IMF – Real brasileiro cai para mínimos de um mês face ao euro

Produção industrial brasileira recuou quase 11% e faz disparar inflação; Eur/Usd testa limite superior do triângulo descendente; Crude testa novos máximos, mas corrige em baixa; Ouro reage em alta após renovar mínimos do ano.
Jornal de Negócios
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IMF - Informação de Mercados Financeiros 09 de julho de 2018 às 11:01

Produção industrial brasileira recuou quase 11% e faz disparar inflação
O real brasileiro recuou para mínimos de um mês face ao euro. Na passada semana, os dados da produção industrial brasileira revelaram um recuo de 10.9% (sazonalmente ajustado) em maio, face ao mês anterior, em grande parte devido à greve dos camionistas no país que durou 11 dias e que afetou a produção de várias unidades industriais do Brasil. Esta foi a maior queda desde dezembro de 2008, sendo que naquela altura a crise mundial fez o referido indicar recuar 11.2%, e o segundo pior resultado desde 2002. A referida greve levou a inflação para o valor mais elevado para o referido mês desde 1995 nos 1.26%, tendo sido a primeira vez que esta superou os 1% desde janeiro de 2016.
A nível técnico, o Eur/Brl encontra-se fora do limite superior das bollinger bands. Contudo, o forte sinal de compra dado pelo MACD deve prolongar a valorização do par, podendo, no entanto, ocorrer pequenas correções fruto dos níveis overbought do RSI de 14 períodos. Deste modo, poderá haver um rally do par até ao máximo do ano nos 4.6825 reais. Caso quebre esse valor, poderá haver espaço para uma subida do câmbio até à resistência dos 4.78 reais. O Eur/Brl tem por várias vezes encontrado suporte na média móvel de 50 dias.


Eur/Usd testa limite superior do triângulo descendente
O par tem vindo a negociar nos últimos dias entre os $1.1550-$1.1730, chegando a atingir os $1.1760 temporariamente. Os líderes europeus chegaram a acordo sobre o tema da migração. Na Alemanha, Angela Merkel chegou à resolução com os parceiros de coligação sobre a política de imigração, na sequência da demissão do ministro Seehofer que, entretanto, recuou. Na sexta-feira iniciou-se uma nova ronda de tarifas recíprocas entre os Estados Unidos e China. A taxa de desemprego aumentou nos Estados Unidos para 4%, apesar dos Nonfarm Payrolls terem saído acima do previsto (213 mil vs 195 mil junho), sendo justificável pela entrada de mais 600 mil pessoas no mercado laboral.
Tecnicamente, o Eur/Usd ainda se mantém a negociar dentro do triângulo descendente – formação que normalmente dá continuidade à tendência – tendo encontrado resistência em níveis acima dos $1.17. Contudo, o MACD contraria a formação, estando a dar um sinal de compra nos últimos dias e indicando que o par poderá quebrar o limite superior do triangulo. Caso haja um rompimento em alta, o par deverá afastar a possibilidade da tendência de baixa por momentos.

Crude testa novos máximos, mas corrige em baixa
O petróleo segue pressionado pela incerteza das consequências da guerra comercial dos Estados Unidos, sendo que este será certamente um dos produtos que os chineses irão taxar em retaliação, pela produção recorde dos EUA, Rússia e Arábia Saudita e o abrandamento do crescimento do consumo. Por outro lado, dando algum suporte à matéria-prima está a indicação da diminuição dos inventários dos Estados Unidos, os comentários feitos por Washington pressionando para não comprar petróleo do Irão, a queda da produção de Venezuela e da Líbia.
Tecnicamente, o petróleo mantém a tendência de alta no médio-prazo, mas acabou por corrigir dos máximos atingidos, após o RSI de 14 dias negociar em overbought durante alguns dias. O MACD mantém a perspetiva de compra, mas poderá estar prestes a sinalizar uma ligeira queda do par, podendo o mesmo chegar a testar os $70 novamente.

Ouro reage em alta após renovar mínimos do ano
O ouro voltou a atingir novos mínimos de dezembro do ano passado nos $1237, beneficiando da desvalorização do dólar que na semana anterior atingiu mínimos de três semanas face ao euro. Contudo, após as minutas da Fed terem indicado que as subidas nas taxas de juro deverão continuar, o metal reagiu em baixa ligeira.
A nível técnico, a cotação do ouro reagiu em alta, após ressalta no nível de retração fibonacci dos 0% nos $1236, continuando a negociar acima da linha de tendência descendente de curto prazo. O metal precioso, com a referida recuperação, saiu de níveis oversold no RSI de 14 períodos. A interseção das médias móveis no MACD poderá apontar para uma inversão da tendência negativa das últimas semanas. A próxima resistência a ter em conta será a média móvel de 20 dias.

As análises técnicas aqui publicadas não pretendem, em caso algum, constituir aconselhamento ou uma recomendação de compra e venda de instrumentos financeiros, pelo que os analistas e o Jornal de Negócios não podem ser responsáveis por eventuais perdas ou danos que possam resultar do uso dessas informações. Caso pretenda ver esclarecida alguma dúvida acerca da Análise Técnica, por favor contactar a IMF ou o Jornal de Negócios.

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