Turismo & Lazer Crescimento do turismo no Porto não significa empregos fixos ou aumentos salariais

Crescimento do turismo no Porto não significa empregos fixos ou aumentos salariais

O aumento do número de turistas no Porto fez disparar a necessidade de contratar mais pessoas para os restaurantes, hotéis ou caves de vinho, mas isso não significa necessariamente empregos fixos ou salários mais altos.
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Lusa 28 de agosto de 2015 às 08:54

"Existe um grande paradoxo: 2013 foi o melhor ano turístico de sempre, 2014 foi melhor e 2015 vai ser ainda melhor, contudo o patronato continua a apostar na desvalorização, desregulamentação e falta de condições de trabalho, congelamento salarial e baixos salários, pondo em causa Portugal como destino turístico de qualidade", disse à Lusa o presidente da direcção do Sindicato dos Trabalhadores da Hotelaria do Norte.

 

Segundo Francisco Figueiredo, o aumento do emprego no sector nesta época de verão refere-se a trabalho precário, a tempo parcial, sem direitos e com salários miseráveis, além de desmotivante, porque se praticam horários de 10 a 14 horas diárias sem pagamento de trabalho suplementar.

 

O aumento das taxas de ocupação e o crescimento do número de dormidas no Porto fazem com que haja maior necessidade de recorrer a trabalhadores temporários que, agora, deixaram de ser jovens e estudantes para serem pessoas mais velhas, desempregados de longa duração ou sem formação no sector.

 

Na opinião do dirigente sindical, há um "aumento da exploração laboral" com trabalhos sazonais que não dão futuro, tanto que, mais tarde, quem os ocupa emigra ou arranja outra actividade.

 

O proprietário do restaurante Taberna do Manel, no Cais de Vila Nova de Gaia, Porto, que nesta altura do ano duplica o número de funcionários até Outubro, referiu à Lusa que há muitas pessoas à procura de empregos sazonais, mas sem formação específica na área.

 

"Há muita dificuldade em arranjar gente competente, porque o importante não é só saber falar línguas para entender os turistas, mas ter `know-how´ no sector", afirmou Manuel Carvalho. 

 

Por seu lado, o responsável pelo estabelecimento Bacalhoeiro frisou que o aumento de turistas reduziu os períodos de época baixa e permitiu estabilizar a equipa de trabalho.

 

Vítor Conde não emprega ninguém de forma temporária porque não tem necessidade, mas revelou haver imensa procura. 

 

Andar de barco pelo rio Douro é passeio obrigatório para os turistas e, no verão, quem os recebe e anima são, essencialmente, jovens estudantes ou à procura do primeiro emprego.

 

"Nesta altura do ano admitimos novas pessoas para fazer de guias turísticas, vender bilhetes ou estar no bar dos barcos", contou a responsável pelo departamento de vendas da Rota do Douro, Sandra Sobral.

 

Se o verão é sinónimo de férias para muitos, para Cintya Belmondo, de 19 anos e com curso profissional, a época é de trabalho.

 

"Faço de guia nos barcos, mas sei que é um emprego temporário e já me mentalizei disso, mas é bom estar ocupada estes meses porque ganho para as minhas coisas", disse.

 

As Caves de Vinho do Porto são outro ponto de referência e, aqui, também a procura é maior do que a oferta.

 

"Duplicamos a nossa equipa de trabalho de maio a Outubro", salientou a assistente de comunicação da Casa Ramos Pinto.

 

Ema Rodrigues frisou que a formação ou idade não é factor eliminatório porque surgem pessoas com diferentes perfis, valorizando-se colaboradores com boa postura e apresentação, que dominem línguas e sejam comunicativos, porque lidam com público o dia todo. 




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