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Que ameaças pairam sobre o nosso mundo?

O relatório “Global Risks 2013”, publicado esta semana pelo Fórum Económico Mundial, pinta o Planeta Terra em tons carregados.

Helena Oliveira - Portal VER helena.oliveira@ver.pt 11 de Janeiro de 2013 às 12:17

O aumento das desigualdades na distribuição da riqueza e as dívidas públicas insustentáveis surgem no topo dos riscos com maior tendência para se agudizarem na próxima década. E se a persistente debilidade económica incapacita os líderes para abordarem seriamente as alterações climáticas, outros riscos existem, menos mediatizados, que ameaçam profundamente a nossa existência

 

 

Todos os anos, em Janeiro, líderes mundiais de diferentes esferas da sociedade, juntam-se em Davos, nos Alpes suíços, sob a égide do Fórum Económico Mundial (FEM) e com o objectivo de analisar e debater as principais problemáticas que assolam o planeta, tendo como mote um grande tema. “Dinamismo Resiliente” foi o tema escolhido para a reunião deste ano, que terá lugar entre 23 e 27 de Janeiro, e o mesmo espírito – o da resiliência – dá igualmente o tom ao relatório “Global Risks 2013”, divulgado na passada terça-feira pelo próprio FEM.

 

Com base numa pesquisa intensa e extensa que envolve mais de 1000 especialistas de todos os cantos do mundo e de variados sectores da sociedade, o relatório – que vai já na sua 8ª edição – tem como objectivo informar e servir de bússola orientadora aos decisores mundiais, sendo complementado com vários recursos digitais, no site do FEM, entre os quais se destaca a denominada Risk Response Network, uma plataforma colaborativa que ajuda líderes do sector público e do privado a mapear, mitigar, monitorizar e melhorar a sua resiliência nacional aos riscos globais.

 

De sublinhar no entanto, e tal como é afirmado no próprio relatório, que o seu objectivo não é aumentar os níveis de ansiedade para valores ainda mais preocupantes, mas para veicular o necessário debate entre diversos stakeholders de forma a poderem trabalhar em conjunto para divisar as soluções necessárias e urgentes para abordar esta nova constelação de riscos.

 

Uma outra novidade para a edição de 2013 sobre os Riscos Globais advém de uma parceria editorial que o FEM realizou com a prestigiada revista Nature e que identificou os “Factores X” (v. Caixa), ou seja, um conjunto de preocupações emergentes de importância futura possível e com consequências desconhecidas. A ideia é “olhar mais além” e identificar riscos futuros de forma a poder antecipá-los e não a agir de forma reactiva depois de eclodirem. Estes factores X são questões sérias, baseadas nas mais recentes investigações científicas, mas de alguma forma consideradas como remotas quando comparadas com preocupações mais imediatas como os Estados falhados, os eventos climáticos extremos, a fome, a instabilidade macroeconómica ou os conflitos armados.

 

Tempestade económica e ambiental
Dos 50 riscos globais identificados no relatório, as disparidades na distribuição da riqueza e as dívidas públicas insustentáveis (desequilíbrios fiscais crónicos) surgem no topo dos riscos predominantes, com um aumento do pessimismo comparativamente ao relatório anterior. Depois de um ano caracterizado por eventos climáticos extremos, desde o furacão Sandy até às cheias na China, os respondentes elegeram o aumento das emissões de gases com efeitos de estufa como o terceiro risco global mais provável, ao mesmo tempo que o fracasso das adaptações às alterações climáticas é considerado como o risco ambiental com efeitos mais devastadores na próxima década. De acordo com o relatório, a fraqueza económica persistente está a limitar sobremaneira a capacidade para enfrentar e mitigar os desafios ambientais. O relatório alerta para a “tempestade perfeita” que poderá advir da interligação de um colapso financeiro e ecológico. O editor do relatório, Lee Howell, afirma que “a resiliência nacional aos riscos globais precisa de ser encarada como uma prioridade para que os sistemas críticos continuem a funcionar mesmo que uma perturbação grave ocorra”.

 

No que respeita a outros riscos que, supostamente, terão um impacto significativo na comunidade global, de destacar a possibilidade de um fracasso financeiro sistémico e uma crise no fornecimento de água potável, seguidos por desequilíbrios fiscais crónicos, escassez alimentar e a disseminação de armas de destruição massiva.

 

Para Howell, o facto de os riscos identificados para 2013 serem os mesmos eleitos na edição anterior, reflecte o fracasso dos decisores políticos para lidar com estas ameaças. “Existe um forte sentimento de que não estamos a fazer progressos”, afirmou no dia em que o relatório foi apresentado, acrescentando que “as lideranças não estão a fazer o necessário para abordar estas temáticas”. O FEM afirma igualmente que os desafios imediatos para se lidar com os problemas económicos estão a contribuir para que os governos se sintam relutantes em abordar a ameaça de longo prazo provocada pelas alterações climáticas. E, como se pode ler no relatório, “o stress contínuo no sistema económico global está a absorver a atenção dos líderes no que respeita ao futuro próximo. E, entretanto, o sistema ambiental da Terra está, em simultâneo, sob um stress crescente. Os dois choques futuros e em simultâneo de ambos os sistemas poderá desencadear ‘a tempestade perfeita’ com consequências potencialmente insuperáveis”.

 

“Na frente económica, a resiliência global está a ser testada pelas políticas fiscais de austeridade. Na frente ambiental, a resiliência da Terra está a ser testada pelo aumento das temperaturas globais, sendo que eventos climáticos extremos serão tendencialmente cada vez mais frequentes e severos. Um colapso súbito e massivo em uma das frentes irá, certamente, condenar as hipóteses da outra frente no que respeita ao desenvolvimento de uma solução eficaz e de longo prazo”, alerta também o relatório.

 

Todos os anos, e como já foi anteriormente referido, o FEM pede a um painel de especialistas que faça a compilação dos 50 riscos globais. O estudo de 2013 demonstra a alteração de visões desde que a crise deflagrou em meados de 2007. No início desse ano, os cinco riscos mais frequentemente citados eram a ruptura da infra-estrutura de informações críticas, as doenças crónicas nos países desenvolvidos, o choque do preço do petróleo, a conjuntura na China e um colapso no preço dos activos. Em cinco anos, o mundo realmente mudou e, com ele, os seus principais riscos.

 

Os perigos da arrogância na saúde humana
Nos três cenários considerados de maior risco global, os gigantescos progressos na área da saúde são igualmente considerados como potencialmente perigosos.

A Humanidade esteve sempre sob a ameaça constante proveniente das doenças infecciosas. Globalmente, e como se pode ler no relatório, existe uma melhoria significativa na monitorização dos sinais de uma crise relacionada com a saúde, com repercussões nos sistemas de alerta – ou seja, existem hoje muito menos mortes relacionadas com pandemias, ao mesmo tempo que a medicina moderna está constantemente a ir ao encontro de novas doenças com novos tratamentos, como demonstram os progressos relativos ao HIV desde os anos 1980. Todavia, questiona o relatório, será que estes progressos médicos modernos não demonstram uma confiança demasiado excessiva de que a ciência tudo resolve?


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