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Euronext encarece transacções para o pequeno investidor

Com a migração da Bolsa de Lisboa para a Euronext, a taxa de bolsa das transacções foi alterada de 0,015% para 2 euros, penalizando quem negoceia pequenos montantes.

Negócios negocios@negocios.pt 12 de Março de 2004 às 17:44
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Apesar do aumento dos custos, se optar pelas nossas Escolhas Acertadas, pode poupar várias dezenas de euros por ano.

Um investidor particular não pode comprar e vender acções directamente na Bolsa. Para o fazer, tem de recorrer aos serviços de um banco ou de uma corretora, a troco de uma comissão. É claro que, quanto mais altos forem estes encargos, menos ganhos terá.

Por isso, convém saber a quem entrega as suas poupanças. No último ano, os custos de deter e gerir uma carteira de acções sofreram agravamentos. A esta situação não é alheia a entrada efectiva da Bolsa de Lisboa na Euronext (ver caixa) e a alteração da taxa de Bolsa.

Paralelamente, muitos intermediários também começaram a cobrar uma comissão pela custódia de títulos. Custos e mais custos. Compra e venda.

Quando o investidor compra ou vende acções, regra geral, o intermediário financeiro cobra-lhe uma percentagem sobre o valor transaccionado: entre 0,15 e 0,50%, com mínimos que oscilam entre 0 e 20 euros.

Alguns intermediários optam por cobrar um valor fixo (entre 3,85 e 10 euros). Sobre esta comissão incide ainda o imposto de selo à taxa de 4%.

Ou seja, suponhamos que adquire 1.000 acções da Portugal Telecom a 8 euros cada, o que equivale a uma transacção de 8.000 euros. Como o intermediário fica com 0,5%, teria de pagar-lhe 40 euros (8000 x 0,5%) e ainda 1,60 euros de imposto de selo.

Alguns cobram também entre 1 e 5 euros, se a ordem não for executada ou o cliente decidir alterá-la. Taxa de bolsa. Os intermediários não são os únicos que se fazem cobrar pelos seus serviços.

A própria Euronext Lisboa também cobra uma taxa sobre as compras e vendas efectuadas. Até Novembro, esta taxa era de apenas 0,015% sobre o valor das transacções e, dado o seu reduzido valor, não era muito significativa no cômputo geral dos custos.

Porém, com a entrada na Euronext, mudou para 2 euros por negócio. Ora, como uma ordem, por vezes, pode ser executada em vários negócios, os investidores nunca sabem quanto poderão vir a pagar.

Imaginemos que dá uma ordem de compra de 20 mil acções da Portugal Telecom ao melhor preço disponível. Dada a dimensão da ordem, é possível que não possa ser executada de uma só vez.

Pode acontecer que tenha de comprar primeiro 7.500 acções, depois 5.000 e só mais tarde as restantes 5.000. Nesse caso, a ordem seria repartida em três negócios, tendo de pagar uma taxa de bolsa de 6 euros.

Quanto menos líquidos forem os títulos transaccionados ou maior a dimensão da ordem, maior será a probabilidade de esta ser repartida em vários negócios. Nas acções mais transaccionadas, como a Portugal Telecom, a EDP, o BCP ou a Sonae, é pouco provável que tal aconteça.

Em princípio, o mesmo é válido para os pequenos investidores, que aplicam pouco de cada vez.

Face a esta mudança, os intermediários seguiram duas vias: uns continuaram a repercutir directamente o custo no investidor; outros, para evitar os custos acrescidos desta fragmentação, passaram a incluir a taxa de bolsa nas comissões de transacção.

É o caso da Caixa Geral de Depósitos, ActivoBank7, Millenniumbcp, Montepio Geral, DIF Brokers e Luso Partners. Assim, mesmo que a ordem seja executada em 10 negócios, o investidor paga sempre o mesmo.

No entanto, como é mais elevada (entre 9 e 20 euros), penaliza os pequenos investidores e as ordens executadas num negócio. Guarda de títulos. Embora a esmagadora maioria das acções já só tenha existência digital, quase todos os intermediários cobram uma comissão pela guarda dos títulos.

Regra geral, é um montante fixo (entre 10 e 40 euros por ano), que pode ser pago trimestral, semestral ou anualmente.

Àquele valor é ainda somado o IVA (19%). Com a introdução da comissão de supervisão da Comissão do Mercado de Valores Mobiliário (CMVM), diversos intermediários aproveitaram o “balanço” para passarem a cobrar pela custódia de títulos.

Só a Probolsa / Banco Alves Ribeiro e a Luso Partners isentam os clientes deste encargo. Se transaccionar grandes montantes, negoceie a redução desta comissão. O facto de deter outros produtos, como cartões de crédito ou empréstimos, podem também reduzir este encargo.

Portes e expediente. Esta comissão é cobrada sempre que o intermediário envia documentação para casa do cliente, pelo correio (extractos, por exemplo) e varia entre 0,30 e 2 euros.

Alguns intermediários cobram-na para informar sobre a execução de uma ordem de compra ou venda. Outros também se fazem remunerar pelo envio da informação respeitante ao pagamento de dividendos. Pagamento de dividendos.

É prática comum das empresas cotadas na bolsa distribuírem anualmente parte dos seus lucros pelos seus accionistas. No entanto, este montante não chega intacto à mão do investidor.

Primeiro, o Estado fica com uma parte do bolo. Depois, é a vez do intermediário cobrar uma comissão, regra geral, de 1 ou 2,5% sobre o valor líquido (depois de deduzidos os impostos). A este valor é posteriormente somado o IVA.

A Probolsa e a L. J. Carregosa são as mais penalizadoras, abatendo 3% aos dividendos. A Bigonline é a única a cobrar um valor fixo: 2,50 euros por pagamento. Impostos.

Além dos impostos que são cobrados de forma directa e já referimos (IVA e imposto de selo), existem outros que incidem sobre os eventuais ganhos.

A escolha do intermediário errado pode custar-lhe várias dezenas de euros por ano.

Como pode ver no gráfico, um investidor “agressivo” pode poupar acima de 700 euros, se optar pela nossa Escolha Acertada ao balcão, face à média dos intermediários para aquele canal.

Tal discrepância deve-se à estrutura de custos do intermediário e do canal (balcão, telefone ou Internet) que cada consumidor utiliza.

Se, por exemplo, investe pequenos montantes de cada vez, é mais prejudicado por custos fixos, como a guarda de títulos e a nova taxa de bolsa.

Por outro lado, as transacções de elevado montante tendem a ser mais penalizadas quando as comissões de compra são definidas em percentagem.

As comissões praticadas pela Internet, ainda que tenham aumentado com a introdução da nova taxa de bolsa, são geralmente mais reduzidas do que ao balcão ou pelo telefone.

Mas as vantagens não são apenas quantitativas: em regra, propicia maior rapidez nas transacções e variedade de informação.

Claro que a Internet só é viável para quem dispõe de um computador e de ligação à rede, bem como de algum à-vontade para dar as suas ordens on-line.

Não sendo o caso, terá de deslocar-se ao balcão ou usar o telefone. Antes de investir, verifique se o seu perfil é compatível com o elevado risco associado às acções.

Deve investir por um prazo mínimo de 5 anos, para diluir os resultados de anos maus e “diversificar” as accões.

O nosso estudo

Para a realização deste estudo, enviámos um questionário a cerca de 30 intermediários financeiros (bancos e corretoras).

Neste, pedimos-lhes que nos enviassem as comissões de compra e venda de acções portuguesas para balcão, telefone e Internet.

Nos nossos cenários, para a opção “balcão” não considerámos os intermediários que privilegiam os canais alternativos, como a Internet.

O Crédito Predial Português, o Santander e o Totta não responderam, alegando que estavam a proceder a alterações no preçário.

Por limitações de espaço, no quadro, não discriminamos todos os intermediários analisados, mas as Escolhas Acertadas e os maiores bancos ou grupos financeiros a operar em Portugal.

No entanto, se o banco com o qual trabalha não é nenhum dos que fazem parte desta lista e quer saber quanto cobra pela transacção de acções, visite a nossa página na Internet (www.deco.proteste.pt)

Euronext: o que é?

A Euronext é a segunda maior bolsa europeia, logo após a londrina.

Em Setembro de 2000, agrupava apenas as bolsas de Amesterdão, Bruxelas e Paris.

Mas, desde então, a ela já se juntaram a Bolsa de Futuros e Opções de Londres e também a Bolsa de Lisboa (Fevereiro de 2002).

 

O porquê desta mudança

Para a Bolsa de Lisboa, a migração para a Euronext garante maior visibilidade às maiores empresas nacionais cotadas, sobretudo às que integram índices como o PSI-20 (por exemplo, Portugal Telecom, Brisa, Sonae, EDP).

Para as empresas de menor expressão, resta saber se vão continuara optar por estarem cotadas na Euronext, pois o custo de fazer parte desta “grande família” deverá ser superior ao cobrado anteriormente.

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