, oh oh, Oh Uber, oh oh oh oh. Não actues de forma ilegal. Queremos os táxis em Portugal!". Não há dúvidas: os taxistas estão esta manhã em protesto contra a plataforma Uber e, em Lisboa, o cancioneiro que foi distribuído inclui uma música dos Gipsy Kings, adaptado aos tempos modernos da luta entre táxis e motoristas que são chamados por uma aplicação de telemóvel. Também foi adaptada a música de Zeca Afonso, "Vampiros", para criticar a falta de acção do Governo contra a Uber.


Na capital, a marcha arrancou com um atraso considerável. Os carros começaram a mover-se às 9:22, bem depois das 9:00 inicialmente previstas e um pouco mais tarde do que as 9:15 entretanto definidas no local como hora para arrancar.

Em declarações ao Negócios, Florêncio Almeida, presidente da Associação Nacional de Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (Antral), a estimativa é que tenham partido da rotunda junto do Campus de Justiça "pelo menos três mil carros, a fazer fé nas informações transmitidas pela polícia". Além disso, "vão juntar-se pelo menos 500 colegas no aeroporto".

Os taxistas adaptaram músicas dos Gipsy Kings e Zeca Afonso para o protesto desta sexta-feira.
Os taxistas adaptaram músicas dos Gipsy Kings e Zeca Afonso para o protesto desta sexta-feira.

No aeroporto os táxis pararam durante vários minutos, provocando um engarrafamento nos carros de aluguer que estão impedidos de se fazer à estrada. O que tem sido, aliás, uma constante ao longo da marcha. Mais do que lenta, tem sido uma marcha constantemente parada. À cabeça do protesto segue um táxi com megafones, mas no meio da coluna, o que se ouve são essencialmente as buzinas dos veículos.

Os táxis estão quase todos enfeitados com bandeiras com as inscrições "Não à Uber" e "Uber Ilegal é Roubo Nacional", que têm sido distribuídas ao longo da marcha por uma estrutura fortemente organizada ligada à Antral e à Federação Portuguesa do Táxi. Várias pessoas ligadas à organização da marcha asseguram que os carros estão a circular quando é preciso, e que o material de propaganda que é entregue é efectivamente usado. Um deles diz para um colega: "Isso é para colar mesmo, está bem?".

Na rotunda do Relógio, vários elementos obrigaram os taxistas a sair de dentro dos carros e a ir para a bomba de gasolina. Entretanto chegaram dois cavalos, não se sabe se trazidos por membros da organização. O objectivo é "bloquear isto tudo, atravancar a rotunda", explica um dos taxistas, Agostinho Dias.

O Negócios está a acompanhar a marcha num Mercedes E220 do senhor Agostinho Carvalho, de 69 anos, um taxista reformado há quatro anos que quis juntar-se hoje à marcha para defender os direitos da classe. "A Uber faz concorrência desleal, não pratica preços fixos e esta marcha serve para as pessoas perceberem a falta que os táxis fazem", justifica.

O taxista explica que "há fortes instruções para que se evitem confrontos e violência" com condutores da Uber.

Esperava-se que a manifestação chegasse à Assembleia da República às 13:00, mas muito dificilmente chegará antes das 14:00, comenta-se.




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