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São bons mas há melhor

Com os novos Certificados do Tesouro pode fazer render as poupanças mais de 3% por ano com a garantia do Estado. Melhor que os de Aforro, mas aquém das Obrigações do Tesouro

Deco Proteste 02 de Dezembro de 2013 às 09:29
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Quando pôs fim à subscrição dos Certificados do Tesouro, o Governo prometeu voltar a lançar novos produtos destinados aos pequenos aforradores. Essa promessa é agora concretizada com o lançamento dos Certificados do Tesouro Poupança Mais (CTPM). Será que o novo produto consegue ficar a par das expectativas? Com a subscrição possível desde o dia 31 de outubro, os CTPM são, na forma atual, uma boa opção de investimento, mas não superam as Obrigações do Tesouro.


Copiando os bancos
Os CTPM são um produto de taxa crescente, à semelhança de muitos depósitos bancários, e com um prazo máximo de 5 anos. As taxas líquidas em cada ano são de 2%, 2,7%, 3,4%, 3,6% e 3,6%. Se mantiver durante os 5 anos, significa que obtém uma taxa anual efetiva líquida (TAEL) de 3%. Nos últimos 2 anos, os juros terão um bónus em função do crescimento económico de Portugal. Se assumirmos, como hipótese, a previsão de crescimento de 1,8%, avançada pelo Fundo Monetário Internacional para 2018, a TAEL sobe de 3% para 3,4%. Embora positiva para o aforrador, esta indexação ao produto interno bruto colocaria os CTPM na categoria dos produtos financeiros complexos caso fossem vendidos pelos bancos. Tal implicaria mais exigência na informação a prestar, mas tal não acontecerá: infelizmente, apesar das nossas reivindicações, os títulos do Estado continuam a reger-se por normas próprias e não são alvo de uma supervisão independente.


Vender Aforro, subscrever CTPM
A manterem-se as atuais condições, os Certificados de Aforro (CA) são a opção mais rentável se quiser investir até um prazo de 2 anos. Se o seu horizonte é superior (mas até 5 anos), compensa resgatar os CA e subscrever os novos CTPM. Só uma subida em cerca de 1% da Euribor todos anos permitiria aos CA atingir a rentabilidade mínima dos CTPM, um cenário praticamente impossível nos próximos 5 anos, dada a débil situação económica da zona euro e a consequente política de baixas taxas levada a cabo pelo Banco Central Europeu.


Apesar de considerarmos positivo o lançamento, este fica aquém das nossas reivindicações. O mercado mais atrativo das Obrigações do Tesouro (OT) continua fora do alcance da maioria dos investidores devido à sua maior complexidade. Esta barreira pode impedir muitos de optar pelas OT que, como pode ver na figura em cima, são a opção mais rentável de dívida pública.


Se tudo correr bem e o Estado voltar a emitir mais OT durante 2014, deveria aproveitar essa oportunidade para abrir este mercado, de forma simples, aos pequenos aforradores. Mas mesmo que isso não venha a acontecer, pode continuar a investir nas obrigações de dívida pública. Terá é de fazê-lo como até agora, isto é, através de uma operação de compra na bolsa. Mesmo quem está familiarizado com as lides bolsistas poderá deparar-se com alguns entraves práticos dada a especificidade do mercado de obrigações. Se for este o seu caso e queira investir nas OT, pode recorrer ao protocolo que firmámos com a Optimize. A partir de 10 mil euros pode aplicar facilmente em OT com maturidades até 11 anos.


E fica a dúvida
Os CA, bem como os anteriores Certificados do Tesouro, têm uma remuneração que é fixada mensalmente. No caso dos CA vigora nos 3 meses seguintes à subscrição. Em novembro, a taxa anual nominal líquida é de 2,3%. Nos antigos CT era fixada para um prazo de 10 anos. Nos novos CTPM não está previsto o mesmo sistema. As taxas de juro já divulgadas são válidas para os próximos 5 anos para quem subscrever agora. Tendo em conta a evolução das taxas de juro nos mercados da dívida e o histórico do Estado no que diz respeito a mudanças de regra nos seus produtos de aforro, é pouco provável que se mantenham durante muito tempo para novas subscrições. O mais certo é serem emitidas novas séries de CTPM com taxas de juro diferentes das atuais, tal como a banca faz com os seus produtos. Também o prémio de permanência extra de 2,75% que os CA usufruem termina no final de 2016. Até lá, cá estaremos para dar recomendações. Com tantas dúvidas no horizonte, manteremo-nos atentos para lhe indicar qual a melhor solução, a cada momento, para as suas poupanças.

 

 

 

Descubra as diferenças


Os Certificados do Tesouro Poupança Mais são os parentes mais próximos dos Certificados de Aforro, mas, mesmo assim, há muitas divergências entre os dois produtos do Estado

 

 

 

 

 

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