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Divisas: quais são as estrelas da companhia?

Algumas moedas valorizaram acima dos 10%, nos últimos cincos anos. Outras caíram. Há várias formas de investir, umas com mais risco do que outras.

Deco Proteste 03 de Março de 2020 às 12:00
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Algumas horas antes de Donald Trump proferir a tão aguardada declaração sobre a resposta dos Estados Unidos ao ataque dos mísseis iranianos, o iene valorizou, no dia 8 de janeiro, face ao euro e ao dólar. O mesmo aconteceu com o franco suíço, que atingiu o valor mais alto desde há 21 meses em relação ao euro. As duas divisas são, a par com o ouro, consideradas moedas de "refúgio" em momentos de incerteza, como este que opôs americanos a iranianos. No dia seguinte, a situação inverteu-se.

O dólar e o euro voltaram a apreciar-se quando se percebeu que Trump não iria enveredar por uma solução bélica.

Os câmbios são mesmo assim, incertos. Quem investe em ativos estrangeiros, sejam ações, obrigações ou fundos, é afetado pelo comportamento da moeda estrangeira do investimento que fez face ao euro. Se se apreciar, o investidor conseguirá uma valorização adicional.

Um exemplo: se tivesse adquirido, a 21 de dezembro de 2018, uma ação da IBM a 111 dólares, estando a moeda americana cotada a 0,8761 euros, ao vendê-la a 8 de janeiro de 2020, teria beneficiado da valorização do título (135 dólares), bem como da apreciação do dólar, que, a 8 de janeiro, valia 0,8997 euros. Ou seja, o rendimento calculado em euros foi superior em 3 pontos percentuais (25,2% em vez de 22 por cento).

O contrário também pode acontecer. Se a moeda do ativo se depreciasse, essa perda seria deduzida ao valor do seu investimento, quando medido em euros.

Os câmbios são, assim, fonte de risco, mas, no mundo financeiro, este é essencial, desde que na dose certa, para potenciar os ganhos. Vários estudos demonstram que os investimentos noutras divisas reduzem o risco global de uma carteira.

Como ganhar dinheiro com divisas

Ter em casa uma mala cheia de dólares ou de francos suíços não é muito prático!

Também não aconselhamos os investidores menos experientes a investir no tão afamado Forex. Este mercado alia a imprevisibilidade das divisas a um grau de alavancagem tipicamente elevado, multiplicando o risco.

Como pode, então, tentar ganhar com as taxas de câmbio? Depósitos em moeda estrangeira são uma opção menos arriscada. Permitem juntar alguns juros ao ganho (ou perda) cambial. Têm, porém, dois tipos de problemas. O primeiro tipo é de ordem prática: a oferta de depósitos em moeda estrangeira, nos bancos nacionais, é limitada, e abrir conta em bancos estrangeiros, por exemplo, suecos ou noruegueses, levanta questões burocráticas. O segundo tipo de problemas tem que ver com as taxas de juro reduzidas.

Na maioria dos países europeus, os juros são baixos, ou mesmo nulos, e, muito provavelmente, terão pouca relevância face aos ganhos ou perdas da divisa.

Uma opção mais simples seria investir através de fundos do mercado monetário (fundos de tesouraria), ou obrigações de curto prazo. Na teoria, é semelhante aos depósitos, mas sem a burocracia habitual.

Contudo, na conjuntura atual, não recomendamos este tipo de fundos, dado o baixo rendimento dos ativos subjacentes. É preferível investir a longo prazo em fundos de obrigações de divisas que equilibrem o rendimento dos ativos com perspetivas positivas para a divisa. O grau de incerteza diminui e é mais provável que as divisas sigam o rumo esperado.

Entre os fundos que recomendamos, e que pode consultar em www.deco.proteste.pt/investe, estão fundos de obrigações em coroas norueguesas (Nordea 1 Norwegian Bond E EUR), bem como em ienes japoneses (Eurizon EasyFund Bond JPY LTE R).

Em 2019, são de realçar os ganhos da libra esterlina (5,9%), conseguidos exclusivamente no segundo semestre do ano após o acordo entre o Reino Unido e a União Europeia sobre o Brexit. A moeda britânica penou nos últimos cinco anos devido à incerteza em torno da saída da comunidade europeia (-8,4% face ao euro), tendo atingido o mínimo a 13 de agosto, pouco depois de Boris Johnson assumir a liderança do Partido Conservador.

Neste momento, a libra está num valor equilibrado face ao euro, e prevemos que assim se mantenha, a curto e a longo prazo.

A divisa que mais valorizou face à moeda europeia, em 2019, foi o dólar canadiano (7,3%). O mesmo não aconteceu nos últimos cinco anos (-3,7%). Duas divisas "refúgio" também tiveram um desempenho interessante. O franco suíço apreciou 3,7%, e o iene japonês, 2,8% face ao euro. Nos últimos cinco anos, a moeda nipónica foi a que mais se apreciou (18,9%), apesar de as taxas de referência se encontrarem há muito em valores negativos.

O real brasileiro, pelo contrário, foi a divisa que mais perdeu entre as moedas analisadas no quadro, neste período, face ao euro (-28,8%). Em 2019, porém, teve uma queda moderada (-1,9%), tendo recuperado dos mínimos alcançados em 2018. A inflação parece controlada e o banco central reduziu as taxas de referência. Salientamos que reduzimos recentemente a exposição aos fundos de obrigações em reais nas nossas carteiras.

Vamos a prognósticos

Quais as divisas que mais vão valorizar? Esta é uma excelente questão, que, amiúde, envergonha os analistas que se aventuram a fazer previsões. A evolução dos mercados cambiais é muito difícil de prever, sendo mais fácil determinar se uma divisa está sub ou sobrevalorizada face a outra. São essas perspetivas que apresentamos no nosso site e no quadro.

A curto prazo, é possível que, em algumas ocasiões, o câmbio se afaste do valor de equilíbrio. Razão pela qual aconselhamos o investimento a longo prazo.

Um bom exemplo é a coroa sueca, que, apesar de estar, segundo as nossas estimativas, subvalorizada face ao euro, se depreciou. Para reverter a situação, o banco central sueco está disponível para rever a política acomodatícia que vem seguindo. O ano de 2020 poderá ser, finalmente, aquele em que a coroa sueca dará alegrias aos investidores. A coroa da sua vizinha Noruega também apresenta perspetivas positivas a longo prazo. O iene japonês é outra divisa a manter debaixo de olho, sobretudo em momentos de instabilidade dos mercados, em que tende a beneficiar devido à elevada liquidez.

Aproveitamos para esclarecer uma dúvida frequente dos investidores sobre se é relevante um fundo apresentar a sua unidade de cotação em euros ou na moeda de origem. A resposta é: não.

Para o investidor residente na Zona Euro, o valor do fundo vai sempre refletir a variação do ativo e da divisa. Apenas os fundos com cobertura cambial (que normalmente contêm "H" ou "FH" no nome, do inglês hedged) não refletem a variação da divisa. Pode sempre fazer uma "cobertura cambial", imunizando total ou parcialmente o investimento. Em regra, não recomendamos. Além de ter um custo, reduz o desempenho do investimento.

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