Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Acções do BPI aliviam após chumbo à cisão mas continuam a ganhar 5%

Os ganhos continuam a ser expressivos para o BPI mesmo depois do chumbo de Isabel dos Santos à separação dos activos africanos. A proposta de Ulrich para tirar limites aos direitos de voto está a puxar pelos títulos.

Miguel Baltazar
  • Assine já 1€/1 mês
  • ...

As acções do BPI já estiveram esta sexta-feira a valorizar perto de 10%. Agora, seguem com uma valorização superior a 5%, num comportamento que se seguiu ao chumbo dos accionistas à separação dos activos africanos. A sustentar a forte subida em bolsa do banco sob o comando de Fernando Ulrich (na foto) está a perspectiva de fim do limite de votos que tira força aos catalães do Caixabank, elogiada pelos analistas. 

 

O BPI segue a ganhar 4,71% para valer 0,979 euros por acção, acompanhando o ganho de 4,47% que também o BCP está a registar. São as empresas que mais estão a puxar pelo PSI-20, que está a somar 0,14%. Na Europa, o dia está a ser misto, ainda que o sector da banca esteja a marcar uma valorização.

 

No caso do BPI, a subida foi mais expressiva durante o dia. Os títulos chegaram a ganhar 9,52%, tendo aliviado dessa subida depois de a assembleia-geral de accionistas ter, como esperado, reprovado a proposta de cisão dos activos africanos. A oposição da empresária angolana Isabel dos Santos foi determinante para chumbar esta separação, que visava reduzir a exposição a Angola, que, segundo as regras europeias, é excessiva.

 

Ainda assim, esta sexta-feira continua a ser o dia em que o BPI marcou uma das maiores subidas desde a oferta pública de aquisição lançada pelo Caixabank.

 

Na base do falhanço dessa OPA esteve o chumbo à desblindagem dos estatutos na assembleia-geral de accionistas de 17 de Junho de 2015. Uma das condições do CaixaBank para avançar com a OPA era que fosse decidido o fim da limitação aos direitos de voto (segundo os estatutos do banco, os direitos de voto estão limitados a 20%), o que não ocorreu.

 

Agora, o conselho de administração do banco volta a trazer a questão do fim da limitação aos direitos de voto para os accionistas deliberarem. A gestão do BPI entende que o "banco tem de dispor de todos os instrumentos necessários para lidar" com os desafios das alterações ocorridas no sistema financeiro nacional.

 

Proposta positiva para as acções

Os analistas do CaixaBI consideraram, numa nota a investidores, que "esta proposta seria potencialmente positiva para acções do banco face ao carácter especulativo introduzido no 'investment case' do banco". Explicam que "com esta proposta, o conselho de administração tenderia a criar maiores condições para a participação do BPI em futuros movimentos de alteração do enquadramento competitivo (nomeadamente operações de concentração) que venham a ocorrer no sistema bancário nacional".

 

Também os analistas do Haitong entendem que "se, contrariamente ao que ocorreu em Junho de 2015, um número suficiente de accionistas apoiar o Caixabank e remover o limite aos direitos de voto isso poderá ser um catalisador positivo para a acção". Caso a proposta venha a ser aprovada, o Haitong considera que "poderá reabrir a possibilidade do Caixabank fazer uma nova oferta pelo BPI" e poderá facilitar a cisão dos activos africanos, proposta rejeitada por Isabel dos Santos.

Acções valem menos 23% que na OPA

Em Fevereiro do ano passado, o Caixabank propôs uma contrapartida de 1,329 euros por acção na OPA ao BPI. No entanto, desde o chumbo ao fim da limitação dos direitos de voto na AG de 17 de Junho, que condenou a oferta as acções foram perdendo valor. Desde aquela data os títulos do BPI cedem 22,5%. E mesmo com a subida na sessão desta sexta-feira, valem menos 23% que o valor proposto pelo Caixabank, que detém 44,1% do banco.

Apesar da proposta do conselho de administração do BPI estar a ser bem recebida pelo mercado, a expectativa é de que haja poucas hipóteses de vir a ser concretizada. "A aprovação da mesma parece-nos improvável nesta fase. De facto, tendo em consideração a provável oposição (tal como referida pela comunicação social) da Santoro Finance (participação de 18.6%) e do Grupo Violas (2.6%) e notando que a alteração em causa requer a aprovação de um mínimo de 75% por cento dos votos expressos, o sucesso da mesma aparenta ter uma probabilidade reduzida a esta data", considera o CaixaBI.

 

Ver comentários
Saber mais BPI Fernando Ulrich BCP Isabel dos Santos
Mais lidas
Outras Notícias