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Já há "low cost" para os Açores com a farpa a ficar para a TAP

Sérgio Monteiro garante que o retorno para a região será de mais 100 milhões de euros com a entrada das "low cost". O líder do Governo não comentou o número. A TAP foi o alvo das críticas.

Correio da Manhã
Wilson Ledo wilsonledo@negocios.pt 30 de Março de 2015 às 10:54
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"Ainda antes de haver privatização da TAP, está já a TAP a faltar às obrigações que lhe foram definidas pelo seu accionista". Directo à ferida, Vasco Cordeiro não poupou nas palavras no dia em que se celebrava o primeiro voo liberalizado para o arquipélago, neste domingo, 29 de Março.

 

Se houvesse dúvidas, o presidente do Governo regional açoriano concretizou: "seria desleal para com a minha consciência se não desse conta pública de um lamento e de uma incompreensão da minha parte: o facto de a TAP ter abandonado as rotas do Faial e do Pico" - situação que deixa a transportadora nacional nas mesmas circunstâncias das companhias "low cost".

 

Vasco Cordeiro acusou a TAP de "ainda como empresa pública, faltar a um compromisso e a uma orientação que o Conselho de Ministros de 15 de Janeiro lhe havia dado", definindo obrigações nas rotas de serviço público para os Açores.

 

A ouvir a lamentação, Sérgio Monteiro. O secretário de Estado dos Transportes tinha destacado, pouco antes no seu discurso, as vantagens da entrada das "low cost" na região: "mais 100 milhões de euros de impacto positivo só por esta medida", tendo em conta estadias médias de 3 a 4 dias.

 

Monteiro não quis discutir "a paternidade", porque se todos querem os louros "só quer dizer que a medida é boa". Mas deixou a certeza: só o Governo da República tem o poder de liberalizar o espaço aéreo. A partir do momento em que se retira essa barreira administrativa, "estamos ao alcance dos nossos sonhos".

 

Entre os dois políticos, de cores diferentes na esfera partidária, há acordo que este é um "marco" histórico para a região, após três anos e meio de negociações. O novo modelo tem "coragem para conciliar as realidades de proteger os açorianos, com o valor máximo por cada bilhete vendido, e uma maior abertura do mercado", posicionou Sérgio Monteiro.

 

Com as novas obrigações de serviço público, os residentes não poderão pagar mais de 134 euros por uma deslocação ao continente. Sempre que o bilhete ultrapasse esse valor, será atribuído um subsídio social de mobilidade para colmatar a diferença. Nesse sentido, estão previstos 16 milhões de euros para indemnizações compensatórias.

 

Sérgio Monteiro quer evitar "cenários catastrofistas" e acredita que o valor definido será suficiente. O secretário de Estado aponta o motivo: "os residentes e os estudantes são uma fatia pequena". O valor de alguns bilhetes chegou a escalar até aos 500 euros na primeira rota liberalizada - o que poderia significar uma pressão adicional nas contas públicas sobre os subsídios a atribuir.

 

Aos jornalistas, o secretário de Estado relembrou que há agora voos a 30 euros e que SATA e TAP anteciparam a liberalização com preços mais baixos. Para o responsável, a atribuição de um tecto máximo no valor do bilhete não seria uma solução viável.

 

À procura de um futuro mais folgado fica a SATA. Sérgio Monteiro preferiu não tecer comentários muito alongados, mas assegurou que "uma região não pode ser prejudicada para beneficiar uma determinada empresa", "mesmo que essa empresa esteja dependente dos Governos".

 

Para Monteiro, o novo plano de reestruturação da SATA, fixado até 2020, "é já um bom exemplo daquilo que é uma especialização nos mercados mais fortes", estando previsto o reforço do papel da companhia açoriana nas ligações à diáspora.

 

Nesse espaço temporal, e perante um cenário liberalizado, a SATA terá de reduzir a sua dívida de 179 para 40 milhões de euros. Vasco Cordeiro recordou que a transportadora tem "desafios acrescidos" para esta nova fase, embora realçando sempre o "papel imprescindível" da transportadora regional.

 

"Hoje aterrei nos Açores e o sentimento é bem diferente. Hoje respira-se confiança", contou Sérgio Monteiro. O líder açoriano foi mais cauteloso: "este é um ponto de partida que vai exigir muito da parte de todos. É tempo de esperança e muito trabalho".

 

Por isso mesmo, o presidente do Governo Regional anunciou a necessidade de remodelar o modelo de divulgação turística dos Açores, rumo a uma promoção mais integrada de todas as ilhas. O sonho já tem asas. Basta fazê-lo voar na direcção certa.

 
Easyjet foi a primeira a chegar

Pouco depois das nove da manhã fazia-se história. Um A320 com 172 passageiros a bordo chegava ao aeroporto de Ponta Delgada com a EasyJet. "Era um dia ansiado há bastante tempo", contou o director comercial da companhia, José Lopes.

 

Após mais de três anos em negociações para que "a barreira caísse", a vontade é a de reforçar posição em território açoriano. José Lopes acredita que não será difícil quebrar o tabu das "low cost" num mercado que esteve fechado até agora. "Estamos habituados a trabalhar em concorrência, seja com quem for", referiu.

 

O responsável não descarta novos percursos entre os Açores, continente e outras cidades europeias. Tal ficará a depender da consolidação da rota Lisboa-Ponta Delgada. Por sua vez, a Ryanair passa a voar a partir de Ponta Delgada no próximo dia 1 de Abril, com ligações diárias a Lisboa e Porto e uma semanal a Londres.

* Jornalista nos Açores a convite da EasyJet

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