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Os Invisíveis

São avessos à cultura vigente da autopromoção, não passam o dia a contar o número de likes e de seguidores no Twitter e partilham três traços em comum: ambivalência face ao reconhecimento, gosto pela meticulosidade e um enorme sentido de responsabilidade. São os “invisíveis”, ou aqueles que preferem o anonimato, apesar de extremamente respeitados nas suas áreas profissionais

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A "doença" não é nova, mas tem vindo a contagiar um número crescente de pessoas. Na era do self e das selfies, e com ajuda inestimável das redes sociais, a obsessão por nós próprios e pelo reconhecimento dos outros – na maioria das vezes contabilizados pelo número de amigos, likes e partilhas no Facebook, ou de seguidores no Twitter – transformou-se numa busca incessante por aplausos. De acordo com muitos críticos da tecnologia, na actual versão da era digital, o "penso, logo existo" foi substituído por uma busca desesperada por atenção, sendo a existência e a auto-estima construídas por reconhecimentos externos.

 

Todavia, são ainda muitos aqueles que, apesar de excelentes profissionais, nas mais diversas áreas, mais felizes e realizados se sentem, quanto mais anónimos permanecerem. E este é o mote para um livro imperdível, intitulado Invisibles: The Power of Anonymous Work in an Age of Relentless Self-Promotion, escrito por David Zweig, ele próprio um "invisível" e que é dedicado em particular a todos os excelentes profissionais que não precisam de ser publicamente reconhecidos para sentirem uma enorme realização pessoal e profissional.

 

David Zweig trabalhou, durante cinco anos, como verificador de factos para uma revista do prestigiado grupo Condé Nast. E, como conta à strategy + business e à revista The New Republic, "sempre que alguém lê um determinado artigo ou reportagem, nunca se questiona sobre quem verificou a veracidade dos factos contidos nos mesmos". Ou, por outras palavras, esta profissão só se torna visível quando é encontrado um erro que não foi assinalado pelo verificador. Assim, e no mundo da altura em que se movia David Zweig – o qual, entretanto, se tornou colaborador de vários meios de comunicação prestigiados como a revista The Atlantic e os jornais The New York Timese o Wall Street Journal – quanto maior fosse a qualidade do seu trabalho, menos "reconhecimento" externo receberia, algo que não preocupava minimamente o autor, bem antes pelo contrário. "O mais interessante em ser um verificador era o facto de, quanto melhor fazia o meu trabalho, mais desaparecia mas, e mesmo assim, sentia-me completamente recompensado no final do dia", afirmou.

 

Todavia, e percebendo que existia esta estranha e ambivalente relação entre a qualidade do seu trabalho e o reconhecimento face ao mesmo e vivendo num mundo em que quanto melhor é o trabalho que fazemos, mais atenção por parte dos outros recebemos, Zweig começou a pensar em outras profissionais que partilhavam esta "excelência" e "anonimato" em simultâneo.

 

E assim foi reunindo material para o seu livro, entrevistando e fazendo os perfis de vários profissionais "invisíveis", de que são exemplo uma intérprete das Nações Unidas (Giulia Wilkins Ary , um perfumista, David Apel, que cria fragrâncias para marcas célebres como a Calvin Klein e a Ralph Lauren, um afinador de pianos de elite – que trabalha para a Orquestra Sinfónica de Pittsburgh, um anestesista com o curso de medicina tirado numa das mais prestigiadas universidades americanas, o técnico de som Pete Clemens, da famosa banda Radiohead, o engenheiro de estruturas responsável pela construção de alguns dos edifícios mais altos do mundo ou o cineasta vencedor de um Óscar da Academia, entre outros.

 

Mas afinal o que têm em comum estes profissionais de mão cheia, para além de uma enorme responsabilidade em cima dos ombros e um prazer declarado pelo anonimato?


Motivações extrínsecas ou quando o sucesso não tem de ser traduzido em atenção
Apesar de pessoalmente modestos, e até tímidos, os invisíveis são, na maioria das vezes, líderes muito eficazes. E partilham, todos eles, pelo menos três traços.

 

 

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