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Porter ressuscitado vence ranking de pensadores

De dois em dois anos é publicado o Thinkers50, que distingue os melhores pensadores de gestão do mundo. Depois de 10 anos afastado do primeiro lugar, Michael Porter, em conjunto com o seu já famoso conceito de valor partilhado, regressa ao topo. No top 10, alguns suspeitos seniores do costume e quatro mulheres, num total de 14 eleitas e que estão a abrir caminho firme para estratégias inovadoras e colaborativas em detrimento das velhas e tradicionais lutas concorrenciais. A indústria dos gurus da gestão já viu melhores dias, mas não está morta. Pelo contrário

Helena Oliveira - Portal VER helena.oliveira@ver.pt 20 de Novembro de 2015 às 16:00
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O mundo da gestão já não é o que era. Para os que acompanharam, em particular na década de 1990, o movimento dos gurus desta ciência, é fácil assinalar as diferenças. Na época em causa, eram vários os nomes que sobressaíam e ditavam verdadeiras grandes modas, numa área que tinha contornos bem definidos no que às suas distintas disciplinas dizia respeito. Da Inovação à Estratégia, passando pela Qualidade, pelo Marketing ou pela Liderança, os rostos dos "mestres" conferiam credibilidade e influenciavam fortemente gestores e executivos de todo o mundo a seguirem as suas receitas e a implementá-las nas empresas que geriam.

Hoje, e na medida em que não é só o mundo que deixou de ter fronteiras bem definidas, o mesmo se passa na gestão. A interdisciplinaridade impera e torna-se muito mais complicado, e ineficaz, fazer corresponder uma teoria isolada a uma categoria outrora tradicional deste universo. Mas tal não significa – de todo – que o pensamento em gestão tenha declinado. Pelo contrário, estamos a assistir a uma nova vaga de académicos e de "fazedores" que tentam conferir alguma ordem a uma teia desordenada de novas exigências que se colocam às empresas, neste mundo globalizado e em mudança contínua. Na verdade, o "trabalho" destes novos influenciadores acaba por ser muito mais complexo, dada a estrutura "mutante" do universo empresarial e das variadas filosofias de negócio que abundam e que tentam ganhar o seu próprio lugar ao sol num planeta acometido por inúmeras pressões globais.

Mas também se confirma que alguns dos "velhos gurus" se mantêm em campo, apesar de terem sofrido altos e baixos, em particular na última década, o que também serviu para "crescerem" e se adaptarem aos novos contornos sociais e económicos que ditam as novas regras do jogo. E um dos casos mais flagrantes desta "ascensão e queda" – e que agora ressurge – é mesmo o de Michael Porter, considerado este ano peloThinkers50, como o mais influente pensador da gestão de 2015.

O ranking dos 50 pensadores da gestão mais influentes teve início em 2001 – e para os saudosos dos gurus da velha guarda, vale a pena consultar a lista desse ano – pela mão de Stuart Crainer e Des Dearlove, eles próprios outrora considerados como uma espécie de gurus, se bem que do outro lado da barricada, na medida em que há mais de 25 anos que, em conjunto, escrevem vários best-sellers – 15, no total – sobre as teorias desta área do conhecimento. Outrora colunistas do The London Times, são actualmente editores do Financial Times Handbook of Management e consultores de várias organizações globais, através da consultora que fundaram em 1999 – a Suntop Media. E, na "gíria" da gestão, são considerados como "fazedores de mercados por excelência".

O ranking que publicam de dois em dois anos – e que tem direito a uma cerimónia de "Óscares do Pensamento em Gestão" em Londres – a qual, para além dos 50 distinguidos, inclui também um "prémio de carreira" e outras categorias mais específicas desta ciência social – conta com a colaboração do público que visita o website do Thinkers50 – só este ano votaram cerca de 20 mil pessoas – que podem sugerir nomes ou manifestar o seu apoio a outros pensadores "repetentes" nesta lista. Mas é em conjunto com uma equipa de "especialistas" provenientes de várias instituições de prestígio, que Crainer e Dearlove avaliam os nomeados e chegam aos resultados finais. Para a análise conta um conjunto de critérios alargado, como a relevância, originalidade e apresentação das ideias, o rigor da pesquisa, a acessibilidade e disseminação das práticas em causa, a visão internacional, o "sentido" empresarial e o poder de inspirar e/ou influenciar.

Desde 2001 que o ranking tem sofrido alterações significativas, nomeadamente no que respeita à inclusão de líderes de negócio como Steve Jobs, Richard Branson, Bill Gates ou Jeff Bezos, mas também à de economistas como Paul Krugman ou Alan Greenspan. Sem surpresas, Peter Drucker obteve o primeiro lugar nas edições iniciais do ranking. Mas e em particular nos últimos quatro anos, Crainer e Dearlove concentraram-se mais nos candidatos que exibem abordagens ou filosofias de negócio claramente articuladas com a prática da gestão, geralmente expostas em livros que ficarão, decerto, na história desta disciplina.


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