Turismo & Lazer Turismo internacional começa a sentir efeitos do vírus Zika

Turismo internacional começa a sentir efeitos do vírus Zika

A TAP e as agências de viagens portuguesas ainda não tiveram cancelamentos de deslocações para as zonas afectadas pela doença. Mas já há companhias a permitir o reembolso de bilhetes ou a alteração das datas dos voos.
Turismo internacional começa a sentir efeitos do vírus Zika
Miguel Baltazar/Negócios
Ana Serafim 27 de janeiro de 2016 às 19:57

A indústria do turismo já está a reagir à proliferação do vírus Zika, que afectou milhares de pessoas em 23 regiões nas Américas e que tem sido associado ao surgimento de múltiplos casos de microcefalia em recém-nascidos.

Com o rápido aumento do número de infectados devido à piscada do mosquito que transmite a doença, companhias de aviação, hotéis e operadores de cruzeiros com actividade ou ligações às Caraíbas e América Latina enfrentam o receio crescente dos turistas, noticia esta quarta-feira, 27 de Janeiro, a Reuters.

Várias companhias aéreas como a norte-americana United ou a LATAM, a maior transportadora aérea daquela região, baseada no Chile, estão a deixar os passageiros com destino às regiões afectadas, cancelar os seus bilhetes e reaver o dinheiro ou mudar as datas das viagens.

Ainda assim, para já, as transportadoras aéreas brasileiras TAM, Avianca e GOL indicam não estar a sentir impacto nas reservas devido às preocupações com o Zika.

O mesmo cenário é traçado pela TAP. Contactada pelo Negócios, fonte oficial da companhia portuguesa, que tem voos para o Brasil e para a Colômbia, os dois países com maior número de infectados, assegurou que "em termos de reservas, não é perceptível qualquer variação atribuível ao vírus Zika".

Quanto a medidas preventivas, continua, "a TAP já procedia à pulverização da cabina com insecticidas eficazes contra os mosquitos e inócuos para a saúde humana, devido ao dengue. Nestas matérias, a TAP cumpre tudo o que for recomendado tanto pela Organização Mundial de Saúde, como pela Direcção-Geral de Saúde".

Também as empresas de cruzeiros Norwegian e Carnival vão permitir às grávidas que remarquem as suas viagens ou as troquem por cruzeiros para destinos mais seguros, ainda que não haja por agora, muitos pedidos. Um porta-voz da Carnival quantificou em menos de dez as intenções recebidas para alterar as datas das deslocações ou os itinerários. Já a Norwegian referiu um cancelamento e nenhuma solicitação de passageiros para modificar os seus percursos.

Já a cadeia hoteleira Hilton declarou que está a trabalhar com as autoridades de saúde locais para cumprir as recomendações dos centros de prevenção norte-americanos.

"São as pessoas que vão viajar nas semanas mais próximas que começam a fazer mais perguntas e a repensar os seus planos", frisa à Reuters Jennifer Michels, porta-voz da Sociedade Americana de Agentes de Viagens.

Nos Estados Unidos, os centros de controlo e prevenção de doenças estão a aconselhar os viajantes a adiar as suas deslocações a áreas onde haja perigo de infecção, numa altura em que um número recorde de norte-americanos planeava ter férias nos próximos seis meses: cerca de 54%, dos quais 11,2% para o estrangeiro, aproveitando a alta do dólar.

No que se refere às deslocações de turistas portugueses para as regiões afectadas, fonte oficial da Associação Portuguesa de Agências de Viagens e Turismo (APAVT) referiu, em declarações ao Negócios, que "até ao momento não há indicação de qualquer cancelamento".

Hoje, o Portal das Comunidades Portuguesas, do Ministério dos Negócios Estrangeiros, emitiu um alerta quanto ao Zika, através do qual aconselha os viajantes a consultaram o comunicado da Direcção Geral de Saúde sobre cuidados a ter para evitar ser contaminado.

Em território nacional já foram confirmados cinco casos de infecção, todos em pessoas que estiveram no Brasil. Mas o ministro da Saúde garantiu que "os portugueses podem estar tranquilos" com a situação. No final de um debate parlamentar, Adalberto Campos Fernandes afirmou que "neste momento está a fazer-se o acompanhamento dos casos que recebemos através de viajantes, mas não há nenhuma preocupação a assinalar".

De Barack Obama a Dilma Rousseff, de investigadores a farmacêuticas, nos últimos dias têm-se multiplicado apelos para acelerar o desenvolvimento de uma vacina contra o Zika.




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