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A empresa pavão

Sexy, adaptável e com um monopólio temporário. Estas são, de acordo com o guru da "nova" gestão, Kjell Nordström, as características essenciais das organizações que farão a diferença no pós-crise. Na sessão de abertura do SAS Fórum Portugal 2009, o autor e professor que aconselha a "gozar o capitalismo" obrigou, mais uma vez, os gestores portugueses a saírem da sua zona de conforto e a mergulharem na poderosa máquina da liberdade.

Helena Oliveira - Portal VER helena.oliveira@ver.pt 14 de Outubro de 2009 às 13:07
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Sexy, adaptável e com um monopólio temporário. Estas são, de acordo com o guru da "nova" gestão, Kjell Nordström, as características essenciais das organizações que farão a diferença no pós-crise. Na sessão de abertura do SAS Fórum Portugal 2009, o autor e professor que aconselha a "gozar o capitalismo" obrigou, mais uma vez, os gestores portugueses a saírem da sua zona de conforto e a mergulharem na poderosa máquina da liberdade.

Não é a primeira vez que o muito pouco convencional autor de "Funky Business" e de "Karaoke Capitalism" faz as delícias de audiências nacionais. Contrastando com a discrição habitual que caracteriza os gestores portugueses, é impossível não se ficar rendido à exuberância provocadora de Kjell Nordström, uma verdadeira estrela dos palcos.

Mas também não é possível ficar indiferente à forma como o professor e autor de best-sellers fala das empresas da actualidade e das forças sociais que as obrigam a estarem preparadas para um ambiente cada vez mais quente. Tal como as alterações climáticas, defende Nordström, o que realmente interessa ao final do dia é a temperatura: tudo o resto são efeitos colaterais do seu aumento.

E, no panorama empresarial da actualidade, a informação toma o lugar que a temperatura tem na natureza. Graças a ela, a educação terá de ser radicalmente redefinida e, por experiência própria, Nordström afirma que ele e os seus colegas professores universitários já não sabem muito bem o que fazer com os alunos. “É que bem vistas as coisas, eles já não precisam de nós”, afirma.

Como a temperatura aumentou significativamente, todo o ecossistema se transforma e é afectado por forças como esta. Na verdade e de acordo com o guru sueco, o conhecimento acumulado no Planeta Terra cresce exponencialmente e esta é uma das razões por que as empresas devem colaborar entre si, o mesmo acontecendo com as universidades que, cada vez mais, formam alianças e de que é exemplo a Community of European Management Schools (CEMS).

O novo normal ou SNAFU

Apesar do título da apresentação de Nordström ser “a arte de fazer dinheiro na sociedade pós-crise”, de crise pouco falou o professor sueco. Pelo menos no que diz respeito ao capitalismo – que não é uma ideologia, porque nele não se pode votar – mas sim uma poderosa e eficaz máquina que se limita a separar o trigo do joio.

“Quem está em crise é a General Motors ou a Islândia”, sublinha o guru, acrescentando que, na verdade, o capitalismo está muito bem de saúde e funciona na perfeição. Esta máquina que separa criteriosamente e em todas as indústrias, o que é do que não é eficaz está, contudo, a ser afectada por algumas tendências que alteram a sua forma de compensação.

E o “novo normal”, termo que nos últimos meses tem sido usado e abusado, mais não é do que um termo militar – SNAFU (ou, e perdoem os leitores, mas a definição das siglas a isso obriga, Situation Normal All Fucked Up) agora utilizado no cenário organizacional.

“Normalizar tudo é uma das nossas características e está bem patente nos negócios ou na política”, afirma. E não é possível planear nada, avisa o também consultor de algumas das maiores empresas do mundo.

Falemos então das forças que obrigam o capitalismo a recompensar umas [empresas] em detrimento de outras: a demografia, especialmente no que respeita ao envelhecimento da população; o número significativamente crescente de mulheres a invadirem as universidades (sem se saber, exactamente, por onde andam os homens) e que leva Nordström a questionar se, caso o Lehman Brothers fosse antes Lehman Sisters, teria ido mesmo à falência, visto que as mulheres evitam o risco e pagam todas as suas dívidas (numa referência ao trabalho desenvolvido por Muhammad Yunus, o Nobel da Paz, e o seu Grameen Bank que, com mais de 90% de clientes do sexo feminino, não tem qualquer tipo de problema de pagamentos em atraso); o facto do agregado “familiar” ser, em cada vez mais países, composto por apenas uma pessoa, com a ressalva da Suécia ser actualmente o país com a mais significativa taxa de crescimento de natalidade, mas não existirem famílias “tradicionais”; a urbanização em excesso, ou seja, o facto de, em 2020, as estimativas apontarem para que 70% da população mundial viva em cidades, sem esquecer a respectiva actividade económica e, por último, a importância de “o mercado”, ou por outras palavras, a China, com seis mil milhões de pessoas, a par das restantes economias emergentes pertencentes aos BRIC (Brasil, Rússia e Índia).

Estas tendências obrigam, quer com elas concordemos ou não, a uma alteração radical da forma como fazemos negócios e ganhamos dinheiro. A máquina que escolhe os mais eficazes, em conjunto com estas forças, permite às pessoas serem livres para aprender, ir, ser ou fazer. “Pense nestes verbos e pense nos seus filhos. Pense nestes verbos e pense nos seus clientes”, exorta Nordström. Tudo tem de mudar, tudo tem de se adaptar, pois a máquina não recompensa “ mais do mesmo”, assegura.

Uma última nota antes de o Professor passar à lição seguinte: para os que vaticinavam o fim da América ou a sua descida íngreme no “ranking” da competitividade e da inovação, desenganem-se. A América estará de volta, em todas as áreas, muito simplesmente porque “não é um país, é uma ideia, um projecto, um projecto em contínuo” e é o único local no mundo onde um austríaco chamado Schwarzenegger consegue mudar de exterminador para governador. Tal como o Real Madrid não quer saber quantas nacionalidades existem no seu plantel dourado, os Estados Unidos também não se importam que cerca de 70% da população pensante de Silicon Valley não tenha nascido em solo norte-americano. “Os restantes mercados serão importantes, sem dúvida, mas no que toca à inovação, ninguém bate a Ameritocracia”, garante.

De Darwin ao iPhone, a Madonna ou à IKEA

Todos sabemos que ter uma ideia constitui o primeiro passo para um bom negócio ou serviço. O problema é que a esmagadora maioria das ideias é má. Assim, gestor ou empreendedor que se preze tem de começar por perguntar a si mesmo: “será que esta ideia me poderá trazer um monopólio temporário ou não?”. E foi esse espaço conquistado que, em indústrias tão diferentes como a do mobiliário, dos telemóveis ou do entretenimento, fez com que a sueca IKEA com o seu design prático e acessível, a Apple com o seu iPhone e Madonna com a sua capacidade camaleónica se mantenham como alguns dos maiores ícones da actualidade. Ou seja, no presente, em que tudo é parecido, o que poderia parecer necessário passa a não ser suficiente. A diferenciação é a chave do sucesso e, para tal, há que combinar alguns caminhos.

Pensemos na natureza, pensemos numa bactéria. Ínfima e sem inteligência. E como conseguem sobreviver? Não porque são grandes ou fortes, mas porque são adaptáveis. E já Darwin o dizia. Não vivemos no mundo dos mais fortes, mas naqueles que melhor se vão adaptando às circunstâncias: a sobrevivência dos mais aptos.

Pensemos no pavão, um animal que tem penas, mas não consegue voar; que tem pernas, mas não consegue correr. Em termos gerais, o que o pavão consegue é pavonear-se. Não serve para nada, a não ser para acasalar. E nisso não há quem o bata. “O pavão é uma sex-bomb”, afirma Nordström. E temos a sobrevivência dos mais sexys.

De salientar ainda que no monopólio temporário – que tem como base a adaptação, a transformação e a atracção –as emoções, a capacidade de sedução e a criatividade ocupam, todos eles, posições cimeiras. “E é com base nestas características que esta máquina fantástica produz a liberdade”. Portanto e como aconselha Kjell Nordström ENJOY CAPITALISM!

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