Turismo & Lazer Gestora do grupo Mello vende Tivoli Oriente a tailandeses por 38,5 milhões

Gestora do grupo Mello vende Tivoli Oriente a tailandeses por 38,5 milhões

Os tailandeses da Minor adquiriram o imóvel que alberga o Tivoli no Oriente, em Lisboa. Mas o pagamento foi feito à Selecta, gestora de fundos de investimento imobiliário da família Mello. Os restantes hotéis do antigo GES estão congelados pelos tribunais.
Gestora do grupo Mello vende Tivoli Oriente a tailandeses por 38,5 milhões
Brno Simão
Diogo Cavaleiro 02 de outubro de 2015 às 20:02

O Hotel Tivoli Oriente, em Lisboa, foi vendido. Mas o imóvel não pertence à empresa do antigo Grupo Espírito Santo. Os 38,5 milhões de euros vão ser recebidos pela Selecta, a gestora de fundos que pertence à família Mello.

 

A Minor já adquiriu quatro imóveis à Tivoli SA em Janeiro de 2015. É o grupo que, no âmbito do Processo Especial de Revitalização, tem um acordo para ficar com toda aquela empresa. Contudo, o acordo ainda não está finalizado devido a travões colocados nesse processo. O que não impediu que adquirisse mais um imóvel. Como?

 

Já estava previsto que este Tivoli Oriente passasse para as mãos da Minor. Mas, mais uma vez, apenas o imóvel, já que a gestão hoteleira continua a ser assegurada pela Tivoli.

 

O anúncio da operação foi publicado num comunicado do grupo tailandês Minor: 38,5 milhões de euros, pagos no âmbito da "estratégia de expansão da carteira hoteleira da Minor". A transacção, a 1 de Outubro de 2015, teve como vendedor a Imosocial, um fundo de investimento imobiliário fechado. O fundo pertence à Selecta, gestora de fundos da propriedade da família Mello, sendo liderada por António José de Mello.

 

A Minor já tem na sua carteira os hotéis Tivoli Lisboa, Marina Vilamoura, Carvoeira e Marina Portimão, comprados em Janeiro deste ano, ao mesmo tempo que dois hotéis em Salvador da Bahia e São Paulo, no Brasil. Nesse caso, tinham sido adquiridos à gestora do Novo Banco GNB Gestão de Activos. A operação foi avaliada em 168 milhões. Já haveria, pouco depois desta altura, acordo para a compra do Tivoli Oriente mas só agora foi anunciado. 

 

Os travões ao PER

 

Entretanto, o grupo Minor propõe-se a adquirir a Tivoli no âmbito do PER da empresa – o plano que a empresa colocou nos tribunais para chegar a acordo e, assim, recuperar-se. Um processo aprovado pelos credores mas que, neste momento, está parado, o que dificulta a transacção da empresa. A Tivoli SA está em PER mas a Caixa Económica Montepio Geral colocou um processo que impede a sua venda. E porquê? Por conta do PER da sua antiga accionista Espírito Santo Hotéis.

 

A Espírito Santo Hotéis foi para a insolvência, com 106 milhões de euros em dívidas reclamadas. 60 milhões de euros eram devidos ao Montepio – que considerava que aquela dívida estava garantida pelas acções da Tivoli SA. O tribunal não reconheceu essa pretensão do grupo financeiro.

 

Com a ES Hotéis em insolvência, o Montepio quis travar o PER da Tivoli SA. E, neste momento, esse aspecto está a travar a solução de venda da empresa hoteleira aos tailandeses.

 

Além disso, também há arresto de bens no Grupo Espírito Santo que ainda não foi possível perceber até que ponto afecta o grupo Tivoli. A empresa não pode fazer comentários sobre os processos em tribunal.

 

Para o antigo presidente executivo da Tivoli, que saiu em Junho, "este plano, que decorre das negociações havidas com os principais credores e com o investidor Minor Hotel Group, assegura a sustentabilidade e o desenvolvimento futuro da marca e do negócio da Tivoli, salvaguardando o melhor interesse dos credores, dos parceiros comerciais e dos colaboradores da Tivoli Hotels and Resorts".

A Tivoli esteve para ser vendida mesmo no início de 2014 mas a crise no Grupo Espírito Santo impediu a sua concretização.




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