Análises Deco Menos risco, mais rendimento. Quem diria?

Menos risco, mais rendimento. Quem diria?

É mais vantajoso investir em ações menos voláteis do que nas mais arriscadas. Sim, leu bem. A história e os números provam-no.
Menos risco, mais rendimento. Quem diria?
Deco Proteste 26 de março de 2019 às 13:30

A conclusão contraria a crença enraizada de que há uma relação positiva entre risco e rendimento. Mas a história e a análise ao retorno médio das ações a nível global provam-no: é mais rentável investir em ações com menos risco do que nas que tiveram maiores oscilações em bolsa.

Não sendo a volatilidade da cotação o único fator a considerar na avaliação do risco de uma ação, o certo é que, para quem investe apenas em bolsa, o radar deve estar apontado aos títulos menos voláteis. Além de mais estáveis no sobe-e-desce da cotação, proporcionam um rendimento médio superior. A constatação soará talvez bizarra a quem se habitou a olhar para o risco como o passaporte para obter grandes ganhos na bolsa. Mas está provado: nas últimas largas décadas, as ações menos arriscadas tiveram um desempenho superior ao das mais oscilantes.

Tudo começou em... 1929

Em Wall Street, de 1929 a 2015, no conjunto das mil maiores empresas cotadas, as 100 ações menos voláteis (reajustadas a cada trimestre) tiveram um retorno médio anual de 10,2% (em dólares americanos) contra os 6,4% das 100 companhias mais voláteis.

Diferenças de desempenho que também se verificaram na Europa, no Japão e até em países emergentes.

RISCO DE UMA AÇÃO

COMO MEDIR

A PROTESTE INVESTE considera não só a volatilidade histórica da cotação. Analisa prospetivamente o setor e o mercado no qual a empresa opera, a sua estrutura financeira e eventuais processos judiciais. Fatores que são sintetizados depois num indicador que varia entre 1 (risco baixo) e 5 (risco alto). 


Não significa, porém, que, em caso de forte queda das bolsas, as ações de menor risco não percam valor. Mas saem-se melhor. No pico da última crise financeira, entre julho de 2008 e fevereiro de 2009, as ações menos voláteis perderam 33% (em dólares), enquanto a queda global do mercado foi de 45 por cento. Durante a crise da dívida pública europeia, entre 2010 e 2011, os títulos de baixa volatilidade conseguiram permanecer em terreno positivo a nível internacional. Aconteceu o mesmo na viragem do milénio, quando rebentou a bolha tecnológica.

A explicação

Na origem desta evidência estão mais os defeitos das ações de risco do que as virtudes dos títulos menos voláteis. As primeiras representam, muitas vezes, negócios frágeis. Seja porque têm dificuldade em gerar lucros regulares, porque são empresas recentes, ou porque estão muito endividadas. Ao início, podem criar um grande "buzz" na bolsa, mas, gradualmente, as cotações vão enfraquecendo, quando não entram mesmo em colapso de forma brusca.

Foi o que aconteceu, por exemplo, à PT Multimédia (atual NOS), que, no auge da euforia das "dot.com", chegou a estar cotada acima dos 66 euros (cotação ajustada). Hoje, uma ação da NOS está abaixo dos 6 euros.

Paradoxo: investidores gostam do risco

Dizem os livros que os investidores são agentes racionais. Mas a prática diz o contrário. Se se guiassem pela racionalidade, optavam mais pelas ações menos voláteis, o que, logicamente, faria subir a sua cotação. Os títulos mais arriscados seriam penalizados e o rendimento esperado de ambas as ações seria semelhante. Mas investidor que é investidor gosta de risco e, paradoxalmente, em vez de apostar em ações que garantam ganhos mais discretos, mas seguros, põe as fichas em títulos mais arriscados, na esperança de um ganho espetacular. É o efeito "bilhete da lotaria". Às vezes dá certo. Na maior parte dos casos, não.

Há ação além da volatilidade

A volatilidade é apenas um dos fatores a considerar na hora de escolher uma ação para comprar. Há também a importante questão da avaliação: se está barata ou cara. E ainda: as empresas a integrar uma carteira de ações devem obedecer a critérios de diversificação territorial e setorial. É este arsenal que usamos para selecionar as ações da carteira da PROTESTE INVESTE, que pode consultar em www.deco.proteste.pt/investe/carteiraacoes, e que é constituída por empresas de oito setores de atividade e sete mercados geográficos diferentes.


Ações acompanhadas pela PROTESTE INVESTE
No menor risco é que está o maior ganho

Das 150 empresas acompanhadas pela PROTESTE INVESTE, as 15 que tiveram maiores oscilações em bolsa (mais altos e baixos da cotação) geraram um rendimento muito inferior (-6,3%) em relação às 15 que registaram menor volatilidade (12%). Apesar de a Altri e a Fiat Chrysler Automobiles, que pertencem ao grupo das ações mais arriscadas, terem tido rendimentos interessantes, na casa dos dois dígitos, o todo desilude. Não espanta, portanto, que as ações menos arriscadas tendam a reunir mais conselhos de compra e as com maior risco mais conselhos de venda. Dados calculados a 31 de janeiro. Consulte a informação atualizada de todas as ações acompanhadas pela PROTESTE INVESTE em www.deco.proteste.pt/investe/comparador-acoes.




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