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Portugal tristonho, mas não desesperado

Através do Índice Vida Melhor, a OCDE analisa, desde 2013, o bem-estar de diversos países, entre os quais Portugal. Na sua mais recente edição, o “jardim da Europa, à beira-mar plantado” é a décima nação “menos feliz” e a segunda menos satisfeita com a vida, entre as 38 que integram a análise. No entanto, o nosso país revela ser extremamente seguro e exemplar em termos de qualidade do ar. De resto, e como vem sendo habitual, a Noruega é o país que lidera o ranking do bem-estar, e a África do Sul o que apresenta os níveis baixos

Mária Pombo - Portal VER 09 de Junho de 2016 às 16:00
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Se é verdade que medir o bem-estar humano implica, hoje em dia e de acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), muito mais que calcular o PIB per capita de cada país, também não é mentira que a subjectividade por detrás deste conceito multidimensional dificulta o trabalho de quem tenta compreender "como vai a vida" nos mesmos. Colocando a tónica nas pessoas, e não apenas em factores macroeconómicos, o bem-estar abrange dimensões tão distintas como o nível de rendimentos, a qualidade do ar, a educação, a segurança e a própria satisfação pessoal com a vida, entre outras. Complementarmente, analisá-las permite compreender, de forma detalhada e mais completa, as verdadeiras condições de vida da população, tendo como base a sua percepção e experiência.

No fundo, apurar as melhorias alcançadas em termos de bem-estar das pessoas e dos seus agregados é uma forma de medir o progresso social. E é com o objectivo de avaliar a qualidade de vida da população de diversos países, indo para além da mera análise do PIB, que a mesma organização realiza, desde 2013, o Índice Vida Melhor.

Na mais recente edição, foi analisada a qualidade de vida dos 34 países da OCDE e também do Brasil, da Rússia, da Letónia e de África do Sul. Habitação, rendimento, emprego, envolvimento na sociedade, comunidade, educação, ambiente, saúde, segurança, satisfação pessoal e conciliação entre a vida pessoal e profissional foram os 11 indicadores utilizados pela OCDE para medir o bem-estar destes países. No mesmo índice, é ainda possível comparar os países entre si e, em alguns casos, analisar as próprias nações em termos de desigualdade (de género, entre regiões ou entre diferentes classes sociais).

Em termos gerais de bem-estar, Portugal encontra-se em 10º lugar, entre os 38 países analisados

Em termos gerais de bem-estar, Portugal encontra-se em 10º lugar, entre os 38 países analisados. Habitação, segurança e qualidade do ar são as únicas dimensões que estão acima da média da OCDE. Todas as restantes ficam abaixo, sendo a satisfação pessoal, o rendimento e o envolvimento na sociedade as categorias onde se notam as diferenças mais acentuadas.

Como seria de esperar, principalmente se tivermos em consideração as duras consequências da crise económica, os rendimentos dos portugueses são bastante baixos, quando comparados com a média da OCDE. O rendimento das famílias portuguesas (após a dedução de impostos) é inferior a 20 mil dólares por ano (equivalente a pouco mais de 17 mil euros), quando a média da OCDE é de 29 mil dólares por ano (ou seja, quase 26 mil euros). A análise revela ainda que, para além desta diferença, existe uma grande discrepância entre os mais ricos e os mais pobres, uma vez que os 20% mais favorecidos conseguem ganhar quase o sêxtuplo do que auferem os 20% mais carenciados.

Também em termos de educação são visíveis as diferenças entre o nosso país e a média dos 34 países da OCDE. Embora a qualidade do ensino ao nível da leitura, da matemática e das ciências, apurada através doPrograma de Avaliação de Estudante Internacional (PISA), não esteja muito longe da média da OCDE (497 pontos vs 488 para Portugal), a verdade é que apenas 43% dos adultos que têm entre 25 e 64 anos concluíram o ensino secundário. E esta percentagem é consideravelmente baixa quando comparada com os 76% da média da OCDE.

No entanto, e felizmente, esta diferença não é tão notória em termos de emprego. Apesar de o desemprego de longa duração apresentar níveis preocupantes e de a emigração em busca de melhores condições de vida e de trabalho ser bastante elevada, principalmente desde o início da crise, este índice revela que 63% dos cidadãos com idades entre os 15 e os 64 anos têm, em Portugal, emprego remunerado, estando apenas três pontos percentuais abaixo da média da OCDE. Adicionalmente, apenas 10% dos empregados no nosso país trabalham horas extras, sendo a média da OCDE de 13%.



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