Turismo & Lazer A Rosa-dos-Ventos está em risco

A Rosa-dos-Ventos está em risco

Uma lona preta está desde o nascer do sol a tapar a Rosa-dos-ventos, que ornamenta o terreiro de acesso ao Padrão dos Descobrimentos. A medida pretende chamar a atenção para o impacto que as bicicletas, skates, patins, trotinetes e outros veículos estão a ter naquela obra, inaugurada em 5 de agosto de 1960.
Filipa Lino 27 de setembro de 2019 às 07:30

Em Lisboa a arte e o património também estão no chão. Um dos mais belos exemplos disso é a Rosa-dos-Ventos, em frente ao Padrão dos Descobrimentos. Mas a obra de Cristino da Silva, executada em cantaria de calcário liós negro e vermelho, está a ficar degradada por causa das bicicletas, skates, patins, trotinetes e outros veículos que sobre ela circulam, apesar de ser proibido.

 

Para chamar a atenção para este problema, que se agravou com a pressão turística na capital, durante toda esta sexta-feira, até ao pôr do sol, o planisfério de pedra onde estão as principais rotas da expansão portuguesa entre os séculos XV e XVI vai estar tapado com uma lona preta.

 

Trata-se de "um ato simbólico", diz Margarida Kol de Carvalho, diretora do Padrão dos Descobrimentos. "A nossa ação é sobretudo para chamar a atenção, porque este é um património que queremos passar para as gerações futuras".  

 

O objetivo é "cuidar", garante, não é "alarmar, nem afastar as pessoas". Esta é uma zona pensada para ser pedonal. Inaugurada em 5 de agosto de 1960, a Rosa-dos-Ventos foi desenhada no ateliê do arquiteto Luís Cristino da Silva e oferecida a Portugal pela República da África do Sul. A obra foi restaurada em 1994, quando Lisboa foi Capital Europeia da Cultura.

 

Quem ali chegar hoje vai ter informação sobre esta ação "pedagógica" e os vários operadores de bicicletas, trotinetes e outros veículos foram sensibilizados a ajudar no sentido de dissuadirem os utilizadores de circularem naquele espaço à beira Tejo.

 

Está a ser estudado com a autarquia o reforço da sinalização do perímetro de proibição fixado "que já existe, mas não é muito visível" e "na maior parte das vezes não é respeitado", diz Margarida Kol de Carvalho, e também o afastamento do estacionamento e disponibilização desses veículos para uma zona mais afastada do monumento. "Pedimos que cada um faça a sua parte e nos ajude a preservar", apela.  

 




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