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IMF – Iene valoriza com aumento do apetite pelo risco

Iene valoriza com aumento do apetite pelo risco; Dólar inverte tendência de queda; Petróleo dispara na expetativa de cortes de produção; Ouro estabiliza em torno dos $1600/onça

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Iene valoriza com aumento do apetite pelo risco

Mais uma vez, e sem grande surpresa, todas as temáticas e movimentos descritos deste espaço decorrem da pandemia do Covid-19. Os receios em torno da pandemia têm levado os investidores a apostar em ativos de refúgio, como é o caso do iene. O Eur/Jpy tem vindo a recuar nos últimos dias (perdendo mais de 8% em 11 dias), transacionando já em mínimos de 3 semanas, em torno dos 116.4 ienes. Segundo o Nikkei, o governo japonês irá colocar cerca de 100 mM de ienes (€860 M) em apoio financeiro a grandes empresas. Adicionalmente, de acordo com o ministério das finanças nipónico, os principais investidores japoneses verificaram espaço para a emissão adicional de obrigações governamentais de cerca de 16.9 biliões de ienes (€15 mM) no ano fiscal com início a 1 de abril, com o intuito de financiar medidas de estímulo necessárias para amenizar o impacto económico do Covid-19. Apesar disto, o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe disse que o país poderá adiar por enquanto declarar estado de emergência, indicando que irá trabalhar com os governos locais para combater a infeção, enquanto decide se deve conceder-lhes mais poderes para controlar o fluxo de materiais e pessoas ao declarar uma emergência.

Tecnicamente, o Eur/Jpy falhou o teste aos 50% de retração de fibonacci (121.3 ienes) e acabou por corrigir em baixa. O par apresenta uma tendência cada vez mais bearish para o curto-prazo, tendo já quebrado em baixa os 23.6% de retração (118.4 ienes) e estando o MACD a inverter o sinal de compra. Tendo isto em conta, é esperado que o par dê seguimento às quedas no curtíssimo-prazo, até ao próximo suporte dos 0% de retração (115.5 ienes).

Dólar inverte tendência de queda

Após as fortes perdas da semana anterior, o dólar recuperou terreno, impulsionado pelo aumento da aversão ao risco e, sobretudo, pela escassez de dólares em algumas geografias. Em causa está um recente conjunto de dados macroeconómicos que apontam para que a economia mundial, e em específico dos EUA, venha a registar uma recessão mais severa do que inicialmente pensado. O grande destaque da semana vai para os dados abismais do mercado laboral norte-americano. Os novos pedidos de subsídios de nos EUA voltaram a renovar máximos históricos, à medida que cada vez mais Estados implementam medidas de quarentena. Após os 3.3 milhões registados na semana até 21 de março, juntaram-se agora mais 6.6 milhões de pedidos na semana passada. A gravidade destes números é especialmente alarmante quando se considera que os cerca de 10 milhões de pedidos realizados nos últimos 15 dias, é o mesmo número que foi registado em seis meses e meio durante a crise de 2008. A condicionar ainda mais o sentimento, os EUA viram o seu número de postos de trabalho (Nonfarm Payrolls) a contrair na ordem de 701 mil em março. Esta contração encerrou abruptamente os 113 meses consecutivos de crescimento de emprego. Na Europa, o impacto do Covid-19 também se tem feito sentir, tendo o PMI dos Serviços da IHS Markit revelado uma contração mais brusca do que o previsto em março, fixando-se em 26.4 pontos, face aos 28.4 esperados. A IHS revelou também que o "pior ainda está para vir" e que a economia europeia poderá ter contraído 10% em março. A Banca tem sido alvo da maior pressão, tendo já vários dos principais bancos do velho continente eliminado a emissão de dividendos, como foi o caso do Santander, BNP Paribas e Barclays.

Tecnicamente, após a semana anterior de ganhos, o Eur/Usd acabou por recuar. O par falhou o teste aos 61.8% de retração de fibonacci ($1.1158) e acabou por corrigir. O par quebrou todos os consequentes suportes, estando já a testar os 0% de retração (€1.092). Os indicadores começam a apresentar uma perspetiva bearish. Não obstante, tendo em conta o suporte dos $1.07, as perdas poderão ser temporárias. Caso o par quebre o referido nível, poderá intensificar a tendência de queda para o curto-prazo.

Petróleo dispara na expetativa de cortes de produção

O final da semana passada ficou marcado por subida bastante acentuadas dos preços do petróleo. A justificar a subida estão as expetativas de que a Arábia Saudita, a Rússia e outros produtores possam eventualmente chegar um acordo de corte de produção na ordem de 10 milhões de barris por dia. A OPEP e os seus aliados realizam hoje, segunda-feira, uma reunião por videoconferência para discutir esta temática. Apesar disto, ainda existem grandes obstáculos para o acordo, visto que chegara a um consenso entre todos os produtores poderá ser difícil.

Tecnicamente, o crude ressaltou no suporte dos $20 (0% de retração de fibonacci). A matéria-prima começa a apresentar agora uma tendência de alta para o curto-prazo. No entanto, para esta ser confirmada terá de superar os 23.6% de retração. Se isto não acontecer, deverá manter a tendência descendente.

Ouro estabiliza em torno dos $1600/onça

Após os ganhos da semana anterior, os preços do ouro acabaram por estabilizar em torno dos $1600/onça. No início da semana, o metal precioso ainda perdeu algum terreno. No entanto, um conjunto de fracos dados macroeconómicos no final, com o número de cidadãos norte-americanos a pedir subsídio de desemprego a duplicar face à semana anterior e com a economia dos EUA a perder 700 mil postos de trabalho em março a aumentar a aversão ao risco e, assim, a impulsionar os ativos de refúgio, como é o caso do metal precioso.

Tecnicamente, os ganhos do ouro acabaram por terminar perderam algum ímpeto. Contudo, o metal-precioso acabou por ressaltar na linha de bolliner intermédia, evitando assim encerrar a semana com perdas mais expressivas. Os indicadores técnicos não fornecem sinais claros, sendo esperado que o ouro lateralize em torno dos $1600/onça no curto-prazo.


As análises técnicas aqui publicadas não pretendem, em caso algum, constituir aconselhamento ou uma recomendação de compra e venda de instrumentos financeiros, pelo que os analistas e o Jornal de Negócios não podem ser responsáveis por eventuais perdas ou danos que possam resultar do uso dessas informações. Caso pretenda ver esclarecida alguma dúvida acerca da Análise Técnica, por favor contactar a IMF ou o Jornal de Negócios.

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