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Os investidores devem entrar na folia?

Os ativos brasileiros podem animar os seus investimentos, mas não abuse pois o risco permanece elevado

Deco Proteste 30 de Março de 2015 às 11:23
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Com a debilidade económica na zona euro, é inevitável a procura de mercados mais interessantes para investir. Do outro lado do Atlântico, os Estados Unidos têm permanecido uma das nossas escolhas incontornáveis, mas a sul do equador há outra opção a ter em conta: o Brasil. Como oitava maior economia do mundo e o quinto país mais populoso, o gigante sul-americano tem argumentos de peso, mas será que os ativos brasileiros são uma boa aposta a longo prazo?


Fraco crescimento
Após um primeiro semestre de 2014 marcado pela recessão, o Brasil retomou o crescimento no verão. A progressão continua a ser dececionante em relação ao potencial do país e não vai mudar tão cedo. Esperamos que ao longo de 2014, o PIB tenha progredido apenas 0,2%. E para 2015 e 2016, as já fracas previsões de crescimento foram, entretanto, revistas em baixa. O país continuará, portanto, longe do seu potencial de crescimento real - que estimamos situar-se em cerca de 3,5%. Os problemas estruturais continuam a afetar a economia, apesar dos ingredientes que poderiam dinamizar o crescimento estarem presentes. O que se passou? Preços elevados das matérias-primas, excesso de liquidez nos mercados e o boom de crédito ao consumo poderiam ter sido ingredientes suficientes para dinamizar o crescimento. Contudo, as autoridades não souberam utilizar este ambiente favorável para resolver os problemas estruturais do Brasil. Muitas infraestruturas permanecem antiquadas, o mercado interno brasileiro está fragmentado e alguns setores estão sobreprotegidos da concorrência, gerando ineficiências graves. A força de trabalho continua a ser, em geral, pouco qualificada, enquanto a burocracia e a corrupção permanecem problemáticas.

 

Relativo otimismo
Há, no entanto, razões para ter esperança. Em primeiro lugar, a gestão das finanças públicas permanece responsável e em 62% do PIB, a dívida pública não é preocupante. Em segundo lugar, os salários reais continuam a subir, sustentando o consumo privado. Por seu turno, o banco central brasileiro mantém uma boa reputação e é considerado muito credível junto dos investidores. Como a inflação continua a ser um problema, não hesita em subir a taxa de juro de referência, a Selic, para tentar controlar a subida dos preços. Com o aumento decidido em janeiro, a Selic foi fixada em 12,25%. Um valor astronómico quando o comparamos com a taxa de 0,05% que vigora na zona euro. Em termos de política económica, para o segundo mandato, a Presidente Dilma Rousseff escolheu uma equipa consciente da necessidade de reformas e pronta a adotá-las. Se o novo Governo estiver de facto à altura destas expectativas, o Brasil deverá tornar-se mais interessante aos olhos dos investidores. Ao longo dos últimos anos, a bolsa tem refletido o abrandamento da economia e as incertezas sobre a capacidade reformistas do Governo. Após ter recuperado do impacto da crise e subido fortemente em 2009, o índice Bovespa tem vindo a perder algum terreno. Atualmente, e tendo em conta as expectativas de crescimento, o nível atual das cotações apresenta-se bastante interessante. É uma boa oportunidade de investimento a longo prazo.

 


Comprar dívida brasileira
A longo prazo, as perspetivas para o real brasileiro não são muito favoráveis. O nível mais elevado de inflação típico das economias emergentes tende a pressionar as moedas para a depreciação de modo a atenuar a deterioração da competitividade externa destes países. O reverso da medalha é que o banco central brasileiro é forçado a manter taxas de juro bastante elevadas para combater a inflação. No final de 2014, os juros das obrigações em reais rondavam 12%. Agora superam 13%. Este rendimento mais do que compensa as perspetivas de depreciação a longo prazo. Perante a situação difícil que a zona euro atravessa e a necessidade de injeções de dinheiro por parte do Banco Central Europeu, estimamos que nos próximos tempos o real brasileiro deverá permanecer estável face ao euro. Uma conjugação de fatores que tornam as obrigações brasileiras numa diversificação interessante.


Os riscos
Com base na informação atual, consideramos que o rendimento expectável dos ativos brasileiros venha compensar os riscos. No entanto, a situação pode não evoluir pelo melhor caminho. Por um lado, em termos internos, o governo poderá falhar na criação de condições para uma economia mais competitiva. Por outro lado, a conjuntura externa apresenta desafios. Não podemos ignorar a diminuição do valor das matérias-primas que o Brasil exporta. E a inevitável subida dos juros nos Estados Unidos acabará por impactar negativamente no acesso ao financiamento externo e no valor das moedas dos países emergentes. O Brasil está presente nas nossas estratégias, mas o seu peso é limitado (5%) devido ao seu elevado risco.

 

 

 

Este artigo foi redigido ao abrigo do novo acordo ortográfico.

 

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