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"A internet, neste momento, é um lugar muito perigoso"

O director do gabinete de informática do partido democrata norte-americano quer os governos a regular de forma "inteligente" as redes sociais.

Alexandra Machado amachado@negocios.pt 08 de Novembro de 2018 às 12:47
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A defesa por uma "regulação inteligente" das redes sociais foi feita pelo director do gabinete informática do partido democrata norte-americo (DNC), composto por 35 pessoas. Pediu regulação inteligente, mas não diabolizou essas companhias. Afinal até tinha trabalhado numa delas.

É que, como realça Raffi Krikorian, que esteve no palco principal do Web Summit, no último dia da edição deste ano, em Lisboa, as empresas de internet não foram desenhadas a pensar que tinham de se defender de ataques. Foram desenhadas para ser uma comunidade. O responsável tecnológico do partido democrata defende, por isso, que deve haver mais trabalho conjunto com as redes sociais, além do que já existe: "conhecemos o Facebook, Twitter e Google e trabalham connosco".

Admite que estas empresas têm feito alguma coisa, mas "não estão a fazer o suficiente", olhando muito para a questão do lucro. 

Defende ainda que os partidos - democratas e republicanos - deviam trabalhar mais em conjunto. "Não trabalhamos com eles tão de perto como gostaria". 

E, por fim, que o governo federal deveria entrar nesta "batalha". É que isto "não é uma questão de partidos é a base da democracia americana", ainda que saliente que o actual clima político "é um tema", devido à enorme desconfiança que existe. "Mas devia ser uma questão extrapartidária". A segurança da informação e de acesso "não devia ser gerido por uma equipa de 35 pessoas".

Mas não atribui aos ataques informáticos ou à desinformação a perda das eleições de 2016 de Hillary Clinton. "Há milhões razões para termos perdido".

Entre "hacking" e desinformação, o que é pior? Raffi Krikorian admite que no hacking é difícil perceber o que se está a passar no momento, e até pode levar dias, meses, anos a perceber-se que houve um ataque. "Precisamos da ajuda de privados e do governo", ainda que assuma ter "mecanismos de detecção bons".

Quanto à desinformação, há alguma que se consegue combater nomeadamente com voluntários. Mas admite que combatê-la "é muito difícil e requer parceria com redes sociais". No final, o que é preciso é "transparência", e "garantir que temos a oportunidade de dizer qual a verdade".

Daí que este responsável atribua o problema aos humanos e não aos algoritmos. "É um problema humano, e não de algoritmos. Temos de ter mais humanos a ler estas informações e detectá-las". Até diz que uma das formas de combater esta desinformação é abrandar a velocidade com que as informações se propagam na internet, para que possa haver uma reacção mais apropriada. "Fazer com que seja mais próxima do mundo real e que seja possível digerir o que se lê para haver tempo de reacção".

A preocupação sobre o que se passa na internet foi salientada por este responsável, realçando que o seu trabalho é fazer com que "os americanos recebam as informações certas, e que os eleitores e que as eleições sejam justas e seguras", para confiarmos nos resultados. Quem interfirir com isso, seja a China ou pessoas individuais ou agentes domésticos, são a sua preocupação. Afinal, está em causa o sistema democrático americano e, como conclui, "a internet, neste momento, é um lugar muito perigoso, não está desenhada para o que se está a passar".
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