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Comércio externo chinês supera previsões em maio com recuperação das trocas com EUA

As exportações chinesas cresceram 19,4% em termos homólogos em maio, enquanto as importações aumentaram 27,4%, informou esta terça-feira a Administração-Geral das Alfândegas da China.

As exportações chinesas dispararam 19,4% em maio.
As exportações chinesas dispararam 19,4% em maio. Yu Fangping/AP
07:44

O comércio externo da China manteve forte crescimento em maio, superando as expectativas dos analistas, impulsionado pela recuperação das trocas com os Estados Unidos, após a recente visita ao país do Presidente norte-americano, Donald Trump.

As exportações chinesas cresceram 19,4% em termos homólogos em maio, enquanto as importações aumentaram 27,4%, informou esta terça-feira a Administração-Geral das Alfândegas da China.

Os resultados superaram as previsões de economistas consultados pela agência Bloomberg, que apontavam para aumentos de 15% nas exportações e de 26% nas importações.

As vendas chinesas para os Estados Unidos registaram uma subida particularmente expressiva, de 35,4% face ao mesmo mês de 2025, totalizando 39 mil milhões de dólares (quase 34 mil milhões de euros), contra 28,8 mil milhões de dólares (24,9 mil milhões de euros) um ano antes.

Os dados são divulgados menos de um mês após a visita de Trump a Pequim, que procurou consolidar a melhoria nas relações económicas entre as duas maiores economias mundiais, após meses de guerra comercial.

Em 2025, as exportações chinesas para os Estados Unidos caíram cerca de 20%, afetadas pelas tarifas aduaneiras e outras restrições comerciais mútuas.

Uma cimeira entre os líderes chinês e norte-americano, realizada em outubro de 2025, na Coreia do Sul, permitiu reduzir significativamente as tarifas punitivas aplicadas pelos dois países.

O encontro realizado em maio, em Pequim, deu continuidade a essa tendência. Após a visita de Trump, o ministério do Comércio chinês anunciou que Pequim e Washington concordaram em discutir um acordo-quadro que prevê reduções recíprocas de tarifas sobre produtos avaliados em pelo menos 30 mil milhões de dólares (26 mil milhões de euros) para cada lado.

Numa nota aos investidores, o presidente da consultora Pinpoint Asset Management, Zhiwei Zhang, destacou a resiliência do comércio chinês apesar da incerteza económica global, da valorização do yuan e das consequências da crise no Médio Oriente.

"Este forte crescimento das exportações demonstra a competitividade das empresas chinesas nos mercados internacionais e ajuda a compensar parcialmente a fraqueza da procura interna", afirmou.

O economista alertou, contudo, para o risco de uma escalada das tensões comerciais com outros parceiros, em particular a União Europeia.

Bruxelas tem procurado reequilibrar as relações comerciais com Pequim, sobretudo através de medidas destinadas a proteger setores considerados estratégicos da concorrência chinesa.

Os analistas consideram que a China tem resistido melhor do que outras economias ao impacto da crise no Médio Oriente e preveem que as exportações continuem a ser sustentadas pela procura global de semicondutores e tecnologias verdes.

Apesar disso, persistem desafios para a economia chinesa, incluindo a fraca procura interna, a crise prolongada no setor imobiliário, o elevado endividamento das administrações locais, os excessos de capacidade produtiva, as pressões deflacionistas e o desemprego jovem.

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