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Líder do Web Summit publica emails que explicam saída do evento de Dublin

Paddy Cosgrave publicou vários emails trocados com as autoridades irlandesas. Neles podem ler-se vários pedidos do líder do Web Summit no sentido de se solucionarem quatro questões para que o evento continuasse em Dublin.

Miguel Baltazar/Negócios
Ana Laranjeiro alaranjeiro@negocios.pt 15 de Outubro de 2015 às 21:05
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A 23 de Setembro, por volta das 9 horas da manhã, foi anunciado que o Web Summit, a partir do próximo ano, irá realizar-se em Lisboa. Na capital nacional, a notícia foi bem acolhida. Paulo Portas, vice-primeiro-ministro de Portugal, disse, na altura, que "ter Lisboa no foco internacional dos media durante uma semana, não tem um valor calculável. Espera-se, numa estimativa conservadora, mais de dois mil jornalistas e representantes de media internacionais".

Porém, em Dublin, o clima era o oposto. O primeiro-ministro Enda Kenny admitiu na altura a sua "desilusão" pela partida e reconheceu que o evento tinha sido "muito bom para a Irlanda e a sua reputação nos últimos anos".

Esta quinta-feira, 15 de Outubro, Paddy Cosgrave (na foto), presidente-executivo da Web Summit, publicou mais de 30 páginas com emails, trocados entre o próprio e as autoridades irlandesas. O tema é a realização do evento precisamente a partir do próximo ano. Na rede social Twitter, Cosgrave diz que quem quer saber o porquê de o evento deixar de se realizar na capital irlandesa pode ler os documentos.


O primeiro email de Paddy Cosgrave que é apresentado tem a data de 21 de Agosto e é endereçado a Nick Reddy, secretário do chefe de governo irlandês. Com o documento seguia um anexo com as "visões gerais e concisas" das propostas de outros países. O líder deste evento apontava mesmo que "a nossa preferência absoluta é ficar na Irlanda". E enumerava alguns problemas que surgiam já desde 2013: custos dos hotéis e do wi-fi e infra-estruturas.

Três dias depois surge um novo mail de Paddy Cosgrave para Nick Reddy. Desta vez, no "assunto", além das palavras Web Summit estava também a palavra "urgente". "Estamos determinados em que a Web Summit resulte em Dublin em 2015 e em 2016. Queremos que a Web Summit continue em Dublin no futuro. Mas em 2016 o Web Summit vai ser muito grande para decorrer em Dublin sem uma coordenação com o Estado e as suas várias agências. Não recebemos resposta desde a semana passada. Acreditamos que é essencial manter a comunicação aberta e constante e estamos disponível para uma chamada ou encontro", escreve assim Cosgrave no início do email.

O terceiro documento é uma resposta curta, no dia 24 de Agosto, de Nick Reddy, dizendo que recebeu os emails e que voltaram a falar. O presidente executivo do evento agradece.

A 1 de Setembro um novo email. De Cosgrave para Reddy. "Sem um plano básico para o Web Summit de 2016, o Web Summit vai ser obrigado a sair de Dublin nas próximas semanas. Não queremos um cêntimo, queremos apenas um plano para os transportes públicos, gestão do fluxo de tráfego, wi-fi e hotéis", escreve o líder do evento. Questões estas referidas frequentemente por Paddy Cosgrave nos seus emails.

"Estamos preparados para recusar ofertas incríveis, que abordam todas estas preocupações e outras, de muitas outras cidades na Europa, em troca de um esboço do plano. Mas passaram já quase duas semanas desde que expliquei ao Taoiseach [chefe de governo da Irlanda] que não podíamos esperar mais e que precisamos de tomar uma decisão no início de Setembro", pode ler-se ainda neste email de duas páginas enviado a 1 de Setembro. A resposta chega dia 3 de Setembro, com a promessa por parte de Nick Rilley de voltar a contactá-lo.

Em resposta a essa promessa, Cosgrave escreve um email, com pouco mais de três páginas, onde reitera a necessidade de um plano básico para o evento do próximo ano.

Nick Reddy responde a 10 de Setembro. Em nome do líder do governo, Reddy diz que há a confiança que "um plano efectivo pode ser preparado para 2016 mas seria sensato que este plano para 2016 fosse informado, no maior âmbito possível, através da preparação e entrega de acordos para o encontro deste ano em particular devido ao crescente número de viagens para o evento deste ano". Este email termina com o secretário do chefe de governo irlandês a manifestar a sua esperança que o Web Summit possa "continuar" em Dublin no futuro.

A missiva seguinte de Paddy Cosgrave surge a 17 de Setembro. É um email longo onde são, nomeadamente, manifestadas preocupações com o trânsito, os hotéis e o wi-fi.

A 21 de Setembro, o líder do Web Summit envia um email para John Callinan, secretário-geral adjunto do departamento do Taoiseach. Os pedidos de um plano para o evento do próximo ano continuam a dominar. A resposta chega nesse dia. Callinan volta a defender que "seria sem dúvida útil aprender com a experiência de 2015". E envia um documento em anexo com um esboço para debaterem o evento de 2016.

Paddy Cosgrave responde a 22 de Setembro. Depois de assinalar que o que o governo enviou não é um plano mas algo parecido com um projecto de plano, o email termina com Cosgrave a lamentar ter pressionado tanto as autoridades "mas é algo bizarro que não tenham sido feitas tentativas por parte do governo para se reunir connosco, falar connosco ou abordar estas questões". Isto "quando, ao mesmo tempo, poderíamos reunir-nos, debater e abordar todas estas questões e outras com governos pela Europa fora", acrescentou.

No dia 23, foi revelado que Lisboa irá organizar o evento no próximo ano e em 2017 e 2018.

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