IMF – Libra valoriza com possível subida de taxas de juro

Libra em máximos de quase uma semana face ao euro; Eur/Usd volta a negociar próximo de mínimos do ano; Crude volta a negociar próximo da linha de tendência ascendente; Ouro renova mínimos do ano nos $1260.
Jornal de Negócios
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IMF - Informação de Mercados Financeiros 25 de junho de 2018 às 10:56

Libra em máximos de quase uma semana face ao euro
O Banco de Inglaterra anunciou na passada quinta-feira que a taxa de juro se permanecerá nos 0.50%. O Comité de Política Monetária votou 6-3 a favor dessa decisão, sendo que Andy Haldane, visto como um dos membros mais dovish dos nove, foi um dos que votou a favor da subida das taxas, tendo despoletado uma valorização da libra. A primeira-ministra Theresa May ganhou uma votação sobre o Brexit no parlamento, derrotando assim os conservadores pró-europeus que queriam criar a possibilidade de o Parlamento se pronunciar sobre o desfecho das negociações do Brexit. Por agora, a saída do Reino Unido da UE poderá continuar a ser comandada apenas pelo governo, num processo doloroso e que deixou o governo dividido. Os membros da Câmara dos Comuns votaram contra uma emenda apresentada pelo grupo de deputados rebeldes.
A nível técnico, o Eur/Gbp encontrou alguma resistência na média móvel de 200 dias, seguindo acima da linha de tendência ascendente iniciada em abril deste ano, linha essa onde encontrou suporte e ressaltou várias vezes nas últimas semanas. Apesar de tudo, o par não apresenta uma tendência definida, pelo que deveremos ter em conta o suporte dos £0.8750 e a resistência dos £0.8850 como referência. O câmbio mantém-se dentro do canal descendente de médio prazo.


Eur/Usd volta a negociar próximo de mínimos do ano
Na última semana, os Estados Unidos voltaram a impor tarifas em $50 mil milhões de produtos oriundos da China. O Ministro do Comércio chinês já afirmou que irá responder na mesma escala e desconsiderou todas as negociações feita até à data. O índice do dólar atingiu máximos de 11 meses. O dólar subiu, com o mercado a perspetivar que uma guerra comercial irá impulsionar a inflação nos EUA devido a importações mais caras. Na Zona Euro, Mario Draghi afirmou que irá ser paciente no "aperto" da política monetária. Em Itália o Ministro da Economia Giovanni Tria, afirmou que é intenção do governo agir para evitar a deterioração das contas públicas.
Tecnicamente, o Eur/Usd aparenta estar numa formação de dead cat bounce ao ressaltar pela segunda vez no suporte fixado a 1.1510-$1550 (zona de retração 100% de fibonacci, com arranque em novembro de 2017). O MACD não está a dar sinais claros de tendência, sendo necessária uma quebra dos $1.1500 para definir a continuidade de tendência.

Crude volta a negociar próximo da linha de tendência ascendente
O crude a meio da semana recuperou com as notícias de que a produção da Líbia tem vindo a cair e com a revelação de uma subida nos stocks dos EUA por parte do API. O foco desta semana ficou voltado para a reunião da OPEP em Viena. A OPEP acordou, na última sexta feira, um aumento da produção em torno de 1 milhão de bpd. O ganho é nominal, tendo em conta que o aumento real será mais pequeno, pois vários países não conseguirão retornar às cotas totais, enquanto que outros produtores não serão autorizados em preencher essa lacuna.
Tecnicamente, o crude cruzou em alta a média móvel de curto-prazo, dando um sinal de compra, à medida que quebra e afasta a linha de tendência ascendente de longo-prazo. A próxima resistência técnica fixa-se nos $69-$70. Contudo poderá ser uma falsa correção e a matéria poderá apresentar fragilidades nos níveis recentes.

Ouro renova mínimos do ano nos $1260
O ouro recuou na passada semana para mínimos de seis meses nos $1260, numa altura em que o índice do dólar atingiu máximos de 11 meses, tendo este último ganho algum ímpeto com a decisão da subida das taxas de juro por parte da Reserva Federal norte-americana.
A nível técnico, a cotação do ouro encontrou algum suporte na linha de tendência descendente de curto prazo, testando a linha de tendência ascendente de longo prazo, iniciada em janeiro de 2017. Esta poderá ser quebrada atendendo ao movimento de baixa do MACD. O metal acabou por quebrar a barreira do nível de retração fibonacci dos 61.8% nos $1285. O RSI de 14 períodos em níveis oversold, poderá eventualmente fazer ressaltar o par no suporte dos $1260, que coincide com a linha crescente de longo prazo.

As análises técnicas aqui publicadas não pretendem, em caso algum, constituir aconselhamento ou uma recomendação de compra e venda de instrumentos financeiros, pelo que os analistas e o Jornal de Negócios não podem ser responsáveis por eventuais perdas ou danos que possam resultar do uso dessas informações. Caso pretenda ver esclarecida alguma dúvida acerca da Análise Técnica, por favor contactar a IMF ou o Jornal de Negócios.

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