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Análise: Empresas mais 'verdes'

A relação entre as empresas e o meio ambiente sempre foi problemática. Mas, aos poucos, a situação melhora. Apresentamos as ações da nossa seleção mais bem posicionadas para enfrentar este desafio do futuro.

Deco Proteste 14 de Dezembro de 2015 às 11:08
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Regulamentação: inimiga ou salvadora?
Os recentes problemas com a Volkswagen, que manipulou o nível de emissões dos seus automóveis, e da BHP Billiton, que enfrenta a rutura de uma barragem no Brasil e a destruição de uma aldeia, servem para nos recordar da relação, por vezes, tensa entre o meio ambiente e o mundo empresarial. No entanto, estes exemplos ensombram o progresso real (mas ainda insuficiente) de muitas empresas neste domínio. A principal razão para a mudança reside na crescente regulamentação. Os Estados determinam condições cada vez mais restritivas e padrões mais elevados para produtos e empresas. Infelizmente, muitas companhias ainda veem nesta exigência de sustentabilidade, uma ameaça aos seus lucros, pois os padrões mais altos representam um custo não negligenciável. Mas outras empresas consideram que esses mesmos padrões são uma vantagem, pois desencorajam possíveis concorrentes que não terão capacidade para cumprir as exigências regulamentares.

Os consumidores e os acionistas
Se o papel do legislador e da regulamentação é importante, a ação desempenhada pela pressão direta do consumidor não deve ser subestimada. Para os consumidores, os critérios ambientais começaram a contar para as decisões quotidianas, sobretudo desde que são frequentemente associados à eficiência energética e, portanto, à poupança de dinheiro. A rotulagem mais clara das características de certos produtos (por exemplo, a classe energética dos eletrodomésticos) possibilita que o consumidor escolha o melhor para o planeta, mas também para a sua carteira. Acresce ainda a pressão dos acionistas. Muitos deles estão mais conscientes de que uma empresa tem de otimizar e tornar sustentáveis os seus processos de produção e cadeias de valor. No final de contas, é uma estratégia que cria condições para produzir bens e oferecer serviços de forma eficiente, o que se traduz numa vantagem competitiva. Um trunfo que significa mais lucros e melhor remuneração dos acionistas a longo prazo.

Problemas como o da Volkswagen  servem para nos lembrar da relação, às vezes, tensa entre o ambiente e as empresas.

Empresas inovadoras
Face à evolução na postura do legislador, consumidores e acionistas, não é difícil encontrar na nossa seleção, várias empresas que se têm dado o exemplo do que deve ser a inovação sustentável. Entre elas, a Veolia Environnement, líder mundial em serviços relacionados com a água e número dois global no tratamento de resíduos, posicionou-se recentemente em atividades de maior valor acrescentado, e que ainda enfrentam pouca concorrência, como o tratamento de águas residuais. Se esta é uma empresa diretamente relacionadas com o ambiente, os esforços de inovação com o propósito de tornar o grupo sustentável vão muito além do resto do setor. A Coca-Cola e o conglomerado industrial General Electric comprometeram-se a reduzir a sua pegada de carbono em 25 % e 20 %, respetivamente, até 2020, enquanto a Apple já anuncia que utiliza 100 % de energia renovável para as suas atividades nos Estados Unidos. A Cisco está entre as empresas mais agressivas na redução das emissões de gases de estufa em toda a sua cadeia logística e prepara o fim da vida dos seus produtos, que são quase todos 100 % recicláveis. No setor bancário, mais entidades incluem a componente ambiental na política de investimento direto e também no financiamento de projetos. Algumas seguradoras seguem o mesmo caminho. A Axa anunciou que, no final de 2015, iria desinvestir do carvão e triplicar os investimentos verdes até 2020 (energias renováveis, infraestruturas de energia e obrigações "verdes").

Bom investimento?
A tomada de consciência das empresas quanto à sustentabilidade é apenas o primeiro passo. Na maioria dos casos, terá de seguir-se um estudo detalhado da cadeia de valor, de modo a resolver os problemas potenciais, bem como otimizar a forma como a empresa opera e encontrar soluções inovadoras para aumentar o seu valor acrescentado. Na prática, mesmo que uma aposta no "verde" se traduza por vantagens financeiras a longo prazo, o processo envolve custos e níveis de especialização significativos que nem todas as empresas possuem. E naturalmente é importante saber se o seu valor em bolsa reflete, ou não, as vantagens das preocupações ambientais. Em suma, o facto de uma empresa pretender ter uma atividade sustentável é importante, mas não justifica, por si só, que seja uma boa oportunidade de compra. 


Este artigo foi redigido ao abrigo do novo acordo ortográfico.
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