Turismo & Lazer Barrosinha renasce após falência de um PIN “rural chique” de 600 milhões

Barrosinha renasce após falência de um PIN “rural chique” de 600 milhões

A Herdade da Barrosinha, em Alcácer do Sal, que viu falir um projeto de hotéis de cinco e quatro estrelas, duas mil casas e campo de golfe, empregando 1.600 pessoas, foi parar ao maior fundo português de recuperação, que inaugura agora investimento de cinco milhões de euros.
Rui Neves Cláudia Brandão 14 de novembro de 2019 às 18:06

Barrosinha Nature Farm Resort era o nome de um gigante empreendimento turístico que, em 2009, recebeu o selo de Projeto de Interesse Nacional (PIN), com um investimento orçado em 600 milhões de euros, a realizar na Herdade da Barrosinha, numa área de dois mil hectares, no concelho de Alcácer do Sal, junto ao rio Sado.

 

Em 12 anos, ali deveriam nascer, entre muito outros equipamentos, um hotel de cinco estrelas com 150 quartos, um quatro estrelas com mais 80 quartos, 11 aldeamentos turísticos de quatro estrelas, com cerca de dois mil fogos, num total de oito mil camas, e um campo de golfe com 18 buracos.

 

Tratava-se de um projeto "rural chique", como foi apresentado pela promotora, que pertencia ao empresário Simão Soares da Costa.

 

O plano de urbanização da Herdade da Barrosinha ainda viria a ser aprovado pela Câmara de Alcácer do Sul, em março de 2011, mas o projeto Barrosinha Nature Farm Resort não resistiu à falência do seu promotor.

 

A banca credora acabou por colocar a empresa proprietária do ativo no fundo FLIT - Fundo Lazer, Imobiliário e Turismo, que gere dezenas de ativos imobiliários e turísticos que deixaram um rasto de dívidas nos bancos, e que é gerido pela ECS Capital, a maior gestora de fundos de recuperação de empresas em Portugal.

 

Dez anos depois do anúncio do falido Barrosinha Nature Farm Resort, a Companhia Agrícola da Barrosinha, que detém a herdade e pertence ao FLIP, dá seguimento a um projeto muito mais modesto.

 

Esta quinta-feira, 14 de novembro, é inaugurado um hotel de quatro estrelas, fruto da requalificação da estalagem que ali havia.

 

Já não são 17 quartos, mas 37, além de ginásio, sala de reuniões, salão adaptado para eventos, piscina exterior para adultos e crianças, com bar de apoio (sazonal), e parque de estacionamento privado e exterior.

 

"O projeto anterior não foi concretizado por falência do seu proprietário", relembra Carlos Trindade, administrador da Companhia Agrícola da Barrosinha, em declarações ao Negócios.

 

Com este volte face, em 2012 a empresa teve que "repensar o projeto central, com densidades diferentes, não tão ambicioso e adaptado à procura do mercado", assume o gestor.

 

O projeto atual é uma fatia de um bolo de investimento de cinco milhões de euros, que incluiu a abertura de seis unidades de alojamento, resultantes da recuperação de casas na aldeia da Barrosinha e que custaram 300 mil euros, além da requalificação de uma taberna, onde foram investidos 100 mil euros.

 

Ciente de que a realidade atual da Herdade da Barrosinha é muito diferente da de 2009, Carlos Trindade diz que a prioridade é "reabilitar as atividades que estavam fechadas desde 2012".

 

A Companhia Agrícola da Barrosinha, fundada em 1947, também se dedica à produção de vinho, gado bovino, arroz, cortiça, pinha e caça, empregando 60 pessoas.

 

Com uma faturação na casa do milhão e meio de euros – "apenas da atividade agrícola" –, a Companhia Agrícola da Barrosinha espera que a aposta mais forte no turismo faça com que o número cresça para os "dois milhões de euros em 2020", estima Carlos Trindade, prevendo que, nos próximos dois a três anos, sejam criados dois aldeamentos turísticos.




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