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DECO: Como investir em certificados

Com 75 euros já pode entrar no mundo das acções e constituir uma carteira diversificada. Mas o prazo destas aplicações é tão reduzido que, ao esperar por uma subida na Bolsa, arrisca-se a perder bastante dinheiro na altura do vencimento.

Negócios negocios@negocios.pt 10 de Janeiro de 2005 às 07:09
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Embora menos divulgados do que outras formas de investimento, os certificados de que falamos permitem aplicar na Bolsa. Por isso, nada de confusões com os conhecidos Certificados de Aforro.

Dado que o valor dos certificados acompanha a evolução de um índice de Bolsa, o investidor aposta indirectamente numa carteira diversificada. Tal como o investimento em acções, os certificados não garantem o rendimento, nem mesmo o capital investido. A grande diferença reside no prazo de aplicação: a maioria dos certificados fica aquém do mínimo recomendado para investir no mercado accionista (ou seja, cinco anos). Uma forma de contornar o problema é reinvestir noutro certificado, o que nem sempre é possível devido à pouca oferta e, quando pode fazê-lo, tem de pagar custos de transacção.

Com um prazo de aplicação tão curto, o risco só podia ser elevado. Os fundos de acções não possuem esta limitação e, acima de tudo, têm uma gestão que permite ganhos superiores (ver gráfico). Para aplicar a longo prazo, é preferível optar por fundos de acções em mercados atractivos, como é o caso de Portugal, Reino Unido e Estados Unidos da América.

Apostas a curto prazo. Os certificados são mais indicados para especular no curto / médio prazo. Um investidor com um palpite de subida da Bolsa nacional nos próximos meses pode comprar certificados sobre o índice PSI-20. Como a quantidade mínima de negociação é de apenas um certificado, e 100 aplicações deste tipo correspondem ao valor do índice, se o PSI-20 estiver nos 7500 pontos, paga cerca de 75 euros por cada certificado. Seriam necessárias dezenas de milhares de euros para constituir uma carteira de acções portuguesas. Já os fundos, dada a forma de valorização das unidades de participação e as elevadas comissões de resgate em prazos curtos, não são adequados para especular.

Voltando ao exemplo descrito acima, imagine que compra 50 certificados, aplica 3750 euros e espera três meses. Se o palpite estiver certo e o PSI-20 rondar os 8530 pontos, recebe 85,30 euros por certificado. Ganharia 13,7%, ou seja, 514 euros. Se, pelo contrário, a cotação do PSI-20 tivesse caído, por exemplo, para 6525 pontos, perderia 23,5%, ou seja, 881 euros. Moral da história: os certificados permitem ganhos ou perdas exactamente iguais à evolução do índice de Bolsa.

Os investidores mais familiarizados com a especulação podem aplicar antes nos warrants, pois são potencialmente mais rentáveis. Mas o risco é também muito superior.

Sete índices disponíveis. Os certificados, como aplicações especulativas, destinam-se sobretudo a investidores experientes. Aliás, as dificuldades surgem logo no momento da compra. Não conseguimos comprar certificados ao balcão da Caixa Geral de Depósitos, do Banco Espírito Santo e do Banco BPI, pois os funcionários nunca tinham ouvido falar de tal coisa.

Num balcão do Millennium bcp e do Grupo Totta, a compra demorou mais de uma hora. Só depois de muita insistência foi possível registar o pedido. Trata-se de produtos pouco divulgados, mas, enquanto transaccionados em Bolsa, não faz sentido que alguns intermediários financeiros os desconheçam.

Ao contrário do que acontece num investimento em acções, os certificados têm um prazo definido. Quem adquirir estes produtos pode vendê-los em Bolsa ou esperar pela data de reembolso. Em qualquer dos casos, o investidor recebe um valor bastante aproximado ao do índice subjacente. É essencial acompanhar atentamente a evolução do índice. Caso deixe passar eventuais momentos de alta, tendo em conta o curto prazo de aplicação, pode perder dinheiro na venda ou no reembolso se a Bolsa estiver em baixa.

Actualmente, pode apostar na subida de sete índices diferentes, desde o nacional PSI-20, passando pelo europeu Euro Stoxx 50 e os norte-americanos Dow Jones e Nasdaq 100, até ao nipónico Nikkei 225 (ver quadro ao lado).

Só o certificado sobre o Dow Jones, emitido pelo Banco Comercial Português, funciona de forma um pouco diferente. A sua evolução é também influenciada pela taxa de câmbio euro / dólar.

Quanto a custos, os intermediários financeiros cobram comissões mínimas de corretagem sobre a compra e venda destas aplicações. Regra geral, corresponde a uma percentagem entre 0,2% e 0,5% do montante investido ou aplicam um valor fixo (5,85 euros a 10 euros). Existe ainda o serviço de custódia de títulos (cerca de 30 euros por ano). Neste último caso, se tiver outros investimentos em carteira, tais como acções, obrigações ou warrants, não paga mais por passar a deter certificados.

Caso obtenha mais-valias com os investimentos, opte pela tributação autónoma (10%). Esta taxa é sempre inferior à taxa de IRS mais baixa. O englobamento nos restantes rendimentos apenas é vantajoso se perder dinheiro, pois pode deduzir as menos-valias aos ganhos que venha a obter nos dois anos seguintes.

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