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Estratégias: Como (não) poupam os lusitanos

A taxa de poupança dos portugueses está em mínimos e o dinheiro vai quase todo para os depósitos.

Deco Proteste 08 de Novembro de 2017 às 09:52
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O nível de poupança dos portugueses tem vindo a decrescer. Mesmo sem recuar muito tempo, na viragem do milénio, a taxa de poupança superava os 10%. Atualmente, está pouco acima de 4% do rendimento disponível e é uma das mais baixas da União Europeia.

Embora a tendência seja de queda, também se observa que, em momentos de crise, a taxa de poupança aumenta. Em 2009 e 2010, esteve novamente acima dos 10%. Contudo, não se poderá afirmar que esse fenómeno significa necessariamente que os portugueses pouparam mais nesses períodos. Parte do efeito deve-se à redução do rendimento disponível (o PIB caiu 3% em 2009). Com menos dinheiro, cortaram mais no consumo do que na poupança, o que gerou um aumento da taxa. Agora, com a economia novamente a recuperar, os euros recebidos a mais são encaminhados para o consumo e a poupança está a ser descurada. Uma baixa taxa de poupança é preocupante, porque dará menos margem de manobra às famílias para enfrentar a próxima conjuntura negativa. E, a longo prazo, não acautela as necessidades criadas pelo aumento da esperança de vida e a redução expectável do valor das reformas pagas pelo sistema público.

Depósitos reinam
Se no nível de poupança os portugueses são pouco prudentes, a repartição do património financeiro reflete um grande conservadorismo. Em 2016, 45% das poupanças estavam em depósitos e 19% em seguros e fundos de pensões, aplicações também normalmente de capital garantido. E não nos deixemos enganar pelos 21% do património que está investido em ações e outras participações. O número pode parecer contraditório e dar a ideia de que há muitos portugueses mais propensos ao risco dos mercados financeiros. O facto é que esta variável inclui as participações em qualquer tipo de empresa, nomeadamente as PME, que constituem a esmagadora parte do tecido empresarial em Portugal. Logo, afirmar que 21% do património dos portugueses está investido em ações está longe de corresponder a uma opção pelas aplicações em bolsa. Aliás, a aversão ao risco está patente na pequena parcela que é dedicada aos fundos de investimento (apenas 4%). A forma como os portugueses alocam o seu património financeiro também não tem sofrido grandes alterações. Por exemplo, de acordo com os dados disponíveis, a repartição em 2000 não era muito distinta da que apresentamos na figura referente a 2016.

Duas faces da mesma moeda
Muitos portugueses não se consideram investidores, porque têm a ideia preconcebida de que um investidor é apenas aquele que aplica em bolsa. É uma perceção errada. Mesmo as aplicações, como os depósitos ou os Certificados de Aforro, são formas de investimento. Um euro poupado é um euro investido. No limite, se esse euro ficar numa gaveta, é como se fosse um investimento que rende 0%.

Mas se consegue dar o primeiro passo e amealha dinheiro regularmente, o segundo passo não deverá ser colocá-lo na gaveta ou debaixo do colchão. As poupanças podem ser valorizadas se forem acompanhadas por uma estratégia de investimento adequada. A tradição do colchão pode ter-se perdido mas, como já referimos, foi substituída pelos depósitos, ou como se costuma dizer "pôr o dinheiro no banco". Ora como têm demonstrado as nossas análises, se incluirmos as comissões de manutenção dos bancos, a opção pelo colchão até pode ser preferível a alguns depósitos. Ficar preso a essa estratégia é condenar as poupanças ao marasmo. A inércia é péssima gestora. Mesmo entre os produtos de capital garantido, nem todos são iguais e há depósitos e seguros de capitalização que se destacam da concorrência. E, claro, os Certificados do Tesouro levam a taça neste campeonato.

Alargue os horizontes
Sem prejuízo de uma boa escolha no aforro tradicional, o ideal é assumir algum risco e afetar parte das poupanças no investimento a longo prazo. Só assim conseguirá uma rentabilidade mais atrativa. Neste capítulo, os fundos de investimento são o produto financeiro de eleição, pois estão acessíveis a partir de pequenos montantes, são intrinsecamente diversificados e não implicam grandes conhecimentos financeiros. Ainda assim, é preciso fazer uma boa seleção porque obviamente nem todos os fundos são boas opções para colocar o seu dinheiro.

De salientar que os investidores mais ativos poderão aplicar parte das poupanças diretamente em bolsa, seguindo as recomendações da PROTESTE INVESTE para as ações (conheça as empresas com maior potencial na edição semanal ou no portal financeiro em deco. proteste.pt\investe). Investir bem não é uma tarefa simples, mas seguir uma estratégia rentável (sem euforias nem receios excessivos) está ao alcance de todos.


Este artigo foi redigido ao abrigo do novo acordo ortográfico.


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