Turismo & Lazer Tivoli: A “jóia” hoteleira dos Espírito Santo agora é tailandesa

Tivoli: A “jóia” hoteleira dos Espírito Santo agora é tailandesa

É o capítulo final de um negócio que levou mais de um ano a fechar. Entre obstáculos e justiça. O acordo com o Hotel Minor Group é anunciado oficialmente a 2 de Fevereiro.
Tivoli: A “jóia” hoteleira dos Espírito Santo agora é tailandesa
Brno Simão

Faltavam sete hotéis para que a marca hoteleira Tivoli passasse em definitivo para mãos tailandesas. O Minor Hotel Group anuncia esta terça-feira, 2 de Fevereiro, o final do negócio. A factura: 294 milhões de euros.

O "namoro" começou logo em 2013. Contudo, a crise em sociedades de topo do Grupo Espírito Santo impediu que a operação se concretizasse. Foi só após o colapso do grupo no Verão do ano seguinte que o negócio começou a ganhar força.


Quando chegou ao mercado, o grupo hoteleiro chegou a receber 16 propostas. Foram sendo eliminadas, fase a fase, até que não houvesse volta a dar: o Minor Hotel Group ficaria com a "jóia" hoteleira dos Espírito Santo.


Catorze unidades. Três mil quartos. Tudo quatro e cinco estrelas. A cadeia fundada em 1933 significaria uma dupla porta de entrada no grupo tailandês: para a Europa e para o Brasil, país onde se estreou em 2006.


Janeiro de 2015
tornava pública a maior fatia deste acordo. O Minor Hotel Group aceitou pagar 168 milhões de euros pelos hotéis e operação no Brasil e por quatro imóveis em Portugal: Tivoli Lisboa, Marina Vilamoura, Marina Portimão, Carvoeiro.


Estes eram considerados os principais activos do grupo – antes integrados na "holding" insolvente Rioforte - que abriam assim margem para o controlo da restante rede. Em Outubro, os tailandeses juntavam ao catálogo o Tivoli Oriente, no Parque das Nações, pagando mais 38,5 milhões de euros.

calendário
Um ano de interesse tailandês

Janeiro de 2015: aquisição da operação no Brasil e quatro imóveis em Portugal por 168 milhões de euros. Nesse mês, a Tivoli Hotels & Resorts solicitou um Processo Especial de Revitalização.

Junho de 2015: proposta de 82,5 milhões de euros para o controlo da cadeia hoteleira e compromisso de assumir o passivo superior a 60 milhões de euros.


Outubro de 2015: aquisição do Tivoli Oriente por 38,5 milhões de euros.


Dezembro de 2015: levantamento do arresto dos bens da Tivoli Hotels & Resorts pela justiça portuguesa.


Fevereiro de 2016: aquisição dos restantes sete activos em Portugal e fecho do negócio.


Uma difícil "história de amor"

Mas esta não foi uma "história de amor" simples. Bem pelo contrário. Processo Especial de Revitalização, arresto de bens, acção do Montepio, saída do CEO. Houve um pouco de tudo ao longo deste caminho.

Mesmo com estes obstáculos, os tailandeses nunca voltaram atrás nas suas intenções: em Junho decidiram avançar com uma proposta de 82,5 milhões de euros e o compromisso de assumir o passivo acima dos 60 milhões de euros.


Em Janeiro do último ano, a subsidiária da Rioforte – a Tivoli Hotels & Resorts – tinha avançado com um Processo Especial de Revitalização para evitar processos judiciais e acordar a salvação com os 822 credores, que reclamavam um valor total reconhecido de 176 milhões. Os mesmos acabaram por dar "luz verde" à proposta tailandesa.


Os obstáculos foram-se removendo. Primeiro o Montepio, que reclamava 60 milhões de euros à Espírito Santos Hotéis. Depois, o arresto de bens, levantado em Dezembro. Os trabalhadores acabaram mesmo por pedir aos tribunais "a resolução rápida" do plano de recuperação da empresa.


No entretanto, a cadeia hoteleira perdeu o CEO. Alexandre Solleiro acabaria por ser substituído internamente pelos administradores Ana Paula Marcelo e Filipe Santiago.


Fecha-se aquela que é a maior operação do género em Portugal no ramo da hotelaria. O Minor Hotel Group, liderado por Dillip Rajakarier, optou por manter a histórica marca Tivoli no seu catálogo, juntando-a a referências mundiais como Four Seasons, Marriott, St. Regis ou Radisson Blu.

O antigo negócio hoteleiro dos Espírito Santo está agora numa rede com mais de uma centena de hotéis em todo o mundo.

catálogo
O que fica agora nas mãos do Minor Hotel Group?

Tivoli Lisboa (Lisboa)

Tivoli Jardim (Lisboa)

Tivoli Oriente (Lisboa)

Tivoli Sintra (Sintra)

Tivoli Palácio de Seteais (Sintra)

Tivoli Coimbra (Coimbra)

Tivoli Marina Portimão (Algarve)

Tivoli Martina Vilamoura (Algarve)

Tivoli Carvoeiro (Algarve)

Tivoli Lagos (Algarve)

Tivoli Victoria Vilamoura (Algarve)

The Residences at Victoria Clube de Golfe (Algarve)

Tivoli Ecoresort Praia do Forte (Brasil)

Tivoli São Paulo – Mofarrej (Brasil)




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