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Modernize a sua estratégia

Deixe os PPR de lado: são caros e rendem pouco. Está na hora de atualizar o seu plano de jogo. Descubra os melhores produtos para preparar a sua reforma

Modernize a sua estratégia
Deco Proteste 12 de Novembro de 2012 às 10:20
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Os pés-de-meia dos portugueses estão a abandonar os planos de poupança-reforma (PPR). O ritmo é acelerado: em 2011, o património dos PPR caiu 14,9%, o equivalente a 2,5 mil milhões de euros. As estatísticas oficiais mostram que a queda ainda não parou: no primeiro semestre, a poupança nacional em PPR voltou a descer perto de 5,5 por cento. No início de julho, a riqueza global dos PPR era de cerca de 13,5 mil milhões de euros, um valor que não se registava desde 2007.

É pouco provável que o abandono dos PPR fique por aqui. Em setembro, a Assembleia da República aprovou uma alteração às regras dos planos que autoriza o reembolso sem penalizações quando os montantes são utilizados para o pagamento de prestações de créditos para aquisição de habitação própria e permanente. Esta novidade entra em vigor em Janeiro.

Antes, só era possível o resgate do dinheiro aplicado em PPR sem se ser penalizado pelo fisco a partir dos 60 anos ou após a aposentação por velhice. Há, no entanto, situações excecionais que autorizam o reembolso quando o subscritor ou algum dos membros do agregado familiar vive especial dificuldade: desemprego de longa duração (trabalhadores que estejam há mais de 12 meses desempregados e inscritos em centros de emprego); doença grave; incapacidade permanente para o trabalho; falecimento do titular. Em Janeiro, quem tem um PPR poderá resgatá-lo também para pagar as prestações da casa.

Baixo rendimento, custo elevado
Os instrumentos que mais se assemelham a PPR são os fundos mistos defensivos, que aplicam até 30% das suas carteiras em ações. As diferenças de rendimento não são muito significativas: os fundos mistos defensivos registaram, em média, uma perda de 5,8% em 2011, superior ao apresentado pelos PPR defensivos e neutros, mas inferior aos PPR agressivos, com maior componente de ações, como pode constatar na figura ao lado. Assim, em termos de rendimento, os fundos PPR não são uma categoria que se destaque, comparativamente aos fundos mistos, sendo apenas mais moderados nos ganhos e nas perdas. Além disso, os PPR apresentam comissões bastante superiores aos de outras categorias de produtos.

Os 25 seguros PPR de capital garantido que participam no nosso estudo comparativo renderam, em média, 2,3% em 2011 e 2,6% nos últimos 5 anos civis. Os seguros PPR sem capital garantido são em menor número (apenas 10 no nosso estudo) e perderam, em média, 2,7% em 2011 e tiveram uma performance nula nos últimos 5 anos. Estes seguros PPR sem capital garantido são semelhantes aos fundos PPR e, por sua vez, comparáveis aos fundos mistos.
Um dos aspetos que sempre criticámos nos PPR são as pesadas comissões. Nos seguros PPR de capital garantido, o custo médio de subscrição é 1 por cento. Embora esteja a descer, há seguros que cobram comissões exorbitantes: é o caso do Prévoir PPR Prémios Periódicos, que cobra até 5,3% por cada entrega. Ainda que garanta um rendimento de 2,5%, as comissões anulam todo o rendimento e o aforrador fica a perder. É um mau negócio! Nos PPR sob a forma de fundo, esta comissão é mais baixa do que nos seguros: em média, de 0,7 por cento.


À semelhança do ano anterior,não recomendamos a subscrição nem o reforço de PPR a todos os que já não podem usufruir do benefício fiscal.


Se compararmos as comissões aplicadas nos PPR com a dos fundos mistos, por exemplo, as diferenças são substanciais, como pode ver na figura em cima. Este fator também irá pesar na escolha do consumidor, agora que os PPR já não permitem as deduções fiscais.

Quem já tem o que deve fazer?
À semelhança do ano anterior, não recomendamos a subscrição nem o reforço de PPR a todos os que já não podem usufruir do benefício fiscal.

No quadro ao lado apresentamos os três PPR mais rentáveis de cada categoria nos últimos 3 anos. Se o desempenho do seu PPR não o satisfaz, pode e deve transferi-lo para um PPR mais rentável e com menos comissões. Atualmente, a comissão de transferência é, no máximo, de 0,5% e apenas permitida nos produtos de capital garantido, como a maioria dos seguros. Se tem um fundo PPR, sem capital garantido, transferir para outro PPR não acarreta qualquer custo.

Se aderiu ao nosso protocolo DECO/SGF, também não recomendamos novas entre- gas. O desempenho do PPR alvo do protocolo, o PPR SGF Garantido, tem sido positivo: 9,1% nos últimos 12 meses e 4,5% por ano entre 2009 e 2011. Em 2012, a taxa bruta mínima garantida para este fundo é de 2,2%, à qual se acresce ainda o prémio de fidelidade de 0,5 por cento. É o fundo que apresenta melhor rendimento, nos últimos 3 anos, na categoria dos fundos PPR defensivos, cujas carteiras têm até 5% de investimento em ações. O PPR SGF Garantido tem a vantagem de garantir o capital e um rendimento mínimo definido anualmente.

É uma boa opção se pretende transferir o seu PPR, caso esteja desapontado com os resultados e as comissões cobradas do seu plano de reforma.



8%
É a taxa de imposto cobrada à saída se respeitar as condições dos PPR. É, atualmente, o único benefício fiscal a destacar.

33,3%
É o peso dos títulos de dívida pública nas carteiras dos PPR, só superados pelas obrigações de entidades privadas (49,2%).

-14,9%
Foi a queda no valor patrimonial dos PPR em 2011, o equivalente a uma redução de 2,5 mil milhões de euros para 14,3 mil milhões de euros.



Certificados de Reforma
Nos Certificados de Reforma, vulgarmente conhecidos por "PPR do Estado", a dedução fiscal corresponde a 20% do montante aplicado com o limite de 350 euros, numa percentagem do salário (2%, 4% ou 6%). No entanto, estes benefícios fiscais foram incluídos no mesmo limite das deduções dos PPR e, na prática, é como se não existissem. Têm ainda outra desvantagem: não permitem o resgate antecipado, o que é possível para os subscritores de planos de reforma geridos por entidades privadas.

Não adira aos Certificados de Reforma. Em 2011, os Certificados de Reforma perderam 1,9%, penalizados pela descida da cotação das Obrigações do Tesouro, nas quais têm obrigatoriamente de investir, pelo menos, metade da carteira. Com a estabilização do mercado de dívida pública, nos primeiros 8 meses deste ano já apresentam uma recuperação de 6,2 por cento. Desde que foram lançados, em abril de 2008, o Certificados de Reforma valorizaram 3,6% por ano.

Novas estratégias para o seu dinheiro
Mais do que nunca, poupar para a reforma é um assunto muito urgente. Com a redução das vantagens dos PPR, é preciso repensar as estratégias de poupança. Os PPR ainda têm o trunfo de ser possível concretizar o aforro através de pequenas poupanças periódicas, o que permite a programação da poupança como se fosse um encargo. Todavia, já há muitos bancos a expandir esse conceito aos fundos de investimento: em alguns casos, basta um euro para reforçar uma aplicação.


Mais do que nunca, poupar para a reforma é um assunto muito urgente. Com a redução das vantagens dos PPR, é preciso repensar as estratégias de poupança.


É certo que a inércia poderá conduzir muitos aforradores a deixar tudo como está e a continuar a fazer as entregas programadas para os PPR ao longo do ano, quanto mais não seja para acumular capital. Mas essa não é a opção mais acertada. Os PPR não são mais do que fundos mistos com custos mais elevados e pouca liquidez. Por isso, já não temos Escolhas Acertadas nos PPR mas aconselhamos o leitor a continuar a fazer o pé-de-meia para a reforma, mudando de estratégia, pois existem alternativas mais rentáveis e com menos comissões.

Se já tem um PPR, siga as recomendações que já demos: não faça novas entregas e transfira o capital aplicado para um PPR mais rentável e com menos comissões.

É importante, contudo, que continue a poupar. Por isso, sugerimos novas estratégias para as quais deve canalizar as suas poupanças, consoante a sua idade e montante que tem disponível ou que estime que consegue amealhar periodicamente.

Conheça as estratégias de poupança adequadas a cada idade no portal financeiro da Proteste Investe, em www.deco.proteste.pt/investe, na última análise publicada no canal Reforma.




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