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Abandone a dívida

A PROTESTE INVESTE analisou dez títulos de dívida empresarial e recomenda vender e encaixar os ganhos

Deco Proteste 17 de Fevereiro de 2014 às 10:58
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A negociação de obrigações em Lisboa ainda está pouco desenvolvida. Porém, as necessidades de capital de algumas companhias levaram-nas a recorrer à bolsa. Entre as 8 emitentes de obrigações de retalho em 2012, a PROTESTE INVESTE recomendou, com algumas ressalvas, a subscrição de 3 títulos: REN, Portugal Telecom e Continente. As ressalvas prendiam-se sobretudo com o perfil de risco do investidor. Em 2013 também apontámos para a compra das obrigações da Mota-Engil.


Desde que iniciaram a negociação, as obrigações valorizaram além de terem distribuído juros aos aforradores. Agora está na altura de encaixar os ganhos e abandonar o barco do mercado de obrigações de empresas.


Como funciona
Ao subscrever uma obrigação na data de emissão está a emprestar dinheiro a uma empresa que se compromete a pagar um juro de uma forma regular (por exemplo, cada semestre) e, no final no prazo da obrigação (maturidade), a reembolsar os investidores tradicionalmente pelo montante recebido. Por norma, estes títulos proporcionam uma taxa de juro superior à dos depósitos a prazo. De facto, em face do maior risco que os investidores correm, estes só equacionam a subscrição no caso de o rendimento ser um pouco mais favorável. O risco de investir em dívida empresarial advém sobretudo de duas vertentes: o risco de crédito e o risco de liquidez.


O risco de crédito prende-se com a probabilidade que existe de a empresa não cumprir os seus compromissos, ou seja, não pagar juros ou não reembolsar o capital. Ao contrário dos depósitos, por exemplo, que têm o Fundo de Garantia de Depósitos, para as obrigações de empresas não existe qualquer sistema que garanta o pagamento da dívida.


Já o risco de liquidez está ligado ao facto de, se hoje precisar do dinheiro, a única hipótese que tem é vender os títulos na bolsa. Pode acontecer que não tenha alguém que lhe compre os títulos ou então ter apenas ofertas que correspondam a uma perda significativa de património.

Ao vender uma obrigação na bolsa deixa de ser credor da empresa emitente. Quem a compra, passa, naturalmente, a ser credor. No entanto, para receber os juros e o reembolso de capital nada terá de fazer. Estes fluxos ocorreram diretamente através do seu intermediário financeiro.


Pouco atrativas
Apesar de o risco do nosso país ser ainda elevado, atualmente já existe mais confiança em Portugal, o que é atestado pela diminuição das taxas de juro das Obrigações do Tesouro.


Esta diminuição do risco reflete-se também nas obrigações emitidas pelas empresas: o preço das obrigações sobe e, logo, a taxa de rentabilidade até à maturidade que a compra dos títulos possibilita desce.


Como pode verificar no quadro em baixo, os 10 títulos que acompanhamos na bolsa de Lisboa encontram-se a negociar acima do preço de emissão (100% do valor nominal). E, como pode igualmente verificar, os títulos que recomendámos comprar na subscrição são os que se destacam mais (REN, Portugal Telecom, Continente e Mota- Engil). Um investidor que tenha seguido os conselhos da PROTESTE INVESTE e tenha adquirido obrigações da Portugal Telecom em julho de 2012 pode aliená-las com uma mais-valia ou um ganho bruto superior a 7%. Se retirarmos os impostos e se incluirmos o reinvestimento dos juros dos cupões recebidos desde julho de 2012, obtemos uma taxa efetiva anual líquida de 8,1% para este investimento.


Atualmente, a PROTESTE INVESTE não recomenda a compra de obrigação de empresas. As taxas de juro anuais líquidas até à maturidade (assume-se que o obrigacionista não as vende) não estão atrativas. Apesar de as emissões apresentarem taxas superiores às da dívida pública para os mesmos prazos, encontram-se aquém da rentabilidade oferecida pelos melhores depósitos ou pelos Certificados de Tesouro Poupança Mais. Por isso, aproveite a subida das cotações das obrigações para vender e investir nos produtos do Estado que, com menor risco, apresentam rentabilidades superiores.


Custos elevados
Para investir em obrigações está sujeito aos custos cobrados pelo seu intermediário financeiro, incluindo os custos de transação (ou subscrição, no caso de a compra ser nesta fase) e a guarda de títulos. Os custos são similares aos custos de investir em ações e, no caso da guarda de títulos, se já tiver ações nacionais não terá um custo acrescido na generalidade dos intermediários. Este custo pode mesmo vir a atingir uma maquia próxima dos 100 euros por ano. Mas também há intermediários que o isentam, como é o caso do protocolo que assinámos com o Banco Carregosa, como pode confirmar em deco.proteste.pt/investe/ protocolos.


Ao nível do custo de negociação, incluindo impostos, deve contar entre 5 e 10 euros por cada ordem dada na bolsa de Lisboa, de compra ou de venda. Terá ainda uma comissão na altura da receção de juros e no reembolso do capital: acima dos 2% no primeiro caso e cerca de 0,30% aquando do reembolso do capital.


Os rendimentos e as mais-valias obtidas com as obrigações são tributados à taxa de 28%. Será o imposto final se não optar pelo englobamento, uma opção que só compensa para quem tenha rendimentos baixos.

 

 

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