Análises Deco Leasing ou crédito, quem cobra menos?

Leasing ou crédito, quem cobra menos?

A esmagadora maioria dos portugueses prefere o crédito automóvel ao leasing na hora de financiar a compra de carro novo. Mas, por norma, o leasing sai mais barato. Mais uma vez, os cálculos da Deco Proteste comprovam-no.
Leasing ou crédito, quem cobra menos?
Bruno Simão
Deco Proteste 10 de setembro de 2019 às 15:25
Se vai comprar carro com recurso a um financiamento, o mais certo é juntar-se à larga maioria de portugueses que opta pelo crédito automóvel em detrimento do leasing ou aluguer de longa duração (ALD). Os dados do Banco de Portugal relativos a maio indicam que essa foi a escolha de 70% dos consumidores que contrataram um financiamento para carro novo naquele mês. Mas, se pedir uma simulação para adquirir o veículo através de leasing no mesmo banco ou na mesma instituição financeira onde está a planear contratar o crédito (caso disponibilizem também aquela modalidade), é provável que tenha uma surpresa e depare com uma proposta mais barata.

A Deco Proteste fez as contas para um empréstimo de 15.000 euros e outro de 28.000 euros, ambos a pagar em 48 meses, e o resultado prova que o leasing é a melhor opção nas duas situações, permitindo poupar 250 euros por ano, no primeiro cenário, e 418 euros, no segundo, se comparado com o crédito na mesma instituição. Ao fim dos quatro anos de financiamento, são 1.000 euros e 1.672 euros de poupança, respetivamente.


A conclusão não é novidade: ano após ano, o leasing tem recebido sempre a medalha de opção mais económica nos estudos da Deco Proteste. De um modo geral, as taxas de juro são mais baixas e, ao contrário do crédito, há isenção do imposto de selo sobre a abertura de crédito e sobre os juros.

Mas, apesar de não enganar, não é só a calculadora que conta. Se optar pelo leasing (ou pelo ALD) tem de abdicar da propriedade do veículo até ao final do prazo do financiamento. O carro é adquirido pela instituição financeira que, depois, o aluga ao consumidor em troca de uma renda mensal. No esquema encontra as principais diferenças entre as várias modalidades de financiamento.


Portugueses preferem crédito


Os portugueses, porém, preferem - de longe - o crédito automóvel na hora de financiar a compra de carro. O gráfico em baixo ilustra a distância que separa o crédito do leasing ou ALD, em termos de modalidade de financiamento preferencial. Segundo o Banco de Portugal, em 2018, foram concedidos cerca de 2,65 mil milhões de euros de crédito automóvel contra 474 milhões em leasing ou ALD (carros novos e usados). Uma tendência que se tornou particularmente visível desde 2014, ano em que as curvas do crédito e do leasing ou ALD para carros novos, mais ou menos unidas até aí, se separaram (a primeira subiu e a segunda estagnou) até final do ano passado. Para 2019, não é de prever mudanças: de janeiro a maio, para veículos novos, os montantes mensais concedidos em crédito automóvel foram quase sempre cerca do dobro dos atribuídos em leasing ou ALD.


Da leitura do quadro conclui-se também que os empréstimos para aquisição de automóvel têm tido uma trajetória ascendente nos últimos anos, sobretudo a partir do pós-troika: 2014 e 2015. Muito graças ao crédito e, dentro desta modalidade, ao financiamento para carros usados, que tem um nítido destaque.

Contudo, os primeiros cinco meses deste ano, revela o Banco de Portugal, marcam um recuo global no setor. Entre janeiro e maio, foram concedidos cerca de 1,19 mil milhões de euros em financiamento automóvel. Uma quebra de 5,5%, comparando com os 1,26 mil milhões de euros atribuídos no mesmo período do ano passado.

Quer poupar? Pergunte-nos como

Para ambos os cenários do estudo da Deco - que correspondem a cerca de 90% do valor do carro mais vendido em Portugal, um Renault Clio, no caso dos 15.000 euros, e de um Mercedes Classe A, um dos "familiares" mais procurados, no de 28.000 euros, ambos novos, o Crédito Agrícola é a Escolha Acertada no leasing. No crédito, as melhores opções são o Crédito Agrícola e o Banco BPI, com poupanças que, no primeiro cenário, podem atingir os 580 euros, ao fim dos quatro anos de financiamento, e, no segundo, 1.084 euros.


Mas tão importante é escolher a modalidade certa de financiamento, como o banco ou a instituição financeira mais adequados. Por exemplo, no cenário dos 28.000 euros, optar pelas instituições que considerámos Escolha Acertada significa poupar (face à média de mercado) até 58 euros por ano no leasing, e 271 euros no crédito. No quadro em baixo apresentamos, para os dois cenários e para as duas modalidades de financiamento, as opções mais baratas de cada entidade, quer pratiquem taxa fixa, variável ou ambas.

Leasing e ALD: montantes, entrada, prazos, custos...

As diferenças entre leasing e ALD são residuais, sendo o segundo cada vez menos comercializado.

Quanto aos montantes concedidos, os mínimos variam entre os 2.500 euros, no Montepio Crédito e FCA Capital (ligada à Fiat), e os 5.000 euros, no Banco BPI e Millennium bcp. Os valores máximos estão sempre condicionados ao preço da viatura, e dependem, por isso, de uma avaliação personalizada. No BPI, Crédito Agrícola e Montepio Crédito não é possível pedir mais de 75.000 euros.

Entrada: apenas o Crédito Agrícola e o Millennium bcp exigem um mínimo obrigatório de 10%. O Montepio Crédito e o Novo Banco pedem uma renda.

O prazo mínimo varia entre os 12 e os 24 meses em todas as instituições. O máximo vai dos 72 aos 120 meses, sendo que o BPI não permite ALD além dos 60 meses. Apenas o Novo Banco nada cobra pelas despesas de dossiê. De resto, os custos variam entre os 184,50 euros no Crédito Agrícola e um doloroso máximo de 922,50 euros no Millennium bcp.

Não esquecer que, como a propriedade do automóvel pertence à empresa locadora durante o contrato, no final é necessário proceder à sua transmissão para o cliente. No Banco BPI e no Novo Banco nada há a pagar por essa diligência. Nas restantes instituições, o custo varia entre os 65 euros, no Montepio Crédito, e os 215,25 euros, na BMW Financial Services.

Crédito = custos (muitos)

Apesar de, com esta modalidade, o carro pertencer ao consumidor desde o primeiro dia, várias entidades do estudo da Deco Proteste exigem que o mutuário faça uma reserva de propriedade em nome da própria instituição. Serve como garantia, caso o cliente entre em incumprimento. A BMW Financial Services, o Crédito Agrícola, o Montepio Crédito, o Millennium bcp e o Novo Banco não fazem esta exigência.

O BPI e o RCI Banque cobram 97,50 euros pela reserva de propriedade. No final do contrato, para anular a reserva de propriedade, apenas a FCA Capital se faz cobrar: 51,66 euros. Na BMW Financial Services há um custo de finalização de contrato de 182 euros. Outros custos: o Millennium bcp pede 241,55 euros pela constituição de hipoteca. E todas as instituições cobram, mensalmente, uma comissão pela cobrança da prestação, uma despesa que encarece o custo do crédito. Nota negativa para os quatro euros exigidos pela BMW Financial Services.

Radar virado para a TAEG

4,7%
TAEG máxima
Para veículos novos adquiridos através de leasing ou ALD, no terceiro trimestre do ano.

9,6%
TAEG máxima
Para veículos novos adquiridos através crédito, no terceiro trimestre do ano.


Por englobar todos os custos associados ao financiamento, a taxa anual efetiva global (TAEG) é o melhor instrumento para comparar propostas. É o que indica, com todos os números, quanto vai pagar pelo carro, e o que explica também porque é que umas instituições estão mais bem posicionadas do que outras, na tabela, apesar de, por vezes, proporem taxas de juro mais altas. Mas abra bem os olhos. Para o terceiro trimestre, o Banco de Portugal definiu uma TAEG máxima para aquisição de carro novo através de leasing e ALD de 4,7%, e de 9,6% para o crédito automóvel.

Nenhuma entidade pode cobrar mais do que o valor máximo fixado. Mas, como pode ver no quadro, muitas das TAEG máximas ultrapassam aquelas fasquias. No entanto, as instituições financeiras garantiram que ajustam sempre as taxas, os custos, os prazos e os montantes em função da TAEG máxima permitida. Ainda assim, se lhe for apresentado um valor acima do limite, reclame junto do Banco de Portugal, através do portal do cliente bancário (https://clientebancario.bportugal.pt).

E se a TAEG que lhe propuserem ficar muito colada ao teto máximo definido pelo regulador, não se espante. Que fazer? Primeiro, as continhas todas. Depois, negociar até ficar rouco.




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